Índices de produtividade, por Denis Lerrer Rosenfield

O governo engajou-se num projeto ousado, se não temerário, de mudar os índices de produtividade do campo brasileiro. E trata-se bem do campo, pois nenhuma atividade empresarial está submetida a tal exigência, como se os produtores rurais e o agronegócio devessem sofrer uma espécie de punição por investirem e produzirem. São pecadores desde sempre! Tal temeridade é ainda mais perigosa por criar um clima de instabilidade num ano que já se apresenta como pré-eleitoral. Literalmente, o governo está brincando com fogo.

Essa iniciativa depende apenas de uma portaria interministerial, a ser assinada pelos ministros da Agricultura e da Reforma Agrária.

O primeiro, numa situação de constrangimento, não teria estado presente à reunião em que foi decidido esse anúncio. Depois, procurou equilibrar-se. Contudo, se assinar essa portaria, perde condições de continuar no cargo, ficando completamente desprestigiado. Ressalte-se que o ex-ministro Roberto Rodrigues, quando titular da Pasta da Agricultura, recusou-se a assinar tal portaria, embora já estivesse pronta - atitude que teria sido a razão de sua renúncia ao cargo.

O MST obteve essa decisão presidencial ao cabo de várias manifestações, culminando com uma marcha em Brasília. Observe-se que o presidente já havia anunciado medida do mesmo tipo quando de sua eleição em 2006, como forma de retribuição pelo apoio recebido. O anúncio, no entanto, terminou não se concretizando numa portaria, provavelmente pelo risco de instabilidade institucional que a medida acarretaria. Se isso agora ocorrer, poderemos ter a certeza de que os próximos anos testemunharão uma recrudescência de invasões, com o MST aumentando a sua ingerência no campo brasileiro, com expansão possível de suas atividades às cidades.

Embora essa organização política tenha sido fortalecida financeiramente pelo atual governo, via concessão de recursos por intermédio de entidades de fachada, ela vinha perdendo fôlego perante a opinião pública. Financeiramente, nunca esse movimento gozou de tantos recursos, repassados por diferentes Ministérios, como os da Reforma Agrária, da Educação e do Desenvolvimento Social. Politicamente, porém, suas ações expuseram, cada vez mais, seu caráter arbitrário, com atos explícitos de violência em suas invasões e na ausência de objetivos concretos em suas demandas. Uma das razões disso consiste em que, sob os atuais índices de produtividade, não existem mais "latifúndios improdutivos" no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil senão marginalmente. Ora, são essas regiões o foco das ações do MST. No Norte a questão é de regularização fundiária e no Nordeste há ainda algumas regiões que se situam abaixo dos índices atuais de produtividade.

Trata-se, portanto, de uma criação artificial de latifúndios improdutivos. Segundo estimativas do ministro Guilherme Cassel, da Reforma Agrária, o governo teria a criação "artificial" de 33 milhões de hectares de propriedades "improdutivas". Para se ter uma ideia da enormidade anunciada, o Brasil já conta com 80,6 milhões de hectares de assentamentos, segundo dados de dezembro de 2008. Chegaríamos a algo em torno de 113,6 milhões de hectares de assentamentos. Ora, o conjunto de lavouras permanentes (55 milhões), temporárias (17 milhões) e de florestas plantadas (6,5 milhões) é de 78,5 milhões de hectares - dados de dezembro de 2008. Tem-se, assim, uma ideia mais precisa do dano que está para ser causado.

O que não se diz, também, é que nos "novos" desapropriados "latifúndios improdutivos" não teremos mais produção de nada, dada a falência do processo de reforma agrária no País. Ou seja, terras produtivas serão repassadas para quem não produz, com a queda do ritmo de expansão da agricultura, que, além de atender com alimentos baratos a todo o mercado interno, tornou-se um grande polo exportador, colocando o País dentre os primeiros do mundo. Poderíamos, então, colocar a seguinte questão: quais são os índices de produtividade dos assentamentos brasileiros? Por que não vêm eles a público? Uma medida prática, de enorme repercussão, consistiria em aplicar os atuais índices de produtividade aos assentamentos, de modo que se pudesse verificar a contribuição que dão ao País. Seria não apenas uma questão de equidade, mas de transparência necessária, pois o cidadão brasileiro tem o direito de saber para onde vão os recursos destinados à dita "reforma agrária".

Observe-se, ainda, que tal iniciativa governamental se inscreve num contexto de crise mundial, com alguns produtos agrícolas sendo vendidos abaixo de seu custo de produção. Ora, de acordo com uma economia de mercado, o que deveriam fazer tais produtores e empresas? Diminuir a sua área plantada, para reduzir, nessa situação, a sua produção e os seus prejuízos. O que está, no entanto, obrigado a fazer? A produzir mais, pois se não o fizer pode perder a sua terra! O produtor rural e o agronegócio ficam expostos à seguinte situação: de um lado, a crise mundial exigindo medidas específicas de controle da produção; de outro, o MST ameaçando invadir segundo novos índices de produtividade.

O empreendedor rural e o agronegócio são punidos pelo aumento de sua produtividade. Um banco, uma siderúrgica ou uma fábrica de eletrodomésticos ganham com seus investimentos, suas inovações e os riscos assumidos. O que acontece com um empreendedor e uma empresa rurais? Os seus ganhos não revertem para si, mas estão sob a ameaça de ser transferidos para o MST se não alcançarem um determinado patamar. A que visa, na verdade, uma revisão dos índices de produtividade? A uma transferência de bens, a uma transferência de propriedade. E para quem? Para uma organização política de cunho leninista que procura inviabilizar a economia de mercado, destruir o direito de propriedade e implantar um regime socialista autoritário/totalitário.
O Estado de São Paulo

IPEA no fundo do poço: novo 'Estudo' compromete ainda mais sua credibilidade

MAIS UM “ESTUDO” DO IPEA

Agindo acintosamente como integrante da campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) voltou a publicar um "Comunicado da Presidência" concebido para alimentar os discursos da candidata governista ao pleito de 2010. Com 8 páginas e preparado por uma equipe de 14 consultores subordinada ao economista Márcio Pochmann, o estudo pretende mostrar que, no governo Lula, a produtividade do setor público cresceu mais do que a do setor privado.

Há alguns meses, o Ipea já havia publicado dois "Comunicados" com igual propósito. O primeiro foi escrito para refutar as críticas de que o governo "inchou" o Estado, por ter aumentado em 98% os gastos com a folha de pagamento dos servidores civis, ao contratar 201 mil novos funcionários e elevar para 76 mil o número de cargos de confiança, entre 2003 e 2008, sem que isso tenha resultado na melhora da qualidade dos serviços prestados. O estudo sustentava que haveria "espaço" para a contratação de mais servidores. Editorial O Estado de S. Paulo

O segundo "Comunicado" foi preparado para criticar as privatizações de bancos públicos realizadas no governo Fernando Henrique, a elas atribuindo a concentração do mercado financeiro e a redução da oferta de serviços à população de baixa renda.

Preparado para justificar o crescimento das despesas de pessoal e sustentar as "virtudes" do setor público, o novo "Comunicado" tenta demonstrar que os governos estaduais que adotaram programas de "choque de eficiência", cortando gastos com pessoal, não aumentaram a produtividade. O estudo afirma que, nos últimos cinco anos, os setores da administração pública que contrataram mais servidores e "recuperaram o valor real das remunerações" obtiveram ganho médio de produtividade 35% superior à do setor privado.

"Após o processo de deterioração na administração pública, o Brasil renova o papel do Estado com ganhos de produtividade. As diferenças regionais e setoriais de produtividade na administração pública indicam o quanto o País como um todo ainda precisa prosseguir na escalada da modernização do Estado", conclui o "Comunicado", depois de enfatizar a importância das técnicas de planejamento e da expansão dos "conselhos de representação da sociedade", principalmente nas áreas de saúde, educação e assistência social, como atributos básicos para a "generalização de uma nova noção de ética" e "revalorização da função pública".

