República sindicalista impõe mais desemprego ao país

CNI PREVÊ DEMISSÕES COM JORNADA DE TRABALHO

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE), criticou a aprovação em comissão especial da Câmara da proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O principal argumento é que vai aumentar o custo da hora trabalhada, independente do aumento da hora extra. Ao contrário do que anunciam os defensores da matéria, Armando Monteiro previu demissão de trabalhadores e aumento de preços.

"A redução da jornada vai trazer aumento de custos para a produção do Brasil. No ápice de uma crise de proporções tão severas, o aumento de custo não pode dar bons resultados. Empresas que não podem repassar o aumento de custo para os preços vão diminuir a produção e poderão até demitir. Poderá resultar em desemprego e não no aumento de vagas. Por Luciana N. Leal

As empresas grandes repassarão para os preços, o que significa inflação. A proposta vem embalada em uma noção generosa de gerar felicidade geral, o mundo ideal seria poder trabalhar menos e ganhar mais, mas o mundo real não sanciona isso", afirmou o deputado.

Cerca de 700 sindicalistas acompanharam hoje a votação do parecer do deputado Vicentinho (PT-SP) favorável à redução da jornada e fizeram uma ruidosa comemoração ao fim da reunião da comissão especial. A proposta tramita no Congresso há 14 anos. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), disse que o aumento da hora extra deverá evitar que os empregadores compensem a redução da jornada com mais tempo de trabalho, mesmo remunerado. "Se só reduzir a jornada, os patrões aumentam o número de horas extras e não são criados mais empregos. Mas com a hora extra mais alta, fica mais barato contratar", resumiu o parlamentar. Paulinho da Força calcula que até 2 milhões de empregos poderão ser gerados em consequência da redução da jornada para 40 horas, ou oito horas diárias nos cinco dias úteis.

Vários deputados favoráveis à redução reconheceram as dificuldades para levar a PEC ao plenário. "O plenário é outra história. Mas pela movimentação dos trabalhadores que vemos hoje, se for a votação, dificilmente será rejeitada", disse o presidente da comissão especial, Luiz Carlos Busato (PTB-RS). "Nesta prova de hoje seremos vitoriosos e vamos aprovar, não sei como será no grande campo. Temos que arregimentar apoios", concordou o deputado Chico Lopes (PC do B-CE). Por ser emenda constitucional (PEC 231/95), tem que ser aprovada em dois turnos na Câmara por pelo menos 308 deputados e depois apreciada no Senado.
Agencia Estado

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Eis a vontade do povo hondurenho, seu Lula da Silva

RESPEITEM A NOSSA CONSTITUIÇÃO!

Honduras contra a ilegalidade



Milhares de hondurenhos marcharam hoje, pela manhã, na Praça central de Tegucigalpa, em apoio ao presidente Roberto Micheletti e ao chefe do Estado Maior Conjunto Romeo Váquez Velásquez.

“Estamos protestando pelas atitudes do ex presidente Manuel Zelaya e pela intromissão de Hugo Chávez e de outros governos em nossa pátria”, declararam os manifestantes. A marcha foi convocada pela União Cívica Democrática e por diversas outras organizações civis, que celebraram que Honduras saiu do jugo de Hugo Chávez, a quem o defenestrado presidente Zelaya pretendia emular.

Com o Hino Nacional de Honduras, de fundo, Roberto Micheletti chegou à Praça central, onde milhares de vozes entoavam: “¡Sí se pudo, sí se pudo!”



Micheletti mandou o seguinte recado para Chávez, sobre suas declarações de enviar tropas venezuelanas em aterras hondurenhas: - “Señor en este país de las cinco estrellas de la bandera azul, somos 7 millones y medio de soldados”.

Em seus discursos, os cidadãos afirmavam que Honduras não permitirá ditadores” "No pasarán, no pasarán", gritavam uníssonos em alusão a Chávez, o impopular presidente venezuelano.

"Solamente tenemos una patria, solamente tenemos una casa común que se llama Honduras y vamos a unir voluntades para defender lo que es nuestro", dizia o pastor Evelio Reyes. "¡Viva Honduras, viva Honduras!"
El Heraldo


PARABÉNS, POVO HONDURENHO! QUE LIÇÃO DE AMOR À PÁTRIA!

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“Qual o medo de ouvir a vontade do povo?"

O CINISMO DE LULA

"O que ele queria fazer? Queria fazer um referendo e o que um referendo tem de criminoso? Qual o medo de ouvir a vontade do povo?", indagou Lula sobre o ex presidente de Honduras.

Mas é claro, o que tem de mais, afinal, em se usar uma Carta Magna para limpar o traseiro? Se Lula assim trata da nossa Constituição, por que ele não haveria de reduzir a função da Constituição alheia, a mero papel higiênico?

Ora, as leis [...] às favas com as leis, não é mesmo seu Lula?
Pouco importa que esteja estabelecido expressamente na Constituição de Honduras, que a alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória e que o mandato presidencial é de quatro anos.


Tampouco interessa que a Constituição hondurenha proíba terminantemente a reeleição e que expresse, claramente, que aquele que contrariar essa disposição ou propuser sua reforma, assim como aqueles que o apoiem direta ou indiretamente, terão cessados imediatamente o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por 10 anos para o exercício de qualquer função pública.

Nada disso tem valor para Lula. Afinal, o que tem demais no fato de um presidente atropelar o Congresso e a Suprema Corte do país, para impor um referendo considerado inconstitucional pelas leis desse país?

A posição de Lula nada mais revela que o seu habitual cinismo, que gente já conhece muito bem. Ele acha normal impor goela-abaixo dos hondurenhos a agenda ideológica do Chávez que, afinal, “é um cara democrático até demais”, segundo a avaliação do próprio.

Tampouco causa surpresa a ladainha do grupelho delinqüente da ALBA ou da UNASUL, dois guetos de marginais. A ONU? Um organismo empestado de esquerdistas; se eles abriram espaço para Ahmadinejad vomitar contra Israel, por que não abririam espaço para as lamúrias do ex presidente golpista?

O Fórum mais confiável para Honduras discutir a questão da Violação do Principio da Livre Determinação dos Povos é o Conselho de Segurança Mundial, e não um antro desacreditado como a ONU. Honduras devia acusar formalmente o bando inteiro.

Quanto a Obama? O que esperar de um governo alinhado com países árabes, que anda se esfregando com governos populistas e autoritários da AL, que está oferecendo uma agenda socialista ao seu país, e que é cheio de dedos na hora de se posicionar contra tiranias que massacram seus cidadãos pelas ruas? Obama é comunista!

Mas o que mais impressiona dessa leniência toda é a postura [coletiva] da imprensa, tanto nacional quanto internacional. Todos eles estão pensando e afirmando exatamente a mesma coisa, ou seja: não estão dizendo, nem pensando nada, portanto. É alarmante o grau de estupidificação nas redações. Os jornalistas se sentem completamente desobrigados de informar com responsabilidade, de jogar a luz da realidade nos fatos, de informar honestamente sem o viés ideológico, claramente favorável à manada de bufões. Depois eles não sabem o porquê de os jornalões estarem perdendo leitores cada vez mais. Ora, só mesmo um burro ficaria lendo repetecos de pensamentos, a mesma coisa em todos os jornais.


SOBRE A BATALHA CAMPAL DE ONTEM
O que está ocorrendo neste momento é que uma turba de instigadores, treinados para provocar a ordem estabelecida, foi acionada para causar distúrbios em Honduras. Eles tomaram as ruas próximas do Palácio do Governo, e iniciaram um enfretamento com os policiais e militares. Foi puro vandalismo, com direito a depredação e a saques em lojas do comércio.

O
jornal Elheraldo informou que a violência chegou a tal nível, que os protestantes [armados] dispararam contra os soldados. Dois policiais ficaram gravemente feridos, e vários simpatizantes do ex presidente ficaram lesionados porque, logicamente, houve reação.

Outra informação de fácil acesso nos jornais de Honduras [para qualquer jornalista que não seja preguiçoso], é que grupos de sindicalistas da Nicarágua, do sandinista tarado-Ortega, estão cruzando a fronteira do país para engrossar os ataques contra a ordem hondurenha.

Na foto do tópico – Um bar depredado pelos marginais, durante a manifestação - Arthur/Gabriela


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Para o Lula, é necessário evitar polêmicas sobre a política externa e respeitar a soberania dos países. "O que nós precisamos é apenas respeitar. O que nós precisamos é respeitar a autonomia e a soberania de cada país. Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Se a gente achar que a gente pode dar palpite em tudo, que só pode acontecer no mundo aquilo que a gente gosta, aquilo que a gente quer, nós seremos eternamente infelizes", disse o presidente.


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Ao trabalho, itamaratecas!

Se precisamos justificar certas ditaduras num dia e condenar outras no dia seguinte, é preciso um pouco mais de sofisticação.

As reações ao golpe em Honduras são o enésimo exemplo de como é importante considerar em primeiro lugar as conveniências dos atores quando se analisa a política internacional. Melhor ter consciência disso do que viver de ilusão. Em vez de perder tempo com a crença em declarações vazias, concentrar-se na análise da relação de forças e de interesses. Si vis pacem, para bellum. Se queres a paz, prepara-te para a guerra. Quem pode mais chora menos. E ponto final.

Luiz Inácio Lula da Silva foi artífice quando a Organização dos Estados Americanos (OEA) se movimentou para revogar o isolamento de Cuba, apesar do sabido déficit democrático na ilha. Muito bom. Um argumento costumeiro de Lula é que não devemos ditar regras sobre a política interna do alheio. Razoável. Se tais parâmetros forem adotados para a república hondurenho-bananeira, deveremos deixá-la em paz no seu golpismo de opereta. Por Alon Feuerwerker

Quando no ano passado a Geórgia tentou retomar no braço províncias separatistas pró-russas, a melhor expressão que achei para o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, foi “malucão do Cáucaso”. Moscou aplicou uma surra de chicote no dito cujo. Agora, de qualquer ângulo que se olhe, o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, é forte candidato ao título de malucão da América Central.

Para convocar uma Assembleia Constituinte, Zelaya quis fazer na marra um plebiscito proibido pelo Congresso e pela Justiça. Tentou demitir o comandante do Exército, que se recusava a ajudar no tal plebiscito. Na sequência, tomou um golpe de estado. Sonhou com a perpetuação no poder, mas acabou chutado de pijama para fora do país.

Aqui no Brasil nós sabemos o custo de querer fazer as coisas “na lei ou na marra”. Se você não conhece a expressão, dê uma olhada nas circunstâncias da queda de João Goulart em 1964. Com justiça, os livros de História trazem que Jango foi vítima de um golpe ditatorial. Mas a mesma História registra também o quanto ele ajudou os golpistas, esticando a corda para além do razoável e flertando com o golpismo dos aliados dele, Jango. Por exemplo, ao estimular a insubordinação nos quartéis. Se o “na lei ou na marra” vale para você, vale também para o adversário. E adianta pouco choramingar depois.

De volta à atualidade. Nossa emergência como nação relevante no falatório planetário, na discurseira global, está a exigir um upgrade do governo e dos diplomatas brasileiros nas explicações e nos discursos. Se não, fica parecendo só o que é: uma dança ao sabor das conveniências.

Em nome do princípio de não se meter na vida alheia, o Brasil nega-se a condenar regimes acusados de violar direitos humanos. É compreensível. Não conheço país que adote o respeito aos direitos humanos como primeiro critério de política internacional. Quando o político exibe excessivo interesse no assunto, faça o teste da isonomia. Verifique se ele luta pelos direitos humanos dos inimigos com a mesma ênfase usada para defender os direitos dos amigos. Quem sabe você encontra algum governante que preencha o requisito.

Mas, se os princípios, inclusive o da não ingerência, valem só quando convêm, recorrer obsessivamente a eles vai acabar, um dia, em desmoralização. Daí a necessidade do upgrade. Uma política externa pragmática precisa de suporte intelectual consistente em pragmatismo. Se vamos passar a mão na cabeça de alguns ditadores num dia e condenar outros no dia seguinte, é preciso um pouco mais de sofisticação Ao trabalho, itamaratecas! Nas Entrelinhas Correio Braziliense

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A paúra de Lula: CPI da Petrobras é adiada pela 4ª vez

A PROVA CABAL DE QUE A CRISE NO SENADO SERVE A LULA

O PMDB deve impedir hoje a instalação da CPI da Petrobras, remarcada pela quarta vez desde que foi criada. Com apoio do governo, o líder do partido, Renan Calheiros (AL), orientou seus aliados a não permitir o início dos trabalhos da comissão e a adiá-la por tempo indeterminado.

O Governo alega crise no Senado para impedir início dos trabalhos

Apesar do entendimento fechado há duas semanas, o governo agiu ontem para impedir a instalação hoje da CPI da Petrobras. Será a terceira vez que o governo esvaziará o quórum da CPI para evitar sua instalação, com a eleição de presidente e relator. O argumento dos integrantes da base aliada é de que o momento conturbado pelo qual passa o Senado não é adequado para uma CPI. Até a oposição, que propôs a investigação na estatal, não está tão empenhada no assunto.

Para o governo e seus aliados, a instalação da CPI nesse momento agravaria ainda mais a crise no Senado, com prováveis reflexos negativos para o Planalto. A orientação governista é continuar adiando ao máximo a instalação da CPI, numa tentativa de esfriar as denúncias envolvendo a estatal.

- Com esse momento de turbulência do Senado, não há clima para a instalação de CPI - disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

Ontem, a oposição já reconhecia que será muito difícil iniciar hoje os trabalhos da CPI. Para Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento, só resta à oposição tentar uma obstrução seletiva de matérias de interesse do governo:

- Não há certeza de instalação. Até porque o governo faz o jogo duplo de avançar e recuar. Porém, quanto mais o governo retarda a instalação, mas a CPI vai avançar no calendário eleitoral - alertou Dias.O Globo

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BNDES é sócio de usina acusada de usar trabalho "escravo"

LULA FINANCIA O TRABALHO ESCRAVO

Participação do banco estatal chega a 20% da Brenco; instituição injetou R$ 1 bilhão na empresa

O governo federal recorreu à Justiça para incluir na "lista suja" do trabalho escravo a Brenco, empresa com 20% de seu capital nas mãos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Entre o fim de 2008 e o início deste ano, o banco injetou R$ 1 bilhão na empresa para a implantação de unidades de processamento de cana e plantação de lavoura em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Com isso, ganhou um assento no conselho de administração. O aporte financeiro ocorreu meses após fiscais terem encontrado trabalhadores em situação degradante em Goiás e Mato Grosso. Por Eduardo Scolese

Nessa ação, no início de 2008 e direcionada à Brenco, foram registrados 107 autos de infração por violações à legislação, segundo o governo, como alojamento precário, falta de equipamentos de proteção e transporte irregular.Comandada pelo ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reichstul, a Brenco é uma empresa brasileira, com investidores norte-americanos. A empresa diz que, até 2015, investirá R$ 5,5 bilhões na implantação de dez unidades, o que lhe permitirá uma capacidade de moagem de 44 milhões de toneladas por safra.

A empresa, que nega as acusações , entrou na Justiça e conseguiu, no mês passado, uma liminar da 12ª Vara do Trabalho de Brasília que impede o ministério de incluí-la no cadastro.

Recurso
Por meio da AGU (Advocacia Geral da União), o governo recorreu. Neste mês, entrou com um recurso ordinário contra a sentença, que agora será analisada pela segunda instância da Justiça trabalhista.

Criada em 2004 pelo Ministério do Trabalho, a "lista suja" dá publicidade a empresas e pessoas flagradas com trabalhadores em situação análoga à escravidão. O cadastro é renovado a cada seis meses, e o ministério quer incluir a Brenco na atualização do mês que vem. Entre 1995 e junho deste ano, o grupo móvel de fiscalização, que reúne auditores do trabalho, procuradores e policiais federais, resgatou 33.903 trabalhadores em situação análoga à de escravo, num total de 829 operações e 2.307 fazendas.

O Ministério Público do Trabalho e a empresa ainda negociam a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Uma reunião está prevista para meados de julho.

O BNDES, órgão do governo federal que faz propaganda de sua cláusula social, diz que, antes de fechar qualquer contrato, checa a lista do ministério. Caso a inclusão no cadastro ocorra em meio à vigência do financiamento, o banco afirma que pode suspender o desembolso. Sobre a Brenco, diz que não havia nenhuma sentença definitiva contra a empresa no momento da assinatura do contrato, em agosto do ano passado, quando aprovou o financiamento de R$ 1,2 bilhão. Nos últimos dias, o BNDES passou pelo constrangimento de ter seu nome incluído em denúncias de desmatamento na Amazônia - O Estado de São Paulo

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Gafanhotos na defesa da lavoura

Aqui em São Paulo, o Incra talvez devesse se chamar Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do Movimento dos Sem-Terra (Incra-MST). Desse modo, ficariam explicitadas tanto a relação umbilical do órgão com este movimento dito social como seus objetivos ideológicos e fisiológicos.

Matéria dos repórteres Roldão Arruda e José Maria Tomazella, publicada ontem no Estado, dá conta de que os três coordenadores do núcleo de apoio do Incra no Pontal do Paranapanema, região que concentra o maior número de assentamentos rurais no Estado de São Paulo, são ex-militantes do MST e já exerceram funções na Cocamp - cooperativa cujo nome tem sido citado em inquéritos policiais e processos judiciais sobre o mau uso do dinheiro público.

Como se sabe, essa cooperativa é uma das entidades criadas para receber verbas públicas e repassá-las para o MST, que, não tendo existência legal, usa desse subterfúgio para não se submeter aos controles fiscais e contábeis do Estado. Trata-se, assim, de uma das "entidades-laranja" dos sem-terra, nascidas para burlar a lei, e que fazem burla em segundo grau com o dinheiro dos contribuintes.


Os salários dos três coordenadores não são pagos diretamente pelo Incra, mas pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), entidade "sem fins lucrativos" que está no centro de acirrada polêmica entre a direção do Incra em São Paulo e órgãos de representação dos funcionários da casa. Estes suspeitam que o superintendente regional do Incra em São Paulo - o mesmo, aliás, que em maio foi condenado pela Justiça em Presidente Prudente, por ter autorizado, em 2003, a assinatura de convênio ilegal com uma cooperativa de assentados ligada ao MST - esteja utilizando a Fepaf para a contratação de pessoas ligadas ao MST, para atuar tanto nos assentamentos quanto na sede da instituição, neste Estado, com o repasse de dinheiro à fundação por meio de convênios.

Os representantes dos servidores do Incra em São Paulo já encaminharam à presidência do órgão, em Brasília, denúncia contra o acelerado processo de terceirização conduzido pelo superintendente regional: para 120 funcionários, há mais de 400 terceirizados, remunerados via Fepaf.

Até 2003, quando tomou posse o atual superintendente do Incra em São Paulo, a Fepaf era quase alheia às atividades do instituto. Em 2004 ele fez o primeiro convênio com a fundação, para a contratação de estagiários, no valor de R$ 10 mil. Em 2005, o valor desses convênios saltou para R$ 6,2 milhões e assim continuou a subir, até chegar a R$ 16,9 milhões no ano passado. Quase todo o dinheiro "conveniado", que ultrapassa R$ 60 milhões, é destinado ao pagamento de pessoal, em atividades como a vistoria e avaliação para análise cadastral de imóveis rurais, obtenção de terras para a reforma agrária, manejo de recursos naturais em assentamentos, assistência social e jurídica às famílias acampadas, assistência técnica e qualificação de trabalhadores rurais. O que causa estranheza aos servidores - e não só a eles - é que todas as pessoas envolvidas nessas atividades não passaram por concurso público. Mais estranho ainda é a presença de pessoas notoriamente ligadas ao MST à frente dessas atividades, porque é patente o conflito de interesses que opõe, de um lado, os sem-terra e, de outro, os proprietários rurais. Era de esperar que um órgão público mantivesse um mínimo de neutralidade técnica para lidar com tais conflitos - o que se torna impossível quando a instituição pública está inteiramente "aparelhada", no sentido político-ideológico que bem conhecemos.