Retórica à parte, o novo "Comunicado" do Ipea peca pelo mesmo enviesamento ideológico e pela mesma falta de rigor metodológico dos anteriores. A maior falha está no critério de medição de produtividade adotado, que enfatiza a relação entre despesa orçamentária e o pessoal "ocupado". Os autores do estudo não levaram em conta que, no setor privado, a produtividade é medida com base no impacto do trabalho e da produção no aumento do faturamento das empresas. E, ao tratar do setor público, confundiram aumento de produtividade com aumento de gasto público, não levando em conta a qualidade dos serviços prestados.

Em outras palavras, como estavam mais preocupados em defender a expansão do Estado e criticar os defensores de "choques de gestão", os autores do estudo misturam alhos com bugalhos. O trabalho foi divulgado uma semana depois de Lula ter tratado do tema, ao sancionar a lei que criou mais varas federais. "Quando resolvemos tomar medidas para melhorar o funcionamento das instituições, há sempre duas críticas: a de que o Estado está inchando e de que é preciso um choque de gestão. As pessoas ainda não se deram conta de que, quanto melhor funcionar o Estado, melhor fica para todo mundo", disse ele na ocasião, justificando o aumento do gasto com funcionalismo.

Com o novo "Comunicado", o Ipea compromete ainda mais a sua credibilidade. Criado há quatro décadas para realizar pesquisas para subsidiar políticas públicas e programas econômicos do Executivo, o órgão, desde que passou a ser dirigido por Pochmann, já promoveu uma "caça às bruxas", realizou um concurso público para admissão de novos membros por critérios ideológicos e transformou suas pesquisas em panfletos para embasar as "teses" que Lula vem defendendo na campanha da ministra Dilma Rousseff.
O Estado de São Paulo

O dia que o Brasil acordou rico

SOEM AS CORNETAS, RUFEM OS TAMBORES!

Hoje, Lula anuncia que vai ‘enricar’ os brasileiros

Lula pretende usar a promessa de bilhões de barris de petróleo [supostamente] encobertos por espessas camadas de sal, para tentar encobrir a espessa camada de lama da CPI da Petrobras que, ao contrário das profundezas do pré-sal, teima em emergir no mar de denúncias de irregularidades que recaem sob a estatal.

O Dilmício de hoje tem dois objetivos: O primeiro é tentar jogar uma camada de cal sobre a CPI da Petrobras, em troca da promessa de um futuro promissor para os brasileiros, cujo enriquecimento está ameaçado pela oposição que insiste na “frescura” de extrair a camada de lama da Petrobras.

Segundo objetivo: tentar reabilitar a imagem da 'doutora' que ainda exibe vários “hematomas” depois da passagem do “Furação Lina”, que fez desabar as quatro paredes de seu Gabinete expondo as manobras da ministra para salvar Sarney. Editorial do Blog

Por esses nobres motivos, o Palácio - representado na figura do signatário - anunciou ao país que hoje é dia da “segunda independência do Brasil”. “O óleo a ser extraído das profundezas marítimas oferece a possibilidade de o Brasil, no século 21, se transformar numa nação muito rica [...]”.

O anúncio oficial será feito logo mais a tarde, para uma platéia de 3 mil acólitos, durante um “dilmício-antecipado” que, com sorriso no rosto, decretará o fim da pobreza no Brasil.

Melhor que isto, só mesmo o Ortega - presidente da Nicarágua - que dias atrás, anunciou o fim do analfabetismo no país. É o poder divino dos populistas benzido pelos decretos presidenciais.

Mas voltando ao pré-sal: pena que justo no dia da nossa “segunda independência”, o colunista Valdo Cruz [da Folha] tenha trazido a notícia de que o pré-sal está enfrentando problemas no bloco de Tupi.

A produção diária do bloco é a metade da esperada pela Petrobras, e pior: os testes foram suspensos por problema de “corrosão” nos equipamento no fundo do mar. Segundo o geólogo Wagner Freire, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo, esse problema não deveria ter ocorrido.

“Um projeto como esse requer um controle de qualidade muito apurado", disse.

"A produção de Tupi abaixo do esperado evidencia os riscos de explorar petróleo no pré-sal, que o governo considera baixo. É mais uma amostra de que o governo e a Petrobras têm muito pouco conhecimento do que é o pré-sal. A cada dia, a tese do risco zero vai mais para o buraco.", afirmou o geólogo.

Mais nada disto importa: se de fato existe petróleo enterrado? ou, quanto vamos ter de gastar para acabar com esta cisma? Ninguém tem o direito de impedir Lula de “enricar” os brasileiros, ainda que seja com um projeto recheado de meras conjecturas.

Portanto, abaixo os ignorantes que defendem a CPI da Petrobras. Hoje, pretende-se que ela seja enterrada, com banda de música, nas profundezas do pré-sal Por Arthur/Gabriela


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Pré-sal enfrenta problemas de produção no bloco de Tupi

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A capitalização da Petrobras, estudada pelo governo para levantar dinheiro para os investimentos no pré-sal, representa ameaça aos 55 mil cotistas do fundo FTGS-Petrobras. O processo deverá reduzir sua fatia na empresa e, de quebra, diminuirá seus dividendos.

Pré-sal: oportunidade ou custo brasil?

GASTANDO POR CONTA

Em 2 de setembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a um campo da Petrobrás no Estado do Espírito Santo para molhar as mãos no petróleo da primeira extração do pré-sal. A retirada era apenas experimental, mas serviu perfeitamente para mais um palanque. Ali, ao seu estilo, o presidente garantiu que em um ano a Petrobrás estaria explorando o óleo do pré-sal em larga escala.

Não está. Nem sequer está pronto o novo marco regulatório, prometido para um ano atrás.

Assim tem sido: muita disputa por uma riqueza ainda enterrada e pouca eficiência na construção dos modelos de exploração. Há quase dois anos, em novembro de 2007, o governo anunciou a primeira descoberta do pré-sal, o poço de Tupi. Seguiram-se outros anúncios - referentes aos poços Carioca, Iara e Júpiter -, enquanto a administração desenvolvia duas linhas de trabalho: na primeira, uma constante propaganda (ainda agora a Petrobrás está no ar com mais uma celebração); e pela segunda linha de trabalho, o governo federal trata de garantir para si a maior parte da riqueza a ser ali obtida. Por Carlos Alberto Sardenberg

O governo quer ter o controle e os frutos do pré-sal, razão pela qual pretende estabelecer um novo marco regulatório para o setor. Só que isso tudo exigirá mobilizar bilhões de dólares de capital, um arsenal de plataformas, sondas, navios, etc., e desenvolver tecnologia nova para, primeiro, confirmar que todo esse petróleo está lá mesmo e, segundo, retirá-lo de lá em quantidades industriais, e vendê-lo a preço bom.

O modelo de exploração deveria partir deste ponto: qual o melhor sistema para levantar capital, equipamentos, pessoal e tecnologia? Em vez disso, o governo se perguntou: Como faço para ficar com tudo? Não se trata apenas de estatizar, mas de estatizar com absoluto controle pelo governo federal.

Daí vêm os problemas com os Estados e as dúvidas das companhias privadas - nacionais e estrangeiras - que estarão envolvidas no esforço de exploração. Elas terão de colocar capital e serviços, mas em quais condições? O governo gostaria de concentrar tudo na Petrobrás, mas onde arranjar tanto dinheiro, numa administração que já gasta muito em todos os setores? Ou seja, a coisa vai atrasar mais ainda.

Oportunidade ou custo Brasil? - O presidente Lula também determinou ao seu pessoal que quer o desenvolvimento de uma completa indústria petrolífera no Brasil. Isso significa que companhias brasileiras deverão construir aqui a maior parte dos equipamentos necessários - de navios a sondas, de plataformas a oleodutos. Não se pode perder a oportunidade criada pela imensa demanda a ser gerada pelo pré-sal.

Certamente, há uma boa chance, mas antes disso está o custo Brasil.

Eis um bom exemplo: aquelas companhias precisarão de imensos contingentes de trabalhadores. Mas para contratar pessoas no Brasil, com carteira assinada, a empresa paga uma absurda quantidade de impostos. Veja o exemplo do gráfico abaixo: para cada R$ 100 de salário, a empresa paga nada menos que R$ 27,80 (considerando valores médios) em impostos diretos ao governo.

De seu lado, o trabalhador, antes de receber o salário, já deixa para o governo outros R$ 26.

Assim, para cada R$ 100 de salário formal, a empresa desembolsa R$ 127,80, o trabalhador leva para casa R$ 74 e o governo recolhe espantosos R$ 53,80 - ou um imposto direto sobre a folha de pagamento de 53,8%.

É uma das maiores cargas tributárias sobre o salário no mundo. Na Coreia do Sul, por exemplo, que é uma grande produtora de navios e equipamentos para exploração de petróleo, os impostos sobre o salário são inferiores a 10%. Idem para a China e para outros países asiáticos.

Acrescente aí que as empresas brasileiras ainda pagam muitos outros impostos - além de serem submetidas a um sistema tributário complicado, difícil e custoso -, e se verifica o tamanho da falta de competitividade.

Vai daí que é preciso reduzir a carga tributária, especialmente sobre os salários. Não faz sentido encarecer tanto a contratação num país que precisa gerar empregos.

Mas não dá para reduzir impostos sem reduzir o gasto público. Mas o governo aumenta gastos e conta com o aumento da arrecadação para pagá-los. Ainda agora, por exemplo, o governo acertou com as centrais sindicais um programa de benefícios previdenciários cujos custos avançam para os próximos 12 anos. E que dependem dos impostos sobre a folha de pagamento. O Estado de S. Paulo

Carlos Alberto Sardenberg é jornalista

O 'Supermacunaíma' caiu do cavalo

O FIASCO DO SUPERMACUNAÍMA NO BOTEQUIM EM BARILOCHE

Se estivesse em Bariloche, Barack Obama não teria reconhecido o cara. Chegou sorridente, mas atravessou a reunião emburrado, não contou piadas nem fez gracejos, irritou-se com companheiros, não sorriu sequer quando agarrou o microfone, seu brinquedo preferido. O que houve com o brasileiro que sempre foi o mais animado da turma? Transmissão ao vivo, soube-se no fim da reunião da Unasul. Nada a ver com virus e gripes. Transmissão ao vivo pela TV, esse foi o problema que acabou expondo aos olhos dos parceiros um Lula que desconheciam.

Em transmissões ao vivo, explicou ainda amuado, “as pessoas ficam mais preocupadas com seu público interno e não falam o que pensam e o que sentem”. O Exterminador de Plurais pronunciou com ênfase a consoante final de essas e pessoas para driblar o singular revelador: “essas pessoas” eram uma só. Lula falava de Lula. Ninguém mais ficou perturbado com câmeras e luzes vermelhas. Todos foram o que são. O encontro reproduziu, nitidamente, a cara feia e assimétrica da América do Sul. Por Augusto Nunes – continue lendo sobre a
política externa covarde, ambígua e malandra do Brasil Revista Veja

kerenskismo político e kerenskismo eclesiástico

América Central e o Caribe vivem uma das situações mais paradoxais de toda sua historia: enquanto o "kerenskismo político" trata por todos os meios de dobrar a Honduras anticomunista e empurrá-la para o abismo chavista, o "kerenskismo eclesiástico" estende suas mãos a Cuba comunista para perpetuá-la no lamaçal castrista.

Uma importante comissão de eclesiásticos americanos encabeçada pelo "moderado" cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, e integrada pelo monsenhor Thomas Wenski, bispo de Orlando, Florida, monsenhor Oscar Cantu, bispo de San Antonio, Texas, padre Andrew Small, encarregado do episcopado americano para as relações com a Igreja latinoamericana e caribenha, e o padre Jonathan Gaspar, acabaram de fazer uma prolongada visita à ilha-cárcere de Cuba, de 17 a 21 de agosto.

Desde sua chegada à ilha-cárcere, os altos prelados cobraram do presidente Obama a promessa que fizera de "um novo começo" nas relações dos Estados Unidos com Cuba comunista; cobraram que Obama está sendo "muito lento" em cumprir essa promessa de reconciliação com o regime e lhe recomendaram "que não desperdice a oportunidade" de levantar o chamado "embargo" econômico americano. Por Armando Valladares

Não em vão o Granma, órgão oficial do PCC cubano, apresentou essas notícias de uma maneira quase eufórica (cf. Granma, Cuba, Agosto 19, 2009). Ao mesmo tempo, a Rádio Vaticano, citando como fonte o secretário da Conferência dos Bispos de Cuba, monsenhor Juan de Dios Hernández, ressaltou o "clima de amizade e cordialidade" que imperou no encontro dos altos prelados com Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento comunista, insistindo na "grande cordialidade" e "diálogo fraterno" (cf. Radio Vaticana, Agosto 22, 2009, ed. em italiano, www.oecumene.radiovaticana.org) entre os Pastores e o representante dos Lobos.

O cardeal O’Malley, quem revelou que viaja a Cuba desde os 20 anos, faltou-lhe pouco para ver milagres nas relações entre a hierarquia da Igreja cubana e os ditadores cubanos, dizendo que existe uma "melhoria notável", mas fez silencio sobre a continuidade da perseguição psicológica, política e policialesca contra os fiéis católicos abandonados por seus Pastores, e contra a população em geral. (cf. Associated Press, Agosto 18, 2009).

Monsenhor Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, pediu explicitamente o levantamento do "embargo" externo americano, sem dizer uma palavra sobre a causa do problema cubano, que é o implacável "embargo" interno, que já passa de meio século, contra a população cubana (cf. Associated Press, idem, ibíd.). O alto prelado invocou também a "liberdade", não precisamente para os fiéis católicos e para o povo escravizado, e sim para o intercâmbio entre Cuba e Estados Unidos, um meio com o qual o regime conta para não sucumbir economicamente. Por fim, monsenhor Wenski desejou também que "ambas as partes", governo americano e regime comunista, cheguem a um entendimento e conciliação, e concluiu que para ele será preciso que "escutem aos seus melhores anjos" (cf. Granma, idem, ibíd.).

¿Quem poderá ser os “anjos” dos tiranos comunistas de Cuba, aos que ingenuamente monsenhor Wenski invocou como mediadores-iluminadores, se consideramos que o Papa Pio XI, em sua célebre Encíclica "Divini Redemptoris", qualificou o comunismo não somente como "intrinsecamente perverso", mas também como "satânico azote"?

De qualquer maneira, estamos na presença de um dos mais lamentáveis episódios de colaboração comuno-católica, com rosto eclesiokerenskiano, que, do lado americano, se remonta às viagens a Cuba dos "conservadores" cardeais Law, de Boston e O’Connor, de Nova York, com suas respectivas entrevistas com o ditador Castro e suas posteriores declarações elogiosas com relação a esse tirano. Tudo forma parte de uma sucessão de acontecimentos que foi narrada cronologicamente e devidamente documentada em um livro editado por exilados cubanos, e que agora alcança sua maior atualidade (cf., "Duas décadas de progressivo acercamento comuno-católico na ilha-presídio do Caribe", Cubanos Desterrados, Miami-Nova York, 1990).