Quando um movimento dito "social" se mantém deliberadamente na ilegalidade para receber verbas públicas sem controle público, o caso é grave; quando o mesmo movimento dito "social" pratica o sistemático desrespeito às leis e aos direitos alheios - como o MST em suas invasões e depredações - o caso é gravíssimo; agora, quando um movimento dito "social" faz tudo isso e ainda se insere no próprio organismo do Estado, para de lá comandar seus próprios interesses, então a situação é de desmedida gravidade: trata-se de uma nuvem de gafanhotos assumindo o posto de sentinelas da lavoura. Opinião do Estado de S. Paulo

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Socialização do prejuízo

A CELEBRAÇÃO DO DEMÉRITO

Uma análise da professora de literatura argentina da Universidade de Buenos Aires, Beatriz Sarlo, sobre o comportamento do eleitorado e dos políticos argentinos durante a campanha para as eleições parlamentares do último domingo, guarda traços de perfeita semelhança com o cenário político brasileiro.

Ao analisar as razões da apatia de uma população habitualmente ativa em questões políticas, a professora acaba (involuntariamente, pois não é esse o propósito dela) trocando em miúdos o ambiente político-eleitoral no Brasil, onde a sociedade é por tradição quase indolente.

A leitura do artigo, reproduzido pelo Estado na edição de domingo no caderno Aliás, leva à suspeição de que a simplificação das abordagens, o nivelamento por baixo da qualidade das demandas, a mistificação, a celebração do demérito, a sagração da ignorância e a despolitização das relações entre representantes e representados não tem fronteiras e já não respeita diferenças culturais. Por Dora Kramer

Ainda antes do resultado e sem o dado da abstenção altíssima, Beatriz Sarlo constata que a campanha eleitoral deu ganho de causa à falta de substância nas propostas dos candidatos e à baixa exigência por parte dos eleitores. Um acordo tácito em prol da desqualificação.

"Dominou o covarde paradoxo de que os políticos, ao almejarem cargos representativos, não devem jamais dar a impressão de estar mais bem qualificados do que seus eleitores, porque, se algum deles se mostrar muito capacitado, correrá o risco de perder o elo com a massa de potenciais eleitores, que não deseja votar nos melhores entre os pares, mas nos seus idênticos."

Segundo ela, entre os políticos e os eleitores houve uma espécie de pacto perverso pautado pelo seguinte entendimento: "O chamado ?povo? não estaria disposto a se envolver com raciocínios que não possam ser traduzidos na linguagem simples do mais simplório senso comum." A simplificação.

Um contrassenso, na realidade, pois, como aponta Sarlo, "ninguém escolhe um médico, um arquiteto ou músico" de sua preferência pela lógica contrária ao mérito. Mas, no caso da política, na Argentina (a professora refere-se apenas ao seu país) "os políticos fizeram dela a base de sua elegibilidade". A mistificação.

Abraçam causas populistas não para subverter as hierarquias socioculturais, mas para atender aos ditames da "vulgaridade midiática que fareja tendências do mercado audiovisual".

Na campanha argentina, prossegue a professora da Universidade de Buenos Aires, "prevaleceu a ideia de que o político não deve oferecer seu diferencial intelectual e profissional como qualidade de uma boa representação, mas dissimulá-la como se fosse um defeito". A celebração do demérito.

A maioria dos políticos argentinos, diz Beatriz Sarlo, adotou a premissa da baixa capacidade de compreensão dos cidadãos. "Resignados de antemão a não se interessar pela política institucional, convencidos de que todas as pessoas vivem afundadas na rotina cotidiana sem possibilidade de levantar a cabeça e carecendo de instrumentos intelectuais para acompanhar uma exposição de complexidade média, armou-se um esquema que não visava a superar uma situação, mas fortalecê-la em nome de um realismo oportunista"

Familiar. E, portanto, didático.

- O Estado de S. Paulo –

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Vitoriosa, oposição pede mudanças na Argentina

DERROTA ACACHAPANTE DOS KIRCHNER

Simples assim: Quem perde estas eleições, perde as presidenciais seguintes

A oposição saiu vitoriosa da eleição parlamentar, e a derrota coloca os Kirchner, em posição defensiva para as eleições de 2011. Seus candidatos foram derrotados até mesmo na província natal do ex-presidente, Santa Cruz, o que aconteceu pela primeira vez desde o início de sua carreira política nos anos 80.

"É uma mensagem contundente, espero que o governo saiba analisar e refletir, porque o povo disse "basta" aos maus-tratos, à confrontação desnecessária e às mensagens carregadas de ressentimento" - prefeito de Buenos Aires. Mauricio Macri (foto).
Fonte G1


DUAS GRANDES VITÓRIAS NO DOMINGO
O ex presidente hondurenho, fantoche e agente traidor (um quinta-coluna) encarregado de entregar sua Pátria para os planos de Chávez, fracassou em Honduras. Também os chulos dos Kichtner foram massacrados nas urnas.

Duas grandes vitórias no dia de ontem, às quais devemos comemorar e saborear, pois elas significam o começo da derrocada da revolução do tribufu venezuelano na AL, e também um balde de água fria nas pretensões do nosso bananeiro que, covarde, não se atreverá a seguir sozinho. Eles só estufam o peito quando andam em bando.

A hipocrisia sem limites dessa comunidade internacional já está começando a cheirar mal, para o bem de todos. Agora eles berram, mas essa mesma corriola não deu um pio enquanto o presidente deposto violava sistematicamente a Constituição, tentando subverter a ordem da República hondurenha - a mando de Chávez.

São, portanto, uns chulos, oportunistas e cúmplices se respaldando entre si, pois
eles temem levar o mesmo tranco no futuro. É a velha história: “quem tem, tem medo”.

Manuel Zelaya não é mais legítimo que a unanimidade do Poder Legislativo [também eleito], que as disposições do Tribunal Supremo de Honduras, que a vontade civil: "A Unidade Hondurenha, assim como a grande maioria dos hondurenhos, dentro e fora do país,
apóia a decisão do Congresso de destituir Zelaya, por sua pretensão inconstitucional de reeleição",

Menos ainda, outorgou-se aos exterminadores de democracias [ao Chávez, Lula e demais cupinchas do Foro São Paulo] qualquer mandato para bancarem os guardiões da Constituição e do Estado de Direito do país alheio.


A RETALIAÇÃO DOS MARGINAIS DA ALBA, INCLUINDO O BRASIL
Nove países resolveram retirar seus embaixadores de Honduras, como parte de uma bateria de ações terroristas [vulgo, diplomáticas] para exigir que o poder seja devolvido à Zelaya.

A resolução foi adotada por Antigua y Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Nicarágua, San Vicente y las Granadinas, e Venezuela, países que integram a Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA). O Lula resolveu que o embaixador brasileiro, atualmente em licença, não retornará a Tegucigalpa.

Como parte da pressão, a Guatemala, El Salvador e Nicarágua decidiram suspender por 48 horas o intercambio comercial com Honduras. O grupo também ordenou que seus embaixadores providenciassem junto ao Banco Centroamericano de Integração Econômica (BCIE) a suspensão imediata de todos os empréstimos e desembolsos ao atual governo hondurenho.

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Venezuelanos no "exílio" se organizam

Concentrada na Flórida, comunidade nos EUA cresceu 94% sob Chávez e busca agora ter mais influência política

Enquanto em vários cantos do mundo as novas políticas do governo Barack Obama são festejadas, aqui em Little Caracas o clima é de incerteza. Em Weston e Doral, cidades do subúrbio de Miami já conhecidas como Westonzuela e Doralzuela, a crescente colônia de exilados venezuelanos está desanimada com a situação. Na Venezuela, o referendo de fevereiro deu ao presidente Hugo Chávez a possibilidade de se perpetuar no poder. Nos EUA, a posição conciliadora de Obama com regimes adversários diminui as chances de os venezuelanos conseguirem proteções especiais de exilados políticos.

"Esse senhor (Obama) vai nos vender, como vendeu os cubanos. É difícil encontrar democratas que nos defendam; eles olham para o outro lado", diz Ernesto Ackermann, presidente da organização Cidadãos Venezuelano-Americanos Independentes, que busca aumentar o engajamento político dos venezuelanos nos EUA. Por Patrícia Campos Mello

Há dez anos, a comunidade de venezuelanos em Miami se restringia a empresários abastados que compravam uma casa na Flórida para passar férias. Mas com a eleição de Chávez, em 1998, e a posterior radicalização de seu governo, a classe média passou a imigrar para a região de Miami. Alguns vieram por motivos econômicos e muitos viram-se forçados a partir por causa das condições políticas. Muita gente enviou a família para Miami, com medo da violência em Caracas, e passa a vida na ponte aérea.

Westonzuela e Doralzuela estão cheias de restaurantes e lanchonetes servindo as típicas arepas e cachapas, e existe até uma clínica para a população carente venezuelana, a Venamher, financiada pela Irmandade Venezuelana-Americana. Há pelos menos cinco jornais para a comunidade na Flórida.

ÊXODO ANTICHAVISTA

Parte da oposição contra Chávez imigrou para a Flórida - são advogados, ex-funcionários de petrolíferas, jornalistas e militares desiludidos. Mais de 2.500 venezuelanos receberam asilo do governo americano em 2006 e 2007. Em 1997, um ano antes de Chávez ser eleito, apenas nove venezuelanos conseguiram asilo. Mais de 10 mil venezuelanos receberam residência em 2007, o triplo de 1998.

De acordo com o censo americano, a população venezuelana no país cresceu 94% nesta década, de 91.507 em 2000 para 177.866 em 2006. Mas líderes da comunidade estimam números muito maiores, de 250 mil, principalmente porque grande parte dos venezuelanos está no país ilegalmente.

A maioria dos venezuelanos achou que vinha por pouco tempo. "Mas Chávez está durando muito mais do que esperávamos, os preços do petróleo ficaram altos durante muito tempo", diz Pedro Burelli, ex-integrante do conselho da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

A bancada cubano-americana no Congresso - deputados Ileana Ros-Lehtinen, Lincoln Diaz-Balart e Connie Mack - abraçou a causa dos exilados venezuelanos. O motivo é simples: não há venezuelanos residentes suficientes para elegerem seu representante. "Mas os cubanos abraçam nossa causa também por motivos práticos: Cuba só sobrevive graças ao petróleo da Venezuela; Havana revende o petróleo de Chávez para se sustentar", diz Bernardo Jurado, ex-capitão da Marinha venezuelana que assinou o referendo contra Chávez e fugiu, acusado de espionar para a CIA. Ele está esperando seu asilo político.