O kerenskismo eclesiástico simula ignorar a causa do problema cubano, que é o implacável "embargo interno" do regime comunista contra toda a população cubana, e dessa maneira desvia a atenção e as críticas para os efeitos da instauração do regime comunista na ilha-cárcere, o chamado "embargo externo". É a triste cena de Pastores que fortalecem os lobos e deixam as ovelhas famintas e indefensas.

Assim também, o kerenskismo político finge ignorar a raiz do problema hondurenho, as reiteradas ações inconstitucionais do destituído presidente Zelaya para chavizar Honduras, com eleições populistas a margem da Constituição, das leis e do sistema eleitoral, que lhe permitiriam perpetuar-se no poder e impor o chamado "socialismo do século XXI", que não é senão um sucedâneo do moribundo regime castro-comunista.

O recente informe da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA sobre Honduras, que acaba de visitar esse país, é o mais recente exemplo de uma larga sucessão de parcialidades, marcadas por dois indignos pesos e medidas que fundem em um desprestigio moral maior ainda à OEA e aos governos dos países que se prestam a essas manobras. Se os membros da CIDH reconhecem o destituído presidente Zelaya como o legítimo presidente, essa é uma razão a mais para analisar com honestidade e imparcialidade não somente as alegadas violações de direitos do atual governo e, sobretudo, para sinalizar a causa do problema que radica nas atitudes inconstitucionais de Zelaya, o verdadeiro e grande responsável pela encruzilhada na qual se encontra Honduras, assim como de similar maneira os ditadores Castro são os maiores responsáveis pela tragédia de Cuba.

Escrevo este artigo em horas previas à chegada a Honduras de uma comissão de chanceleres e em momentos em que a Corte Suprema de Justiça de Honduras emitiu um importante pronunciamento, no qual se afirma, entre outros aspectos, que "a aplicação do plano San José só poderá ser feita com o apego à legislação nacional"; e adverte que os juízos principiados por delitos contra a forma de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de funções devem realizar-se, porque, em caso contrario, "seria um autêntico contra-senso que a busca e construção de acordos em um estado de direito se realizasse violentando ou deixando de lado a Constituição e as leis" (cf. El Heraldo, Tegucigalpa, Agosto 22, 2009).

O kerenskismo político e o kerenskismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, os dois dentes de uma mesma tenaz que se esgrime contra a causa da liberdade em Honduras e Cuba, mas também na Venezuela, Bolívia e Equador. Inclusive, o chamado "eixo do mal" só conseguiu avançar na América Latina pela complacência e o apoio às vezes implícito às vezes explícito do "eixo kerenskista" o "eixo da moderação" dos Obamas, Insulzas, Arias e Lulas.

Alexander Fyodorovich Kerensky (1881-1970), um socialista "moderado", ocupou o cargo de último Presidente da Rússia antes da revolução bolchevique em outubro 1917, tendo preparado a tomada de poder por parte do comunismo com sua política de concessões e, segundo alguns historiadores, até de traições.

O espectro de Alexander Fyodorovich Kerensky parece ter voltado a rondar nas Américas, por onde vaga periodicamente desde que se "encarnou" no presidente chileno Eduardo Frei Montalván, quem pavimentou o caminho ao comunismo allendista e passou para a História com a merecida marca de "o Kerensky chileno" estampada indelevelmente em sua frente. Tive ocasião de escrever um aspecto desse delicado problema no recente artigo "Kerenskismo obamista, Honduras e abismo chavista" (cf. Diário Las Américas, Miami, EUA, Julio 24, 2009; EL HERALDO de Tegucigalpa, Honduras, Julio 23, 2009; Destaque Internacional, Internet, Julio 21, 2009; o texto reproduzido e multiplicado na internet em vários idiomas, inclusive em lituano, com a ajuda de uma rede de voluntários, através de milhares de blogs, twitters, facebooks, orkuts e páginas web de más de 30 países, especialmente, do Brasil).

Mas o espectro de Kerensky rouba em outros importantes governos e chancelarias das Américas, o qual, dependendo das circunstancias, poderá ser motivo dos próximos artigos-denúncia, todos os que sejam necessários, doa a quem doer – se bem que invariavelmente escritos de maneira respeitosa e documentados.

Que a Providência ajude e fortaleça os defensores da liberdade em Honduras, em Cuba e no resto das Américas, mas, neste momento crucial, especialmente aos hondurenhos, dando-lhes o cêntuplo do espírito que deu a David em sua desigual luta contra Golias –
El Heraldo

Tradução de Arthur para o
MOVCC – Nós traduzimos o texto Kerenskismo obamista, citado pelo autor, em 25 de julho passado

Radares vão aumentar 600% nas estradas federais

POR QUE DEVO ME UFANAR DE MEU PAÍS?

Porque agora seremos também os primeiros do mundo em contratação recorde de radares. Provavelmente, somos os únicos que são punidos com altas multas para não ver um só centavo retornar em melhorias para a segurança no trânsito. Exatamente como foi com a famigerada CPMF, a propaganda enganosa do governo em nome da saúde, que não comprou uma aspirina sequer com os trilhões arrecadados. Por Arthur/Gabriela


Matéria da Folha: Governo abre licitação de R$ 1,4 bilhão para instalar 2.696 equipamentos de fiscalização. Estimativa é que em todo o país existam hoje cerca de 3.500 radares; motorista vai ter um aparelho a cada 23 km nas rodovias federais

O motorista que rodar pelas rodovias federais nos próximos meses terá seu comportamento tão controlado por radares que, mesmo em áreas rurais, poderá se sentir até mais vigiado do que no trânsito de grandes centros urbanos, como São Paulo. Por Alencar Izidoro

Lula lançou há dez dias uma licitação para instalar 2.696 radares nas estradas, numa contratação recorde do setor na história do país e, segundo a Abramcet (Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito), talvez no mundo. Em 2007, as rodovias tinham quase 400 equipamentos, que hoje estão desativados.

Os radares irão flagrar excesso de velocidade, avanço de semáforo vermelho e até parada sobre a faixa de pedestre.

Parte terá a atribuição de "dedo-duro" (lê as placas e aponta as irregularidades do veículo para a polícia parar o veículo) e capaz também de multar, nas pistas simples, quem estiver na contramão -por exemplo, em uma ultrapassagem.A estimativa é que os equipamentos deverão detectar 3,47 milhões de infrações por ano -uma a cada nove segundos.

A difusão dos radares é defendida pela maioria absoluta de especialistas devido à avaliação de que ajudam a reduzir as vítimas do trânsito - só nas rodovias federais há mais de 15 acidentes com mortes por dia. Mas há críticas tanto à destinação do dinheiro das multas como ao fato de os governos agilizarem a fiscalização eletrônica, que eleva a arrecadação, e deixarem de lado outras atribuições, como a de prover condições de segurança nas vias.

Com a nova contratação, as estradas federais vão ganhar, em média, um radar a cada 23 km de sua malha. Na capital paulista, a prefeitura mantém hoje um a cada 41 km.

O número de aparelhos será mais de 600% superior ao que era mantido pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) - e que foi desativado há dois anos, devido ao término do contrato.

A Abramcet estima que no país todo (tanto em áreas urbanas como em estradas) exista hoje 3.500 radares operando.

A fiscalização será instalada em todos os Estados. Mas não abrange a malha federal concedida a partir de 2007 à iniciativa privada e que teve a fiscalização fragilizada com aval do governo Lula.

Em São Paulo, Régis Bittencourt e Fernão Dias estarão fora, mas haverá radares no trecho federal da Rio-Santos, como em Ubatuba (litoral norte).

A nova licitação foi lançada após três anos de atraso -por disputa judicial sobre os critérios de seleção das empresas. Os interessados nos 12 lotes, que totalizam R$ 1,4 bilhão por cinco anos de fornecimento dos radares, vão entregar suas propostas no mês de outubro. O equipamento deve entrar em operação até fevereiro. Folha de São Paulo



DINHEIRO DE MULTA ACABA SENDO DESVIADO
Desde 1998, União deixou de investir R$ 1,6 bilhão em ações para o trânsito. Valor equivale a 69% da arrecadação destinada ao governo federal com multas de trânsito aplicadas no país e com o seguro obrigatório

Fiscalizar os motoristas infratores é importante para reduzir as mortes em acidentes viários, dizem especialistas. O poder público, porém, perde a credibilidade da população porque não cumpre uma obrigação prevista em lei -que é a de investir os recursos arrecadados com as multas para melhorar a segurança do trânsito.

Desde 1998, a União deixou de investir R$ 1,6 bilhão que deveria ser destinado a ações como prevenção de acidentes viários, policiamento de trânsito e campanhas educativas. O montante equivale a 69% da arrecadação destinada ao governo federal com multas de trânsito no país (Funset) e com seguro obrigatório (DPVAT).

É suficiente para bancar três Orçamentos anuais da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo.

Tanto na gestão tucana de FHC como na petista de Lula, essa verba foi constantemente congelada para cumprir metas de superavit fiscal (a receita das multas e do DPVAT é preservada como economia para demonstrar a capacidade de pagamento da dívida pública).

"O radar é coisa chata, mas que precisa ter. Negativo é transformar isso numa fonte de receita", diz Bernardo Alvim, consultor na área de trânsito. O presidente do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Alfredo Peres da Silva, admite que esse congelamento é prejudicial, mas afirma que neste ano há perspectiva de mudança.

Diz que a previsão de desembolsos do órgão quintuplicou em 2009 -da casa de R$ 100 milhões para mais de R$ 500 milhões. No primeiro semestre, porém, dos R$ 300 milhões do fundo de multas e do seguro obrigatório, só 18% foram gastos e 58% empenhados (quando a verba fica carimbada).

"Temos que cumprir, não podemos passar vergonha", afirma Alfredo Peres da Silva.

Os principais investimentos programados envolvem campanhas educativas e projetos de mobilidade urbana a serem tocados nos municípios -inclusive passarelas e sinalização.

Uso do dinheiro
Mas, afinal, os recursos arrecadados com multas de trânsito pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) após a instalação de 2.696 radares nas estradas serão usados para cumprir metas de superavit do governo?

"A gente espera que não, porque temos que subsidiar esse programa [R$ 1,4 bilhão em cinco anos]. E temos diversos programas de pesagem [dos caminhões], de educação dos motoristas", diz Luiz Cláudio Varejão, coordenador de operações rodoviárias do órgão.

Para Silvio Médici, da Abramcet (associação que reúne empresas de radar), mesmo com a nova fiscalização eletrônica, "muitos pontos ainda deixarão de ser atendidos".

O estudo do Dnit para a expansão dos radares apontou uma redução de 69% de acidentes em pontos onde foram instaladas lombadas eletrônicas nesta década. (ALENCAR IZIDORO)

Amanhã vai ter palanque para a "doutora"

DILMÍCIO

Amanhã teremos mais um ato de campanha antecipada (que não será reconhecida como tal, pelo órgão responsável por coibir esta ilegalidade) da candidata de Lula, durante o lançamento das regras de exploração do pré-sal - o grande trunfo da mãe do ex PAC. A Campanha foi inspirada num tom nacionalista?O petróleo é nosso?

A doutora será a estrela da festa. Ela já foi alertada pelos responsáveis por sua estratégia de comunicação de que deverá ser “simpática” e “traduzir” a “rebimboca da parafuseta” direitinho para a população.

Para explicar ao povo o que vem a ser pré-sal [cuja exploração comercial só começa em 2015, e se pararem de perfurar poços secos] o governo vai recorrer a expressões como "patrimônio do País", "futuro do Brasil" e "riqueza do povo".

O Planalto pretende repisar à exaustão na tecla de que o PSDB queria privatizar a estatal; um jeitão de distrair os bocós para tentar abafar a CPI da emporcalhada Petrobrás. Para ler clique em: Lançamento de regras de exploração do pré-sal vira palanque para Dilma


BRASIL POTÊNCIA
O Josias de Souza da Folha comentou que em contraposição ao que chama de “agenda mesquinha” dos rivais – de timbre monotematicamente ético—, Lula vai brandir o discurso do “Brasil potência”. Um país, segundo diz, fadado ao desenvolvimento. Graças, sobretudo, ao “êxito” de sua gestão.


DE FATO, SOMOS “CAVALARES”
A violência urbana no Brasil mata quase 50 mil/ano, mais que qualquer guerra no mundo. A gripe suína também está fazendo o maior sucesso por aqui. Somos o primeiro, em número de mortes no mundo. Seria desonesto de nossa parte não referenciar a gestão de Lula como a principal causa-mortis dos brasileiros.


UM GOVERNO PREOCUPADO COM OS POBRES ??

Só 3,7% das casas prometidas saem do papel
Cinco meses depois de lançar oficialmente o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, o governo Lula só conseguiu iniciar as obras de 36,6 mil casas - 3,7% do total de 1 milhão de imóveis prometidos pelo Lula. Folha de São Paulo

Programa inflaciona terreno e escasseia mão de obra
Preço de propriedades para empreendimentos de baixa renda até dobra de preço. O anúncio de que o governo irá construir 1 milhão de casas para famílias que ganham até R$ 4.650 aqueceu o mercado imobiliário e fez subir o preço de imóveis e de terrenos destinados a empreendimentos para baixa renda. Com isso, a especulação imobiliária está consumindo boa parte do subsídio que será dado pelo governo. Folha de SP

Projeto é pífio na região com maior carência
A região Norte, que concentra quatro dos cinco Estados com o maior deficit habitacional proporcional do Brasil, teve nestes cinco meses de existência do Minha Casa, Minha Vida apenas cinco empreendimentos contratados - 2,24% de tudo o que foi acertado no país. Folha de SP

Revisão de índices trará escalada de invasões, alertam produtores

Em 5 anos, 16 milhões de hectares foram declarados improdutivos, mas governo quer aumentar desapropriações

Nos últimos cinco anos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou 38,6 milhões de hectares de terras próprias para a agricultura em assentamentos para 502 mil famílias sem-terra. Dessa área, cerca de 16 milhões de hectares foram desapropriados após terem sido considerados improdutivos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A extensão das terras que os agricultores perderam por falta de produção é mais que o dobro de toda a área cultivada com cana-de-açúcar - 7,8 milhões de hectares. Por José Maria Tomazela

A desapropriação de propriedades improdutivas representa pelo menos 40% das terras arrecadadas para o programa de reforma agrária do governo, de acordo com o ministro Guilherme Cassel. O porcentual seria maior, segundo ele, se os índices, fixados com base na produção de 1975, não estivessem tão defasados.

No que depender do ministro, no próximo dia 3 de setembro o Diário Oficial da União publicará uma portaria elevando em até 100% a produtividade mínima exigida nas grandes propriedades rurais para que as terras não sejam desapropriadas. O titular de Desenvolvimento Agrário já mandou o documento assinado para o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

A medida causa apreensão nas principais regiões agrícolas. Produtores rurais temem uma escalada de invasões, pois as propriedades declaradas improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) são rapidamente invadidas pelos militantes de grupos capitaneados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).

BALANÇO
Nos últimos cinco anos, 1.933 propriedades sofreram invasões, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) pretende articular com outras entidades uma marcha a Brasília para pressionar o presidente Lula, a exemplo do que fez o MST.

O presidente mandou rever os índices durante uma jornada nacional do movimento, que incluiu um acampamento em Brasília e a invasão do Ministério da Fazenda, na segunda semana deste mês. "Se não organizarmos uma mobilização, os produtores vão sem nós", destacou a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Para fazer a nova tabela de produtividade no campo, foi pesquisada a produção em 554 microrregiões do País, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos municípios.