Muitos que vêm entram com visto de turista e acabam ficando. Os venezuelanos nos EUA lutam para ter o status de "deferred enforced departure" (DED), segundo o qual o presidente suspende deportações de imigrantes que poderiam estar em perigo, por motivos políticos, se voltassem a seu país de origem.

"As chances diminuem nesse governo democrata, pois Obama não quer nenhuma disputa com Chávez, e a concessão de DED para venezuelanos poderia ser interpretada como uma afronta pelo governo venezuelano", diz Elio Aponte, presidente da Organização dos Venezuelanos no Exílio, de Miami. O Estado de S. Paulo

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Collor é o mesmo do século passado

O BRASIL É QUE MUDOU PARA PIOR

Quase 20 anos depois de instalar no Palácio do Planalto um Fernando Collor de mentira, quase 17 depois de livrar-se do Fernando Collor de verdade, o país vai engolindo sem engasgos o único chefe de governo expelido por um impeachment.

Os brasileiros que votaram em 1989 no candidato a presidente fantasiado de caçador de marajás podem alegar que não sabiam o que estavam fazendo. Os alagoanos que votaram no candidato a senador em 2008 e o querem de volta ao governo do Estado em 2010 sabem perfeitamente o que fazem. Quem gosta da ideia de reprisar o pesadelo é um caso clínico. Quem assiste passivamente ao seu recomeço merece experimentá-lo de novo. Por Augusto Nunes

No restante do mundo, a História se repete como farsa. Num Brasil que se sente mais feliz de cócoras e prefere o avesso das coisas, a farsa se repete como farsa e a História faz de conta que é outra história. O modelo Senador é o modelo Presidente com o teto pintado de preto. Um Collor é um Collor, informaram o tom arrogante e o conteúdo afrontoso do discurso de estréia no Senado. Um Collor nunca muda em sua essência, reafirmaram neste junho anotações mais recentes no livro de ocorrências da Casa da Dinda.

Ali foram localizadas, no século passado, provas materiais de algumas das incontáveis delinquências promovidas por Paulo César Farias com o aval do chefe. Por exemplo, o Fiat Elba que PC incorporou à frota presidencial depois de adquiri-lo com um cheque de uma conta-fantasma ─ expediente reprisado pelo tesoureiro do reino para bancar a repaginação dos jardins de babilônia sertaneja. E ali foram encontradas, agora, evidências de que um Collor só muda de idade.

O senador financiou a montagem do esquema de segurança da Casa da Dinda com a verba indenizatória de R$ 15 mil, destinada exclusivamente a atividades parlamentares. E é esse dinheiro que vem garantindo a comida dos empregados da propriedade particular que o patrão só freqüenta nos fins de semana. E daí?, deu de ombros o sessentão reincidente. Se depois do muito que fez na Presidência foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, não há por que se preocupar com o que anda fazendo. É o que todo mundo no Senado faz.

No discurso em que posou de vítima de uma trama política indecorosa, o pecador sem remorsos disse que as coisas tomariam outro rumo se tivesse sido mais generoso com aliados e inimigos. Em 1992, sacos de bondade talvez fossem insuficientes para evitar o impeachment. Ainda existia oposição, o PT atirava antes e perguntava depois, valores permanentes não haviam sido revogados. Hoje, Collor certamente escaparia do castigo se soubesse trocar favores. Não é difícil fazer negócio com a turma da base alugada. Nem com as messalinas com hímen complacente que se disfarçaram de vestais até o escândalo do mensalão.

Derrubado em 1945, Getúlio Vargas foi eleito, meses depois, senador por dois Estados e deputado federal por sete. Apareceu quatro ou cinco vezes no Congresso, constatou que seria alvejado por ataques diários e, sem ter subido à tribuna, retirou-se para São Borja. Collor reapareceu no Senado com cara de coroinha injuriado e acusou o Congresso de golpista. Ganhou de presente a presidência da comissão incumbida de monitorar o PAC, virou destaque do cortejo governista e hoje é sócio remido do clube dos amigos do cara. Convidado pelo inimigo que qualificava de “analfabeto”, visitou no Palácio do Planalto o presidente que o qualificava de “safado” quando líder do PT.

Trocaram apertos de mão, sorrisos, afagos e elogios.
Os políticos brasileiros já não enxergam diferenças entre o convívio dos contrários e a promiscuidade malandra. Não distinguem a crítica áspera do insulto imperdoável, ou o ataque que fere da infâmia que exige a ruptura. Só quem perdeu a vergonha consegue achar na meia idade amigos de infância que nunca viu. Só quem demitiu o sentimento da honra celebra alianças tão indecorosas quanto os acasalamentos em clubes de swing.

Collor continua o mesmo. O que mudou para pior foi a paisagem política. O Brasil, cada vez mais, lembra uma grande Casa da Dinda.
Direto ao Ponto -Revista Veja

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Ex-militantes do MST coordenam núcleos do Incra

Os três coordenadores dos núcleos de apoio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Pontal do Paranapanema, região que concentra o maior número de assentamentos rurais no Estado de São Paulo, são ex-militantes do MST e já exerceram funções na Cocamp - cooperativa do MST cujo nome é citado em inquéritos policiais e processos sobre mau uso de dinheiro público. Os salários dos três não são pagos diretamente pelo Incra, mas pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), instituição sem fins lucrativos situada no centro de uma pesada polêmica que vem sendo travada entre a direção do Incra em São Paulo e entidades de representação dos funcionários da casa.

As entidades suspeitam que o superintendente regional do Incra, Raimundo Pires Silva, esteja utilizando a Fepaf para a contratação de pessoas ligadas ao MST para atuar tanto nos assentamentos quanto na sede da instituição, em São Paulo. O dinheiro é repassado à fundação por meio de convênios. Por Roldão Arruda e José Maria Tomazella

Em documento encaminhado dias atrás à presidência do Incra em Brasília, os representantes dos servidores disseram que Silva conduz um acelerado processo de terceirização no quadro de funcionários da superintendência regional. Pelas suas contas, enquanto o número de servidores públicos do Incra-SP gira em torno de 120, os terceirizados, remunerados via Fepaf, somam mais de 400.

A Fepaf era uma instituição praticamente alheia às atividades do Incra até 2003 - ano em que Silva assumiu a superintendência. Em 2004, ele celebrou o primeiro convênio com a fundação, para a contratação de estagiários, no valor de R$ 10 mil. No ano seguinte, porém, o valor dos convênios com a entidade saltou para R$ 6,2 milhões. E dali para a frente a escalada não parou mais. No ano passado o valor bateu em R$ 16,9 milhões. Neste ano, os números disponíveis, ainda provisórios, chegam a R$ 16 milhões.

A quase totalidade do dinheiro, cuja soma passa da casa dos R$ 60 milhões, é destinada ao pagamento de pessoal, em atividades como vistoria e avaliação para análise cadastral de imóveis rurais, obtenção de terras para a reforma agrária, manejo de recursos naturais em assentamentos, assistência social e jurídica às famílias acampadas, assistência técnica e qualificação de trabalhadores rurais. Regularmente são publicados no Diário Oficial da União termos aditivos com a renovação desses convênios.

Representantes dos servidores estranham que todas essas atividades fiquem nas mãos de pessoas que não prestaram concurso público. E estranham mais ainda a presença de pessoas ligadas ao MST à frente delas, por se tratar de atividades que envolvem conflitos de interesses, opondo de um lado os sem-terra e, de outro, proprietários rurais.

José Nilton do Amaral, conhecido como Mossoró, coordenador do núcleo de apoio do Incra em Mirante do Paranapanema, e Edenilton Henrique Batista, o Musgão, do núcleo de Presidente Epitácio, eram da linha de frente do MST na década de 90, quando as atividades da organização explodiram no Pontal, com 300 fazendas invadidas. Mais tarde eles foram para a Cocamp, a polêmica cooperativa de onde já saíram vários funcionários que hoje estão entre os contratados da Fepaf.

Outro que se enquadra nessa situação é o coordenador do escritório regional do Incra em Teodoro Sampaio, Sidnei Macedo, o Piu, também ex-Cocamp. A prática se repete em outras unidades do interior. Funcionários do núcleo de apoio do município de Iaras, como Henri Alexandrino de Souza, contratado pela Fepaf, são ligados à Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços dos Assentados da Reforma Agrária de Iaras (Cocafi), do MST.

A sede do Incra em Iaras virou reduto do MST, segundo o assentado Eraldo Pedroso da Silva, titular do lote 21 no Assentamento Zumbi dos Palmares. "O Incra e o MST aqui são a mesma coisa. Só quem reza na cartilha do movimento é atendido."

Em Itapeva, a vereadora Áurea Aparecida Rosa (PTB) pediu à Polícia Federal que investigue convênios entre o Incra e o Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo, ligado ao MST, cujos integrantes prestam serviços à Fepaf. Segundo a vereadora, a fundação contratou Maria de Fátima Matheus, mulher do dirigente estadual do MST Delweck Matheus, para atuar na coordenação do escritório do instituto.

Após receber as reclamações dos representantes dos servidores, a presidência do Incra encaminhou ao superintendente de São Paulo um questionário sobre o assunto, que Silva está respondendo. Em maio, ele foi condenado em Presidente Prudente por ter autorizado, em 2003, a assinatura de convênio ilegal com uma cooperativa de assentados da reforma agrária, ligada ao MST. - O Estado de S. Paulo

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Bolsa Familia: sem efeito sobre a pobreza

PRESERVAÇÃO DA MISÉRIA

Estudo inédito revela que o Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo, teria impacto quase nulo na redução do número de pobres no país mesmo se tivesse sido implantado há 30 anos. Especialistas querem fortalecer a medida no ensino médio - Ampliar imagem

Faz três anos que Wilma Silva Moreira e o marido, Walmi, recebem um auxílio de cerca de R$ 100 do governo federal. Com o dinheiro, garantem uniformes escolares e tênis em bom estado para os dois filhos, compram frutas e verduras e ainda pagam as passagens da mais velha, Kelry Cristina, de 10 anos, que vai de ônibus às aulas de ginástica rítmica três vezes por semana. “Se não fosse esse recurso, não teria como fazer isso por eles”, conta a dona de casa, que sabe da obrigatoriedade de manter os pequenos na escola para não perder o benefício. Na casa simples em um bairro humilde do Distrito Federal, é impossível não perceber o quanto o auxílio do Bolsa Família(1) melhora a vida dos Moreira. Dificilmente, entretanto, o programa social será capaz de cumprir um dos principais objetivos a que se destina: retirá-los da pobreza a longo prazo. Por Renata Mariz

É o que aponta um estudo inédito — intitulado Mobilidade Social no Brasil: o papel da educação e das transferências de renda — elaborado por Rafael Osório, pesquisador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e por Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dois especialistas fizeram, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma simulação(2) sobre o que aconteceria com a pobreza no país caso o Bolsa Família tivesse sido implantado de forma universal em 1976, garantindo que todas as pessoas em idade escolar na época concluíssem ao menos o ensino fundamental — principal etapa do ensino coberta pelo programa do governo federal. O resultado mostrou que 30 anos depois, em 2006, a parcela da população pobre cairia de 25% (índice real) para 22,3% (índice simulado). A linha de pobreza considerada no levantamento foi de R$ 140,83 per capita familiar.