Entre os índices mais elevados, os produtores de soja de Sorriso (MT), por exemplo, terão de produzir pelo menos 2,4 toneladas por hectare, ao invés da 1,2 tonelada do índice atual. O aumento é de 100%. Já os rizicultores de Uruguaiana (RS) terão de colher 5,6 toneladas de arroz por hectare, ante as 3,4 toneladas atuais.

A senadora considera os novos índices "desonestos", pois levam em conta só o tamanho da terra e a quantidade da produção. "Outros fatores importantes, como o crédito, os juros, a mão de obra, o mercado e a renda não foram considerados."

Segundo Kátia Abreu, a livre iniciativa consagrada pelas leis brasileiras é regida pelo mercado. "Nenhuma atividade pode ficar impedida de recuar na produção, se as pessoas não tiverem necessidade daquilo que está sendo produzido", justifica.

CONFLITOS
A ruralista acha que a nova portaria vai "forjar" latifúndios improdutivos no Brasil e aumentar os conflitos. "A mudança ocorre num momento em que os produtores rurais estão sendo compelidos a transformar áreas de produção em reserva legal. É como tirar o tubo e deixar o produtor sem oxigênio."

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Rui Prado, considera o momento inoportuno para a revisão. "Diante de um cenário de estoques elevados e preços baixos, aumentar os níveis de produtividade das principais culturas é uma enorme contradição."

Para Prado, o governo Lula não pode ignorar fatores como as relações de mercado, o estoque, a demanda e a macroeconomia, exigindo que os produtores rurais trabalhem em níveis negativos para que não tenham suas propriedades expropriadas.

"Quando se tenta fazer prevalecer os interesses de algumas categorias a qualquer custo, alguém vai pagar a conta, e nesse caso, quem está pagando a conta é o produtor", critica o presidente da Famato.
O Estado de São Paulo

Reserva indígena (MS) virou entreposto de distribuição de maconha paraguaia

CRIME FAVORECIDO PELAS RESTRIÇÕES DE POLICIAMENTO IMPOSTAS PELA FUNAI

No Estadão de hoje: “Um grito de socorro dentro da Reserva Indígena de Dourados não significa nada depois das 22 horas. Pode ser uma vítima dos narcotraficantes e "quem vai ter coragem de socorrer o coitado", afirma o cacique da Aldeia Bororó, Luciano Areovalo, de 54 anos. "Nós implantamos o nosso toque de recolher, por causa dos conflitos entre grupos de traficantes que estão agindo dentro desta aldeia e de Jaguapirú. “Quem desobedecer pode morrer, no facão ou na foice”.”

Segundo a matéria, o setor de inteligência da PF está estudando denúncias de que “índios estariam trabalhando na colheita e processamento da maconha paraguaia em Capitán Bado, divisa com Coronel Sapucaia (MS), e recebendo como pagamento a própria droga.

O MAIS GRAVE E PERTURBADOR
Segundo o procurador da República em Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, “os criminosos conseguiram fazer do lugar (da reserva indígena) um dos mais protegidos entrepostos de distribuição da maconha paraguaia na região, devido às restrições impostas pela FUNAI sobre o policiamento.


"A falta de definição para a segurança nas aldeias também colabora com o aumento da violência", afirma o procurador da República. Material completo em:
“Vítimas do tráfico, índios adotam toque de recolher”.


NOSSAS FRONTEIRAS ESTÃO INVADIDAS PELO NARCOTRÁFICO
Segundo a ONG Contas Abertas, 70% da cocaína fabricada na Bolívia é introduzida por contrabando pelas fronteiras desse país com o Brasil.

A zona de fronteira no Brasil reúne 571 municípios, que possuem alguma parte do seu território na faixa de fronteira com países da AL, sendo 122 cidades localizadas diretamente no limite da fronteira com outros países. Essas fronteiras constituem vias para o tráfico de drogas, que está presente em 11 estados fronteiriços.

No tópico anterior publicamos reportagem sobre a nova conexão do narcotráfico - Bolívia-Goiás. Mas as notícias diárias são abundantes, e revelam que vários estados fronteiriços estão perdendo a guerra contra o tráfico. As forças policiais dos Estados enfrentam o problema em desvantagem, por falta de investimentos em Segurança Pública.

No jornal A Tribuna do Acre, deste domingo, a capa principal trás uma imensa tarja preta com os dizeres:
“Violência no Acre deixa população em desespero”.

“O guia contra a violência feito pela empresa de proteção ao crédito, Serasa, mostra que o crescimento do tráfico de drogas é o fator relevante no aumento de crimes. As taxas de homicídio, por exemplo, são elevadas pelos “acertos de conta”, chacinas e outras disputas entre traficantes rivais. A maioria dos assaltantes usuários de droga acaba roubando para manter o vício."

O Acre, só para situar, faz divisa com a região Pandina da Bolívia, onde Evo Morales pretende assentar os 4 mil cocaleiros na região. Dias atrás, a família da senadora Marina foi feita refém e agredida violentamente por assaltantes.

O Noblat, ontem a noite, se questionou se esta notícia não seria uma ação de guerrilha urbana? “Cerca de 100 homens fortemente armados tentaram invadir na madrugada deste sábado (29/8) o Morro do Juramento, no Rio de Janeiro, para tomar os locais de venda de drogas de traficantes rivais. Cinco policiais militares foram baleados.

CONCLUINDO
Fica claro, portanto, que o problema da violência dificilmente poderá ser enfrentando pelos municípios ou Estados brasileiros, como quer Lula, se o narcotráfico não for barrado nas fronteiras; uma responsabilidade intrasférivel e genuinamente federal. As policias dos Estados não estão preparadas para enfrentar essa guerra desproporcional com as quadrilhas internacionais, cada vez mais especializadas. Por Arthur/Gabriela


LEIA TAMBÉM
O triunfo das drogas – Por Humberto Vacaflor

Apenas um resumo: "A decisão da justiça argentina de legalizar a posse de maconha para uso pessoal, como se ela fosse erva-mate, é o último sinal de uma mudança no continente. Pouco a pouco os países estão dando uma carta de cidadania as drogas."

O jornalista comenta que o dinheiro gerado pelo narcotráfico sustenta as economias dos países latinos. “A Bolívia tem sua economia blindada por esse dinheiro do narcotráfico, do mesmo modo que ele serve para financiar um exército de mercenários na Colômbia e outro no Peru - bandas que desafiam o Exército no México e à Polícia no Brasil”

Ele comentou que no Brasil o problema é encarado com certa hipocrisia: “que Lula da Silva esteve de visita no Chapare, lugar onde nasceu este exercício de honestidade boliviano, de aceitar que sua economia dependa de atividades afins do narcotráfico. O presidente Lula ordenou a eliminação de plantações de cannabis que existiam na chamada “ilha da maconha”, localizada no rio São Francisco, estado de Pernambuco. Apesar disso, veio ao Chapare e fez homenagem às plantações ilegais de coca. Você lê a matéria completa, em espanhol, clicando no título. Tradução parcial de Arthur para o MOVCC

Tráfico de drogas: a nova Conexão Bolívia-Goiás

DIRETAMENTE DO CHAPARE: A NOVA ROTA DO TRÁFICO

A região é a maior produtora de drogas do país vizinho, segundo a PF. Lugar onde Lula esteve recentemente fazendo campanha para Evo Morales. Depois de colocar o colar de folha de coca, Lula anunciou um megainvestimento de R$ 230 milhões na rodovia transcocaleira da Bolívia. Eis o Plano Nacional de Segurança Pública do governo federal. Por Arthur/Gabriela


Matéria do Correio: A PF descobre que criminosos têm usado rotas alternativas para trazer cocaína ao país. Pó chega em aviões a fazendas goianas, próximas ao Entorno do Distrito Federal, que são usadas para armazenar o entorpecente.