“Os dados mostram que, ainda que tivéssemos um Bolsa Família perfeito, além de uma boa política educacional, garantindo ensino fundamental para todos, poucas pessoas sairiam da condição de pobreza. Isso ocorre porque a educação primária já não promove mais mobilidade social”, afirma Osório, um dos autores do estudo. A principal recomendação da pesquisa é que o governo federal amplie o programa de transferência de renda, garantindo mais fortemente a cobertura do ensino médio — período escolar em que a taxa de matrículas cai três quartos em relação ao ensino fundamental.

Aperfeiçoamento
Para Rosilene Rocha, secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, que gerencia o Bolsa Família, as informações do estudo são bem-vindas no sentido de aperfeiçoar o programa. Ela menciona o fato de o governo ter expandido(3), em março de 2008, o limite de idade da população que, por estar na escola, garante um acréscimo no benefício recebido pela família. Até então, o teto era de 15 anos. Hoje, é de 17. “Incluir os adolescentes de 16 e 17 anos mostra que o ministério está atento a essa necessidade de estimular a frequência no ensino médio. Queremos analisar esse estudo, pois tudo que puder auxiliar o Bolsa Família nos interessa”, destaca Rosilene. A secretária reconhece, porém, que mesmo com a expansão da idade, a etapa do ensino médio corre grande risco de ser pouco coberta pelo programa, em virtude do atraso escolar generalizado no país. Hoje, apenas 30% de 1,8 milhão de beneficiários do Bolsa Família com 16 e 17 anos estão no ensino médio, fase compatível com a idade. No Brasil, 21% dos adolescentes nessa faixa etária largaram a escola, segundo o IBGE. “Além de um problema de oferta, é nessa etapa, do ensino médio, em que a disputa entre o trabalho e a escola se torna um grande problema”, destaca Osório, do Pnud. Embora pondere que o programa federal não é o único instrumento de redução da pobreza, Marcelo Medeiros, o outro autor do estudo, ressalta a relevância da ação. “O Bolsa Família é uma engrenagem importante, entre outras iniciativas em prol da diminuição da desigualdade, que precisa ser maior, mais ousada. Nos moldes atuais, garante o alívio imediato da pobreza, mas não uma mudança futura”, diz o pesquisador do Ipea.

1- BOLSA FAMÍLIA
Criado em 20 de outubro de 2003, o Bolsa Família unificou quatro ações sociais: Bolsa Escola, Auxílio Gás, Cartão Alimentação e Bolsa Alimentação. É um programa de transferência de renda que hoje beneficia 11,5 milhões de lares no país (ou 45,8 milhões de pessoas) com auxílios que variam de R$ 20 a R$ 182, dependendo dos ganhos do grupo da família, se tem filhos na escola ou não, entre outras condições.

2- SIMULAÇÃO
No computador, os pesquisadores calcularam quanto, em média, recebe um trabalhador no Brasil com ensino fundamental, médio e superior de acordo com quatro variáveis: idade, sexo, cor da pele, local onde mora. E simularam, então, como ficaria a configuração da pobreza no país se 100% das pessoas em idade escolar em 1976 tivessem concluído ao menos o ensino fundamental.

3- EXPANSÃO DA IDADE
Até maio de 2008, eram atendidas pelo Bolsa Família crianças de até 15 anos. Desde então, foi ampliada a idade, para incluir também os adolescentes de 16 e 17 anos que estejam na escola. Hoje, 11,4% do total de alunos beneficiários — 1,8 milhão de pessoas, em números absolutos — têm entre 16 e 17 anos. Correio Braziliense

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A grita da canalha

Como não poderia deixar de ser o Lula obviamente que defende a torpeza

Ele também está aborrecido porque "um do bando” foi pego com a boca na botija, tentando dar um golpe na democracia.

O mesmo Lula que defende o Ahmadinejad e a brutalidade de seu regime, agora condena um país que nada mais fez do que tentar salvar sua democracia ameaçada; o mesmo Lula que fez negócios por debaixo do pano para favorecer os projetos atômicos do Irã, agora fala em cortar relações com Honduras, só porque o país não aceita o projeto bolivariano para o seu povo; o mesmo Lula que se recusa a reconhecer as FARC como grupo terrorista e que apóia ditadores do mundo inteiro, também defende o ex presidente hondurenho e sua tentativa de golpe, apoiado por Chávez e Cuba.

Golpe de Estado foi o que ex presidente tentou dar em Honduras, a ponto de invadir a base das Forças Aéreas, acompanhado por uma turba de sindicalistas e campesinos, para fazer a receptação das urnas (consideradas ilegais pelos Poderes de seu país) enviadas por um avião de Chávez.


O que Honduras nos oferece, neste momento, é a maior demonstração de respeito às regras democráticas de seu país - ao contrário da grita desse bando de cafajestes, empenhado em desinformar a opinião publica mundial, alegando que houve golpe de estado, quando na verdade, tratou-se da mais legitima ação de resgate da ordem e da preservação constitucional, contra os abusos de um ex presidente que planejava dissolver o Congresso, e conduzir seu país ao totalitarismo, a exemplo de Chávez.

Que essa postura de Lula sirva de alerta aos brasileiros sobre o que está por vir. Não se iludam com seu discurso de que ele não quer o 3º mandato. Basta ver como ele compra o voto dos pobres com seus programas assistencialistas, que nada mudam, e em como ele mantém suas milícias cada vez maiores e mais truculentas [MST, CUT etc.] às nossas custas.

Apoiar as atitudes de Honduras, neste momento, equivale a apoiar o esvaziamento do projeto bolivariano de Chávez para o Continente, e as pretensões de Lula da Silva. Temos que torcer para que a Kirchner se ferre na Argentina; temos que nos inspirar nos panamenhos que elegeram a direita para o governo; temos que apoiar Uribe na Colômbia; a luta da oposição boliviana contra os desmandos de Evo - o presidente assassino; temos que torcer para que o tarado sandinista, Ortega, seja derrotado nas próximas eleições da Nicarágua. Temos que ter consciência e apoiar todos esses movimentos de resistência na América Latina, contra os projetos socializantes e totalitários.

Quem é o Chávez para afirmar que ele não vai
respeitar a soberania de Honduras? Um governo fracassado que não foi capaz de cuidar do seu próprio país. Apesar de toda riqueza do petróleo, tudo que o incompetente consegue oferecer ao seu povo é a miséria, a violência desenfreada e muito porrete. Enquanto ele gasta a riqueza do povo para subornar vizinhos, os venezuelanos não conseguem mais comprar uma lata de sardinha. Hugo Chávez não passa de um bandido aliado a terroristas, inclusive aos islâmicos.

Enxergar a realidade dos fatos é fundamental para impedir o avanço dessa escória maldita, que usa da democracia para chegar ao Poder, e depois tenta esmagá-la, via referendos. Todos eles seguem uma única cartilha: a perpetuação no Poder. E Lula não é exceção. Esse é o projeto coletivo da esquerda latina: transformar nosso Continente num tremendo Gulag, onde os confrontos de resistência (nós vamos apanhar do MST) serão tratados como meros desentendimentos entre “vascaínos e flamenguistas” Por Arthur/Gabriela

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Honduras contra a ilegalidade

DEMOCRACIA PRESERVADA
Congresso separa o presidente por polarizar a sociedade


Violentando uma ordem judicial, o Executivo realizaria no dia hoje uma pesquisa de opinião, processo sem garantia de sua transparência porque o governo é quem dirige todo o processo, desde a convocatória até a proclamação dos resultados

A plenária do Congresso Nacional separou hoje do cargo o presidente da República, Manuel Zelaya e nomeou como seu substituto o presidente do Congresso, Roberto Micheletti pelo tempo que resta para terminar o presente período de governo. O legislativo, após reprovar a conduta do presidente Manuel Zelaya Rosales, mediante decreto, respaldado pela maioria dos deputados, determinou a separação do mandatário.

O secretario da Câmara Legislativa, José Angel Saavedra, leu um decreto legislativo, que no artigo número UM estabelece que "o Congresso Nacional em aplicação da Constituição da República acorda literalmente A reprovar a conduta do presidente da República, Manuel Zelaya por suas reiteradas violações da Constituição da República e às leis e não observação das resoluções e ordenanças dos órgãos jurisdicionais.”

No item “b” do referido decreto, se consigna que "se separa ao cidadão José Manuel Zelaya do cargo de presidente constitucional da República de Honduras".

Segundo o secretario do Congresso, José Alfredo Saavedra, o decreto foi aprovado por unanimidade dos deputados da Câmara Legislativa. O Congresso Nacional, também nomeou constitucionalmente ao cidadão Roberto Micheletti Bain, atualmente presidente do Congresso Nacional, como presidente constitucional da República de Honduras, pelo tempo que falte para terminar o presente período constitucional que será em 27 de janeiro de 2010.

Assim se justificaram
A decisão de separar a Zelaya de seu cargo foi fundamentada no fato de que o então governante "gerou um clima de confrontação, divisão e inquietação, ao grau de colocar em perigo iminente e de rompimento o Estado de Direito, e governabilidade".

Diz também o decreto que "em conformidade com os artigos 245, numero 1, 321 e 322 da Constituição da República é dever do cidadão presidente, ser fiel à República, cumprir e fazer cumprir a Constituição e as Leis, os tratados e as convenções e demais disposições legais".

"Considerando que é potestade do Congresso Nacional velar, aprovar ou reprovar a conduta dos Poderes Constituídos e demais instituições do Estado. Considerando que os funcionários não têm mais responsabilidades que as que lhes confere a Lei".