A apreensão de quase meia tonelada de cocaína em uma fazenda do interior de Goiás confirmou uma investigação que a Polícia Federal vinha fazendo havia algum tempo: a migração da rota do tráfico. A PF descobriu que aviões partem das regiões produtoras da Bolívia direto para o estado e regiões próximas ao Entorno do Distrito Federal, onde arrendam propriedades para armazenar o pó. Pela qualidade da cocaína apreendida, policiais acreditam que ela está sendo enviada ao Brasil por grandes cartéis bolivianos e seria distribuída para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Nordeste. Por Edson Luiz

Com o aumento da produção de coca na Bolívia, a Polícia Federal começou a ter um controle mais rígido do espaço aéreo brasileiro, principalmente nos estados que fazem fronteira com o país vizinho. Em menos de dois meses, três aviões carregados de cocaína foram interceptados por caças Tucano da Força Aérea Brasileira (FAB), mas pousaram antes de serem abatidos. No caso de Caiapônia, a aeronave tinha matrícula boliviana e foi acompanhada desde sua saída do outro país até sua chegada ao sul de Goiás, onde descarregou a droga em uma fazenda de difícil acesso. Em seguida, o Cessna 210 decolou novamente para a Bolívia, mas foi interceptado em Rondonópolis (MT).

Propriedades suspeitas
Antes da descoberta da droga em Goiás, a PF vinha fazendo uma investigação em torno do aumento de aviões sobrevoando o estado. A partir daí, começou a fazer um levantamento das propriedades suspeitas, um trabalho que ainda não foi concluído. Porém, todas as informações sobre a apuração estão sendo mantidas em sigilo. Segundo o delegado Luiz Cravo Dórea, coordenador-geral de Repressão à Entorpecentes da Polícia Federal, a suspeita também recai sobre negócios feitos com propriedades no Entorno de Brasília. “Já foram levantados casos de aviões bolivianos voando também nessa região”, afirma Dórea.


A NOVA ROTA DO NARCOTRÁFICO
Segundo investigações da Polícia Federal, a cocaína tem saído pela Bolívia, transportada em pequenos aviões. As aeronaves são carregadas nas regiões produtoras do país, como Chapare. A droga chega em poucas horas aos principais centros consumidores brasileiros pelo seguinte trajeto:

Mato Grosso do Sul – Antes o estado era considerado o principal ponto de armazenamento da droga, que em seguida seria distribuída para outras regiões do país. Hoje, Mato Grosso do Sul serve, em alguns casos, como local de abastecimento dos aviões.

Goiás – O estado passou a ser um dos pontos de distribuição da droga para o restante do país. Os locais preferidos são fazendas do interior, onde a fiscalização é pequena.

Distribuição – De Goiás, a cocaína segue por meio de rodovias federais para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente. Há casos em que ela pode ser distribuída também para o Nordeste, por meio dos chamados traficantes formiguinhas, que transportam pequenas quantidades de entorpecente.

Números
O Centro-Oeste brasileiro só perde para o Sudeste entre as regiões em que a Polícia Federal mais apreendeu cocaína e pasta base do entorpecente este ano, segundo dados da corporação.

Região - Total apreendido (em quilos)
Centro-Oeste - 563,1- Sudeste - 631,1 - Norte - 178,5 - Nordeste - 38,7 - Sul – 17 - Fonte: Polícia Federal - Correio Braziliense


ESQUEMA SOFISTICADO
A empreitada ilegal que tem sido usada por traficantes para trazer cocaína ao Brasil começa no arrendamento de fazendas ou outras áreas rurais, normalmente de difícil acesso. Usando laranjas ou documentos falsos, os criminosos alugam as propriedades. O segundo passo é construir uma pista para os aviões pousarem ou jogarem a droga embalada em caixas.

“Normalmente, a pista tem em torno de 400 metros de comprimento, espaço suficiente para que uma pequena aeronave aterrisse com tranquilidade”, afirma o delegado de Repressão a Entorpecentes da Superintendência da Polícia Federal em Goiás, Deuselino Valadares dos Santos. Segundo ele, os aviões partem em voos diretos da Bolívia, sem escalas, em uma viagem que dura em torno de quatro horas. “Os traficantes fizeram adaptações nos tanques de combustível que possibilitam uma maior autonomia para voar.”

Os voos são feitos em baixa altitude para evitar justamente uma das mais poderosas armas da Polícia Federal: os radares da FAB. “Estamos tendo uma colaboração importante da Aeronáutica para interceptar os aviões que entram no país”, observa Dórea. Pequenos, os monomotores de asa alta voam baixo e muitas vezes entram no Brasil sem serem detectados. “As aeronaves têm uma capacidade para entrar com pelo menos 400 quilos de droga”, ressalta Deuselino. Nesse caso, os traficantes tiram as poltronas traseiras e viajam com apenas uma ou duas pessoas. Normalmente, piloto e co-piloto.

O que também impressiona as autoridades é a qualidade da cocaína apreendida. A quase meia tonelada retida em uma fazenda de Caiapônia é totalmente pura. Isso mostra que a droga que está sendo transportada para outras regiões do estado e Entorno do DF é para consumo no Sudeste do país. O Centro-Oeste, segundo os delegados, continua sendo abastecido pelos chamados traficantes formiguinhas, que trazem até 30 quilos do produto por estradas ou em voos comerciais. “Normalmente, é a pasta base de cocaína, que também dá origem ao crack e à merla”, explica Dórea. (EL) Correio Braziliense

UNASUL: gritos e sussurros

¡ALCAGUETES E CÚMPLICES!



Nem da OEA nem da UNASUR: nada podem esperar os democratas da região desta camada castrista. Chegou a hora do relevo. Deus queira apurá-la, para contar com autênticos estadistas, não com os Esperpentos (*) que jogaram uma vez mais para escamotear suas obrigações constitucionais.

Escutou-se quase que como um sussurro, dito pela voz protelada e tremente do presidente Álvaro Uribe. Uma acusação do tamanho de uma catedral, dita como um desalinho, que nenhum dos presentes deu por ouvida, a saber: que na Venezuela estão instalados Timochenko e Iván Márquez. Uma insignificância: são os líderes fundamentais das FARC.

Dito assim “an passan”, enquanto essa corte da mediocridade e farsante com escassas exceções - Alan García, do Peru, e em parte, muito em parte, Michelle Bachelet, do Chile e atrás dos dois, Lula, o presidente honorário do Foro de São Paulo – fingia traçar algo sensato, contribuía para escamotear o único tema que merecia fazer parte da agenda da UNASUL e que sombreou toda a jornada: o assalto a democracia, que todos eles em um rasgo de sinistra hipocrisia juram representar, e que é perpetrado no coração da Colômbia pelas Farc com a ajuda e a ingerência de Hugo Chávez e seus aliados da ALBA. Por
Antonio Sánchez-García

Como marionetes serviçais todos os presentes, com a dita exceção do Peru e em parte do Chile e a discreta cumplicidade de Lula da Silva, fincaram os dentes até o osso em Álvaro Uribe. Que por razões inexplicáveis deixou no tinteiro as razões de Estado de sua aliança estratégica com os EUA, todas elas reveladas até a saciedade nos documentos de Raúl Reyes. A razão dessa necessária aliança estava ali à vista de todos, incorporada em cada um dos presidentes presentes e, sobretudo, na amável anfitriã, em um papel muito próximo ao de uma administradora de bordel: porque salvo os Estados Unidos nenhuma das nações da região está disposta a contribuir na luta contra as narcoguerrilhas colombianas. Muitíssimo menos a frear a voracidade ditatorial de Hugo Chávez e seus lacaios da ALBA.

Tirada em um rincão, parenta pobre da elegante cumbre de Bariloche, lugar de recreio invernal da burguesia argentina: os povos da América e sua doente devedora, a democracia.