A substituição legal do então presidente Manuel Zelaya Rosales está condicionada a que se estabeleça o mais pronto possível um grande diálogo nacional com todos os setores políticos e não políticos, disse o deputado Antonio Rivera Callejas, em nome da bancada do Partido Nacional.

“Nosso país desde há algum tempo se encontra sem norte, agitado politicamente, e em uma confrontação nunca antes vista. Nesses momentos esta situação requer um grande diálogo nacional”, manifestou o deputado nacionalista. Segundo ele, o apoio à substituição legall “está condicionada a esse grande diálogo nacional”, com o fim de estabelecer a paz e a tranqüilidade do país.

O deputado também pediu que se trabalhe o assunto a nível internacional, para dar a conhecer a todos os organismos “que tudo isso se faz no marco da legalidade a da paz. Temos que nos ver como um país que respeita a lei e a democracia, expressou.

A separação de Zelaya ocorreu minutos depois que o secretario do Congresso José Alfredo Saavedra leu uma carta de renuncia atribuída ao mandatário.
Ver la carta leída hoy en el Legislativo

O deputado Ricardo Rodríguez, coordenador da comissão investigadora, explicou ao plenário que o mandatário descuidou-se dos problemas substanciais como a gripe AH1N1, aos afetados pelo terremoto, a crise financeira, o desemprego e a segurança dos hondurenhos.

Ademais suas ações como a subtração do material que estava confiscado na Força Aérea “demonstra que a conduta do cidadão Presidente faz perigar sua fidelidade à República, no cumprimento da constituição e demais leis que nos regem, colocando em precáriedade o Estado de direito, a governabilidade e o sistema democrático”.


O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido esta manhã por militares em cumprimento de uma ordem dos tribunais de justiça. A informação foi confirmada por uma fonte das Forças Armadas que disse também que a ordem dos tribunais foi de recolher todas as urnas destinadas para a consulta ilegal.

"O que nos ativou a cumprir a ordem foi o decreto que tiraram da Gazeta (donde práticamente) chamavam a uma Assembléia Nacional Constituinte, então era uma ruptura da ordem constitucional", disse o militar em condição de anonimato. A fonte anunciou também que virão mais detenções de funcionários que desacataram a ordem dos tribunais contra a consulta ilegal deste domingo.

CONSULTA ILEGAL
A pesquisa que se realizaria neste domingo tinha como fim que os cidadãos respondessem se queriam uma quarta urna nas eleições gerais de novembro próximo. Nela se perguntaria se estava de acordo com a instalação de uma Assembléia Constituinte para cambiar a atual Constituição.

Apesar de a justiça ter determinado que a consulta era ilegal, o então mandatário quis obrigar, mediante decreto, ao chefe do Estado Maior Conjunto general Romeo Vásquez Velásquez, para que as Forças Armadas transportassem o material e vigiassem as urnas.

Como o oficial se negou a cumprir tal ordem, por ser declarada ilegal, então o mandatário o destituiu de seu cargo. Nessa mesma noite se oficializou a renuncia do secretario de defesa Edmundo Orellana. Tal situação que foi aplaudida por vários ministros e ativistas.

Na quinta-feira à tarde, Zelaya junto com uma turba de ativistas (sindicalistas, campesinos, entidades étnicas etc.), invadiu as instalações da Força Aérea, para tirar o material da consulta, que horas antes havia sido apreendido por autoridades do Ministério Público e pelo Tribunal Supremo Eleitoral.

Esta atuação do então presidente foi reprovada novamente por todos os setores sociais, incluso o Congresso Nacional nomeou uma comissão para que investigasse os atos delituosos do mandatário.

Na noite de quarta e quinta-feira, o Congresso Nacional se reunia para tomar uma decisão sobre as ações de Zelaya, sem embargo a sessão foi suspensa já que a comissão pediu mais tempo para apresentar seus informes.

A ação do presidente de
destituir a Vásquez Velásquez e de dirigir seus ativistas para irromper na base aérea, foi elogiado pelos presidentes dos países que conformam a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

O presidente venezuelano Hugo Chávez, foi o primeiro a escarnecer da determinação do general Vásquez de desobedecer à ordem do mandatário, e ameaçou que não ficaria de braços cruzados diante de um golpe de estado contra seu discípulo.

A última vez que se produziu um golpe de Estado em Honduras foi em 04 de dezembro de 1972 quando o general Oswaldo López Arellano tirou à força o presidente Ramón Ernesto Cruz. Fonte -
ElHeraldo.hn

Tradução de Arthur

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Os fiscais de Lula

Transferir para o Congresso o poder de intervenção do TCU dará margem a proveitosas negociações

O ataque de Lula à fiscalização de atos do governo, em especial às obras, além de falsear a realidade e o poder das fiscalizações tem a ver com um objetivo perigoso: inicia a pretensa justificação pública da trama que o governo faz no Congresso, com discrição, para cassar o poder do Tribunal de Contas da União de paralisar obras com irregularidades graves. O que, por sua vez, faz companhia à pretensão de reduzir os poderes e o campo de ação da Procuradoria Geral da República.

Lula argumenta que a tese do "estado mínimo", no governo Fernando Henrique, exacerbou as fiscalizações enquanto desmontou a capacidade executora do governo, daí resultando constantes paralisações de obras. Refere-se, claro, ao ritmo insuficiente das obras do PAC. Por Jânio de Freitas

Mas tais obras não dependem da capacitação do governo para executá-las. Tanto só, como em associação financeira com Estados e municípios, o governo federal entrega-as a empreiteiras, empresas privadas. Por intermédio de alguma coisa variável, em fins, métodos e montantes, que usam chamar de licitação ou concorrência pública.

As irregularidades que levam o TCU a retardar o início de obras estão nessas macumbas em que baixam os santos de determinadas empresas e os preços dos serviços, reais ou falsos, sobem aos céus. Obras são interrompidas quando as fiscalizações surpreendem alterações de projeto, materiais fora da especificação ou descumprimento de cláusulas contratuais. Por fim, os casos que comportam as medidas extremas do tribunal estão previstos, com clareza, na legislação.

Transferir para o Congresso o poder de intervenção do TCU, como se articula entre os governistas, traz a ideia fantasiosa de que Câmara e Senado são ágeis, ou o são mais do que os lentos tribunais. Na prática, a transferência dará margem a proveitosas negociações entre congressistas e empreiteiras, seja para efeito imediato ou nas campanhas eleitorais. Para o governo, a principal conveniência da mudança está em contar com a maioria governista para desconsiderar as restrições da fiscalização.

O propósito final é óbvio: aceitar as irregularidades técnicas e as ilegalidades. Folha de São Paulo

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Armadilhas na Amazônia peruana

Na semana passada, o Congresso peruano revogou os decretos legislativos que provocaram uma enorme revolta indígena na Amazônia, com o bloqueio de estradas, a ocupação de empresas, paralisações e ações armadas nas quais morreram 24 policiais - degolados, perfurados com lanças e queimados - e dez civis, deixando 150 pessoas feridas, segundo dados do Ministério Público.

Na véspera, o presidente peruano, Alan García Pérez, autor dos decretos, fez uma autocrítica, lamentando não ter consultado as comunidades indígenas a respeito e explicando que a revogação dos dispositivos legais teve por objetivo alcançar a paz e acabar com o derramamento de sangue.

Desse modo, a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Amazônia (Aidesep), à qual estão filiadas cerca de 1.300 comunidades nativas, e seu dirigente Alberto Pizango - agora exilado na Nicarágua -, que lideraram o movimento rebelde, conseguiram uma vitória indiscutível. Por Mario Vargas Llosa

Embora a revogação dos decretos tenha sido acompanhada de uma proposta vaga de futuras negociações para tentar harmonizar as ideias das autoridades e das populações indígenas, todos sabem que este governo, ou futuros governos, não ousarão de novo tentar pôr a mão na Amazônia para estimular o investimento privado e o desenvolvimento econômico da região, que é a mais pobre e mais despovoada do Peru e representa cerca de dois terços do território nacional.

Uma coisa, portanto, está totalmente garantida: os 332 mil indígenas da Amazônia - que baseado no censo de 2007 estão distribuídos em 15 grupos étnicos e falam 70 dialetos - continuarão sendo os cidadãos mais desamparados e explorados do Peru, os que recebem a pior educação, têm menos oportunidades de trabalho e as piores expectativas de saúde e de vida em todo o país. Se não é uma vitória de Pirro, então o que é?

Apesar de sua linguagem difusa, os decretos revogados estavam muito bem orientados. Procuravam atender a uma necessidade vital de atrair investimentos privados e tecnologia de ponta para uma região com grandes reservas de gás, petróleo e minerais, e poderiam ser uma fonte de prosperidade e modernização para esse país tão pobre que é o Peru, começando, é claro, por quem mais precisa de ajuda: as comunidades nativas da Amazônia.

DESMATAMENTO
Qualquer pessoa que examinar os decretos em questão vai perceber como é falso afirmar que se desconheceu o direito de propriedade dos indígenas de suas terras ancestrais. Ao contrário: o objetivo, explícito e implícito, era demarcar essas circunscrições para que fossem legalizadas e não continuassem sendo uma mera abstração, rechaçada diariamente pelas múltiplas invasões de narcotraficantes, pelo desmatamento selvagem que está convertendo suas florestas em deserto, pela mineração ilegal e pela insana contaminação de rios e lagos que está aniquilando a fauna e a flora.

É verdade que o governo, antes de enviar os decretos ao Parlamento, deveria ter realizado uma intensa campanha de informação e dialogado com as comunidades nativas. O que não garante que ele teria sido mais eficiente do que os demagogos e extremistas que há bastante tempo, com o apoio flagrante dos presidentes Evo Morales e Hugo Chávez, vêm intoxicando toda a região amazônica com um discurso revolucionário, cujos suportes básicos são o anticapitalismo, o nacionalismo e o racismo.

Ou seja, o repúdio da empresa privada e do investimento estrangeiro - salvo, é claro, se for venezuelano, cubano ou iraniano - em vez de um reconhecimento das "nações indígenas" que teriam direito exclusivo às terras amazônicas.

Mas, se tivesse ocorrido um diálogo, pelo menos se evitaria os mortos e feridos e os grandes danos materiais sofridos pelo Peru. E o governo teria sido poupado de uma derrota política que os inimigos da democracia - uma minoria de ressentidos e saudosistas de Stalin, Mao Tsé-tung e do Sendero Luminoso - vão interpretar como um incentivo para novas ações violentas que acabem com o crescimento dinâmico do país, que o arruínem e, dessa maneira, o aproximem mais da órbita chavista, da revolução bolivariana e do modelo cubano.

EXPLORAÇÃO
Conheço muito bem a Amazônia peruana, que serviu de cenário para três de meus romances. Vi de perto as terríveis condições de vida das comunidades indígenas.

Desde o século 19, no apogeu da borracha, os indígenas da selva amazônica vêm sendo maltratados de maneira iníqua, expulsos de suas terras por mercadores escravistas, dizimados nas áreas de extração de borracha.

Depois, foram brutalizados por aventureiros sem escrúpulos em busca de ouro e outros metais, por narcotraficantes, por guerrilheiros e pelas forças de segurança, sempre esquecidos pelos governos do Peru, que nunca se preocuparam com a sorte dessa minoria que pouco representa do ponto de vista eleitoral.

Por isso, entre todas as regiões do Peru, nenhuma como a Amazônia exige com urgência que a anarquia e a "lei da selva" sejam substituídas por uma ordem legal justa e estável, que garanta os direitos das comunidades nativas e lhes ofereça a oportunidade de melhorar e progredir. Algo que que apenas o desenvolvimento econômico, com a multiplicação de empresas privadas, de investimentos nacionais e estrangeiros e a legalidade democrática, podem conseguir.

Nas regiões do Peru onde isso ocorreu, como em Lima e em toda a área litorânea, além de muitas áreas serranas ao norte do país, o progresso tem sido espetacular nos últimos anos, reduzindo os níveis de pobreza, criando altíssimas taxas de emprego e, graças ao "canon minero" - imposto que as empresas mineradoras pagam aos governos regionais locais - proporcionado às províncias receitas que jamais tiveram no passado.

A isso acabam de renunciar, de maneira suicida as comunidades amazônicas que seguiram as ordens retrógradas de Alberto Pizango. No entanto, ele não é o único que deve estar se regozijando em seu exílio nicaraguense. Também Fidel Castro e o grande vencedor dessa operação, que é Hugo Chávez.

O Peru é uma das duas espinhas que o caudilho venezuelano tem cravadas em sua garganta. A outra é a Colômbia. Para seus sonhos megalomaníacos de se tornar o novo Bolívar da América do Sul, ele já tem em suas mãos a Bolívia, o Equador pela metade e já conseguiu neutralizar a Argentina que, de qualquer modo, transformado em um país caótico pelo casal Kirchner, deve continuar se decompondo até cair com os braços e mãos amarrados.

O Brasil é grande e distante demais para poder ser tragado, mas o astuto Lula, que tem seu próprio projeto - e está a anos luz de Chávez - nunca lhe fará sombra, nem o enfrentará, desde que possa tirar proveito dos petrodólares venezuelanos que Caracas esbanja à vontade. (Obs. do Blog: aqui, Lhosa foi bondoso com Lula)

O Chile já levantou voo, já não é mais um país do Terceiro Mundo, de modo que a única coisa que Chávez pode fazer é tentar desestabilizar esse país. Peru e Colômbia, por outro lado, são dois objetivos que ainda podem cair em suas redes.

FARC
Por isso, o caudilho venezuelano ajuda as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e os grupos ultrarrevolucionários - uma mistura de narcotraficantes e terroristas - que operam na região peruana de Apurímac e do Ene.

Chávez também patrocina generosamente as forças políticas de extrema esquerda que, nos dois países, procuram por todos os meios, legais e ilegais, obstruir o modelo - democracia política e economia de mercado - que nos últimos anos trouxe um progresso sem precedentes para a Colômbia e para o Peru. Esse é o contexto em que se deve situar os fatos que ocorreram recentemente na Amazônia peruana para compreendê-los inteiramente.

A enorme responsabilidade daqueles que, de modo tão insensato e demagógico, utilizaram as comunidades indígenas, mobilizando-as em uma guerra aberta contra medidas das quais elas seriam as primeiras beneficiadas, convencendo-as de mentiras estúpidas, como a de que os decretos faziam parte de um tratado de livre comércio entre Peru e EUA que privaria os nativos de suas terras.

Pelo menos ficou provado, mais uma vez, que não existe limite moral nem político para os inimigos da liberdade. E também que as reformas pretendidas pelo governo democrático, por mais benéficas que sejam, precisam ter o consenso popular antes de serem implementadas para que, como ocorreu neste caso, não acabem sendo contraproducentes, agravando os problemas que se pretendia resolver. O Estado de São Paulo

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Crise venezuelana se agrava

CHÁVEZ É UM FRACASSO RETUMBANTE

Hugo Chávez nunca disse que as consequências da crise global na Venezuela se limitariam a uma "marolinha" - nem mesmo ele poderia dizer algo do gênero, dada a absoluta dependência da economia nacional das cotações mundiais do petróleo, a única riqueza real do país. Mas, para tranquilizar a população, ele e seus ministros não se cansaram de repetir que a revolução bolivariana tinha blindado a economia venezuelana e garantia as condições de vida do povo. Se alguém tivesse de pagar a conta da recessão global seria a "oligarquia" - merecidamente, é claro. De fato, quando o governo ficou sem recursos para continuar tocando as obras de uma linha de metrô em Caracas, a solução anunciada foi eliminar do projeto duas estações em bairros de classe média, ou, no jargão chavista, redutos da oligarquia.


Mas não se pode tapar o sol com peneira o tempo todo perante todos. Embora a retórica de Chávez permaneça a mesma e as autoridades não hesitem em maquiar os indicadores econômicos mais significativos do ponto de vista social - as taxas de inflação, desemprego e desempenho da indústria da construção civil, por exemplo -, isso não abranda a sombria realidade venezuelana nem diminui as dificuldades no manejo das contas públicas, depois da embriaguez da gastança. Tanto assim que, à falta de alternativas, o governo anunciou na quarta-feira fortes aumentos nos preços dos produtos tabelados, vendidos na rede estatal de mercados subsidiados, as Bodegas Mercal. O leite subiu 33%; a sardinha - produto amplamente consumido no país -, 147%. O açúcar ficará 47% mais caro a partir de outubro. O único item a baixar de preço foi o óleo de cozinha (15%), mas por causa da safra.

As vendas já vinham caindo nos Mercais (pelo menos 11% até maio) por uma perversa combinação de retração da oferta - escassez e má distribuição de gêneros - e da demanda - perda de capacidade aquisitiva causada pela inflação e pelo desemprego. Segundo os números oficiais, o desemprego se mantém estável na casa de 7%. Não é de crer. Desde que a queda das cotações do petróleo pôs fim aos anos dourados na Venezuela - de 2003 ao primeiro semestre de 2008, o PIB aumentou em média mais de 10% ao ano -, 112 mil pessoas perderam o emprego, elevando o total a cerca de 1 milhão, e 226 mil trabalhadores migraram para o mercado informal. "A queda da renda do petróleo já começou a ter um impacto grande no dia a dia dos venezuelanos", constata o consultor Maxim Ross. "E, se antes disso a economia do país já estava complicada, agora temos o caos."

Não parece haver muitas dúvidas sobre os efeitos políticos desse quadro. No plano externo, será um tanto de distensão com os Estados Unidos, no contexto da nova diplomacia americana para a região. Em em breve, voltará a Caracas o embaixador Patrick Duddy, expulso em setembro do ano passado. Com isso, reassumirá o seu posto em Washington o diplomata venezuelano Bernardo Álvarez, expulso em represália. Para Chávez, não só ficou mais difícil hostilizar a Casa Branca sob o presidente Barack Obama - popular também na América Latina -, como seria um despropósito, em meio à crise, provocar o governo do principal parceiro econômico da Venezuela. Já no plano interno, a tendência é de mais endurecimento. É o recurso natural dos governantes autoritários quando a economia vai mal e o povo, pior.

Não podendo invocar o "inimigo externo" de praxe, Chávez terá de intensificar a repressão aos de casa. O que resta de imprensa independente no país continuará a ser o seu alvo prioritário. Mas, além de investir contra o setor que denuncia como a expressão por excelência da oligarquia, não se espera que atenue o aperto em curso também sobre o sindicalismo autônomo.

Ultimamente ele tem antagonizado o próprio Exército. No mês passado, mandou prender, sob acusações de corrupção, o general Raúl Baduel (a quem deve a volta ao poder, menos de 72 horas depois do malogrado golpe de abril de 2002). Cada vez mais Chávez conta com a lealdade da organização paramilitar recrutada entre os venezuelanos mais pobres, para os quais mesmo um magro soldo faz diferença. Com 400 mil membros e a previsão de chegar a 1 milhão, a milícia chavista já é maior que o Exército. O Estado de S. Paulo

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Presidente de Honduras é preso pelo Exército

EDITORIAL

O fato é que na sexta-feira (26), milhares de hondurenhos saíram às ruas para protestar contra o referendo, clamando para que não  permitisse que Chávez metesse suas patas sobre Honduras, a exemplo do que faz com outros países. Esse era o maior apelo da população. Enquanto que os partidários do presidente exibiam cartazes pedindo o fechamento do Congresso, a maioria da população segurava a Constituição nas mãos.

O Chávez já está firme bradando feito um cão raivoso, que o presidente de Honduras foi vítima dos gorilas do Exército, como se ele também, nunca tivesse dado um Golpe de Estado em seu país. Aliás, segundo a AOL Latina, o presidente hondurenho estaria agora na Venezuela. Outros afirmam que está na Costa Rica.

Como já conhecemos as artimanhas do bufão venezuelano, seria prudente considerar a possibilidade de que como “vítima de golpe”, isso pode servir para “catapultar” Manuel Zelaya, rumo ao fortalecimento de suas medidas.

Afinal, para quem não se lembra, Chávez se saiu muito bem daquele estranho golpe militar em 2002, que o manteve prisioneiro por 48 horas, e cujos poderes foram-lhe devolvidos neste breve período. Dizem que Havana se movimentou, na ocasião, para que o poder fosse devolvido ao seu amigo e benfeitor. Se tiver a ver tal história, saberemos logo, afinal, Cuba (como não poderia deixar de ser) tem demonstrado apoio incondicional ao presidente hondurenho e as suas medidas para perpetuação no Poder.

De qualquer forma, se o Exército agiu atendendo a pedidos da população, os nossos parabéns. E com direito a uma confissão: estamos mortos de inveja. Por Arthur/Gabriela



TROPAS DETÊM PRESIDENTE DE HONDURAS
Soldados de Honduras prenderam o presidente de esquerda Manuel Zelaya neste domingo em uma crise institucional desencadeada por sua tentativa de ser reeleito, afirmaram oficiais do governo.

As tropas levaram Zelaya, um aliado do presidente venezuelano Hugo Chavez, de sua residência para um local desconhecido, disse à Reuters Eduardo Reina, secretário privado do presidente. Ele disse que tiros foram disparados durante o incidente, mas esta informação não pôde ser confirmada de maneira independente.

"Nós recebemos informações de que ele foi levado a uma base aérea militar", afirmou Rafael Alegria, um oficial sênior do governo, à rede de televisão pro-Zelaya Channel 8.

O presidente demitiu o chefe das Forças Armadas semana passada após este se recusar a ajudá-lo a organizar um referendo não-oficial no domingo para permitir que os presidentes possam exercer mais do que um único mandato de quatro anos.

O empobrecido país da América Central havia se mantido politicamente estável desde o fim do governo militar no início da década de 80, mas a pressão de Zelaya para mudar a constituição e permitir que ele possa exercer outro mandato abalou as instituições do país.

A Suprema Corte saiu contra Zelaya na semana passada e ordenou que ele reintegrasse o chefe militar despedido Romeo Vasquez -um movimento que o presidente declarou ser um "golpe" contra ele. A crise econômica global desacelerou o crescimento de Honduras, país que depende das exportações de café e de tecidos e das remessas de dinheiro dos que vivem no exterior. Pesquisas de opinião recentes mostram que o apoio a Zelaya caiu a 30%.

Honduras, com 7 milhões de habitantes, é um importante ponto de trânsito para o tráfico de drogas.

(Reportagem de Mica Rosenberg e Gustavo Palencia) Reuters/Brasil Online – via
Globo Online

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O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria

BOLSA DITADURA JÁ CUSTA R$ 2,5 BILHÕES

O assalto à bolsa da Viúva conseguiu o que 21 anos de perseguições não conseguiram, avacalhou a velha esquerda Se alguém quisesse produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.


Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Por Elio Gasparini

Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo. O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes.

No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.

O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.

É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.

No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.

Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)

O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.

Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?" Folha de São Paulo

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O acordo secreto do Brasil com o Irã

Itamaraty ajuda Ahmadinejad a burlar as sanções impostas pelos Estados Unidos e pelo Conselho de Segurança da ONU - Por Claudio Dantas Sequeira


No dia 2 de abril, em Londres, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertava a mão de Barack Obama, prometia US$ 10 bilhões ao FMI e ouvia que ele "é o cara", sob os holofotes da mídia internacional, a diplomacia brasileira negociava em Brasília uma forma de ajudar o governo de Mahmoud Ahmadinejad a burlar as sanções americanas contra o regime iraniano. As linhas mestras de um acordo entre Brasil e Irã, que seria assinado durante a visita de Ahmadinejad em maio que acabou adiada, foram delineadas uma semana antes num encontro a portas fechadas no Itamaraty, no dia 25 de março. ISTOÉ obteve a ata da reunião em que o chanceler Celso Amorim e seu colega iraniano Manoucherch Mottaki, acompanhados de assessores, protagonizaram uma cena capaz de abalar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. À revelia das sanções dos EUA e das advertências do Conselho de Segurança da ONU, contrário às transações com instituições financeiras iranianas, Amorim e Mottaki firmaram os termos de uma ampla cooperação entre os sistemas bancários brasileiro e iraniano. O que deixou o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia de cabelos em pé: "Não se pode ignorar uma recomendação do Conselho de Segurança da ONU. Essa negociação com o Irã é como uma pescaria em águas turvas."

O Itamaraty, no entanto, não está nem aí. E em sua ênfase atual nas boas relações com o mundo árabe abriu negociações com o Export Development Bank of Iran (EDBI), que entrou para a "black list" (lista negra) do Departamento do Tesouro americano no final de 2008, ao lado de suas subsidiárias, a corretora EDBI Stock Brokerage Company, a empresa de câmbio EDBI Exchange Company, sediadas em Teerã, e o Banco Internacional de Desarollo, com sede em Caracas, na Venezuela. Além de congelar os ativos dessas empresas em território dos EUA, as sanções proíbem cidadãos americanos de negociar com elas. Não se aplicam, portanto, aos brasileiros. Mas, na opinião de diplomatas e especialistas ouvidos por ISTOÉ, ao furar a barreira o Brasil põe em xeque a política externa dos Estados Unidos.



PARCEIROS Ahmadinejad cancelou visita ao Brasil, mas Lula manteve a negociação

Amorim tem defendido abertamente a equidistância e o pragmatismo nas relações internacionais. Mas o fato de o Itamaraty ter mantido silêncio sobre as negociações com o Irã não corresponde ao histórico da diplomacia brasileira, que normalmente trombeteia qualquer acordo ou negócio com outros países.

"Esse gesto vai levantar agora muitas suspeitas. Por que o Brasil está fazendo isso?", questiona o analista iraniano Meir Javedanfar, autor de um livro sobre o governo Ahmadinejad e especialista no programa nuclear de seu país. Javedanfar prevê mais tensões na relação do governo Lula com Israel, que protestou contra a visita de Ahmadinejad, e também atritos com o Departamento de Estado americano. Para o exchanceler Lampreia, a diplomacia brasileira se arrisca desnecessariamente. "Agora, que se tornou público, o acordo certamente vai incomodar", diz ele. E vai mesmo, especialmente quando autoridades econômicas e diplomáticas americanas conhecerem o conteúdo das medidas negociadas entre o Itamaraty e o EBDI. O acordo prevê mecanismos financeiros para facilitar a exportação e a importação de bens e serviços, incluindo operações de reexportação para terceiros países (o que permite ao Irã escapar do embargo por uma triangulação comercial), a criação de joint ventures, a abertura de bancos iranianos no Brasil e a assinatura de um acordo entre os bancos centrais para troca de informações sobre o sistema financeiro.

No documento bilateral, as autoridades também falam da "necessidade de buscar meios para superar os prin cipais obstáculos" que impedem os negócios entre os dois países. Na prática, significa ajudar Teerã a obter crédito e garantias bancárias para investimento, que escassearam nos ban cos europeus e americanos com a imposição das sanções. Aos olhos dos serviços de inteligência, por exemplo, as iniciativas de cooperação não passam de artimanhas para ajudar o Irã a contornar as sanções e avançar no seu programa nuclear.

Se essa avaliação beira a paranoia, sendo sucessivamente refutada por Teerã, o fato é que negociar com um banco de desenvolvimento que está na "lista negra" americana não é a melhor forma de pavimentar o caminho para as especiarias do Oriente. "Trata-se de um gesto equivocado do presidente Lula. Há várias formas de se estabelecer parcerias que intensifiquem o comércio bilateral", diz Javedanfar. Um exemplo é o que tem feito a China, que vendeu ao Irã US$ 10 bilhões, entre 2007 e 2008. Foi seguida de perto pela Alemanha (US$ 7 bilhões) e os Emirados Árabes Unidos (US$ 6,6 bilhões). No mesmo período, o Brasil conseguiu US$ 2,2 bilhões. O volume de comércio desses países prova que há maneiras menos explosivas de se estimular as exportações.

"O problema não é econômico, mas político", alerta o brasileiro Salvador GhelfiRaza, professor do Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa, um braço acadêmico do Pentágono.

"Ter o direito de fazer um acordo não quer dizer que seja legítimo fazê-lo. Está claro que o governo Lula fez uma opção ideológica", afirma Raza. Ele ressalta que o Export Development Bank of Iran tem financiado diversos projetos em Cuba, El Salvador,

Equador, Bolívia e até montou uma sociedade com a Venezuela: o chamado Banco Internacional de Desarollo, com sede em Caracas. Recentemente, os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez anunciaram investimento de US$ 200 milhões para projetos econômicos, industriais e de extração mineral conjuntos. Mas a meta do capital conjunto é de US$ 1,2 bilhão.

"Negociar com Ahmadinejad é o mesmo que negociar com Adolf Hitler."


Ele prega o fim do Estado de Israel e o extermínio dos judeus", diz o analista israelense Raphael Israeli, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Para ele, a via de comércio aberta pelo governo Lula tem um custo alto, "o de vidas humanas". Israeli se refere às ações de repressão contra os manifestantes que foram às ruas de Teerã para questionar o resultado da eleição que reconduziu Ahmadinejad ao poder, e que terminaram na morte de duas dezenas de pessoas. Mais ponderado, Raza diz que o Brasil trai a sua história ao apoiar um regime opressor que é contra a democracia. "Não acho o Irã um bicho-papão, mas acho que a estrutura Ele prega o fim do Estado de Israel e o extermínio dos judeus", diz o analista israelense Raphael Israeli, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Para ele, a via de comércio aberta pelo governo Lula tem um custo alto, "o de vidas humanas". Israeli se refere às ações de repressão contra os manifestantes que foram às ruas de Teerã para questionar o resultado da eleição que reconduziu Ahmadinejad ao poder, e que terminaram na morte de duas dezenas de pessoas. Mais ponderado, Raza diz que o Brasil trai a sua história ao apoiar um regime opressor que é contra a democracia. "Não acho o Irã um bicho-papão, mas acho que a estrutura

O chefe da Divisão de Programas de Promoção à Exportação do Itamaraty, Rodrigo de Azevedo, que assinou o acordo com o EBDI, rebate as críticas e diz que o Brasil não vai abrir mão do direito soberano de negociar com quem quer que seja. O governo, segundo ele, não está preocupado se o acordo com o Irã vai afetar as relações com os Estados Unidos. "Nosso ponto de vista é comercial, não político. Além disso, há uma demanda dos empresários brasileiros para negociar com o Irã", garante Azevedo. A única concessão que o Brasil admite fazer, segundo ele, é manter-se afinado com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas em relação à energia nuclear. O resto é comércio.
Revista IstoÉ

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