Todos os presentes, salvo Uribe e Alan García, escamotearam o autêntico tema do debate: não a presença militar de algumas centenas de soldados norteamericanos e sim as democracias ensangüentadas pela ingerência brutal do fascismo chavista, em cujo projeto estratégico se encontra o derrocamento de Álvaro Uribe e a entronização na Colômbia de um governo títere que sirva ao projeto imperial do castro-comunismo chavista. Em grande medida financiado pelo narcotráfico, ante a perdida de receita devido à queda dos preços do petróleo. ¿Por que tanta preocupação de Chávez, de Correa e de Evo Morales pela presença de aviões e radares norteamericanos operando sobre território colombiano? ¿Por que o horror de que suas conversas sejam interceptadas? ¿Quais são as razões de Estado que tornam imprescindível se impedir a espionagem eletrônica na região, justamente por parte dos que espionam até os suspiros de seus opositores? Por uma razão de vulto, disfarçada de soberania: porque tais radares contribuirão de maneira efetiva para por coto às Farc e demonstrarão os caminhos do narcotráfico desde suas fontes de produção, processamento e distribuição, dos quais a Bolívia e a Venezuela são bases territoriais. ¿Ou vamos nos esquecer do grêmio ao qual pertence Evo Morales? Os cocaleiros.

Enquanto na UNASUL os presidentes da região – com a exceção de Alan García os demais são crias de Castro chegadas ao Poder pelo azar do jogo geral -, insistiam no tema das bases militares com a presença norteamericana, o fantasma de todos os chovinismos esquerdistas da região, na Venezuela se enviava onze trabalhadores da perseguida Câmara Metropolitana a uma prisão de alta periculosidade e se postergava uma vez mais a abertura do processo contra o prefeito da mesma Câmara, Richard Blanco. Como no famoso poema do chileno Carlos Pezoa Véliz: em Bariloche “tras la paletada nadie dijo nada, nadie dijo nada…”

Enquanto todos os presentes armavam espavento pela necessidade de constituir uma comissão para visitar e verificar in situ o que Álvaro Uribe está trazendo entre as mãos com sua aliança estratégica com os Estados Unidos, ninguém sequer insinuou a possibilidade de se constituir uma comissão de visita para inspecionar in situ as reiteradas e sistemáticas violações aos direitos humanos que se cometem diariamente na Venezuela. Todos - desta vez sem nenhuma exceção – fizeram como quem olha a chuva cair. O mesmo que fazem os seus embaixadores na OEA, justificando a razão esgrimida por Insulza para não tocar no tema da ditadura chavista na Venezuela: Chávez não autorizaria. Santa palavra que todos os presidentes latinoamericanos obedecem como lei divina. Nem ao Brasil, nem ao Chile nem a Argentina - ¡inclusive nem a Colômbia e México, o que já é o cúmulo! – lhes interessa tratar na OEA o que os democratas venezuelanos reclamam aos gritos. Aos governos latinoamericanos hoje regentes a democracia, de verdade, verdade, lhes interessa um pepino.

¡Alcagüetes e cúmplices!

Nem da OEA nem da UNASUR: nada podem esperar os democratas da região desta camada castrista. Chegou a hora do relevo. Deus queira apurá-la, para contar com autênticos estadistas, não com os esperpentos que jogaram uma vez mais para escamotear suas obrigações constitucionais.
Noticiero Digital

(*)
"Esperpento" relativo a um feito grotesco ou desatinado; a deformação sistemática da realidade; a aparência de burla e caricatura da realidade

Tradução de Arthur para o
MOVCC

Fracassa ambição de Lula de reduzir tensões

A VERDADE É QUE LULA CAIU DO CAVALO

E sua “ambição” não era a de reduzir as tensões – Por Arthur/Gabriela

Primeiro, a matéria do Estado de São Paulo:
A ambição do Lula da Silva de atuar como um líder apaziguador de ânimos e como disseminador do bom senso durante o encontro da Unasul, ontem, foi arruinada por seu próprio comportamento. Em sua exposição, Lula não apresentou nenhuma contribuição efetiva para solucionar a polêmica causada pelo acordo militar entre os EUA e a Colômbia e terminou por bater boca com seu colega equatoriano, Rafael Correa, ao acusá-lo de conduzir mal os debates e de querer prolongar a reunião.

Em seu discurso, Lula retomou a necessidade de um encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, para tratar dos planos da Casa Branca para a América Latina - tema já abordado em abril, na Reunião de Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Insistiu ainda na convocação da reunião dos ministros do Conselho de Defesa e do Conselho de Combate ao Narcotráfico da Unasul, em setembro. Por Ariel Palácios e Denise Chrispim Marin

Apenas de leve, Lula citou a exigência de garantias jurídicas de que as ações das forças americanas se restringirão ao território colombiano. Acentuou um pouco mais apenas o temor de invasão da Amazônia. Nas últimas semanas, esses foram os pilares dos discursos do Palácio do Planalto e do Itamaraty em relação ao acordo EUA-Colômbia. "Cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém", arrematou.

Suas impressões sobre o "sagrado" conceito de soberania e a necessidade de fortalecimento da Unasul caíram em uma vala comum, diante dos confrontos verbais entre Uribe e os aliados de Hugo Chávez, da Venezuela. Nesta semana, Lula havia solicitado um café da manhã com Chávez antes da cúpula. Tratou-se de uma tentativa de Lula de conter os ímpetos mais agressivos de seu "companheiro" contra a Colômbia e de instigá-lo a adotar um tom mais construtivo para um consenso.

A tentativa de Lula durou cerca de três das sete horas do encontro. Sem um canal de confiança para igualmente convencer Uribe a se deter nos temas propostos para o debate, Lula observou a série de ataques entre o colombiano, de um lado, e Chávez e Correa, de outro. Lula deixou-os brigar, sem nenhuma intervenção.

Ao final do encontro, quando Correa propôs meia hora de descanso, para depois votar a declaração final, Lula reclamou. "Se todo mundo tivesse falado do que devia, não haveria necessidade de uma segunda parte. Poderíamos ter terminado", declarou, contrariado por ter ultrapassado o horário de partir para Brasília.

Lula continuou sua queixa, ao questionar a condução da reunião por Correa, que preside a Unasul e deixara seu discurso substancial para o final da primeira rodada. As posições defendidas do equatoriano levaram Uribe a reagir, com mais um discurso, e a ser sucedido por outros presidentes. "Seu discurso deveria ter sido o primeiro", afirmou Lula a Correa. O Estado de S. Paulo



E DESDE QUANDO QUE LULA PRESTA PARA MEDIAR ALGUMA COISA?
Lula só tem um lado, sempre teve, e todo mundo sabe qual é. Jamais que ele iria mediar ou buscar qualquer resultado que não fosse aquele que atende aos interesses do seu bando. Não faz parte do padrão de conduta de Lula considerar o lado de quem se opõe aos seus planos. Portanto, a idéia do “tribunal inquisitório”, em Bariloche, era atear fogo nos planos de Uribe.

Acontece que o inteligente presidente da Colômbia, que conhece bem a laia de vizinhos que tem, deu um nó de mestre na situação e obrigou os cínicos a recuarem.

Lula se embananou todo e não pode executar seu script. Sentiu-se completamente acossado diante da exigência de Uribe: que o debate fosse aberto para todo mundo, sem restrições, sob ameaça de colocar o encontro à pique, caso a reunião não fosse transmitida pela TV. Parabéns, presidente Uribe!

Segundo a
matéria do Estadão, Lula, Chávez e Correa rejeitaram categoricamente a abertura das discussões para a mídia, mas foram obrigados a ceder [bastante contrariados] diante do escândalo que surgiria - e do risco de Uribe abandonar a cúpula. Por Arthur/Gabriela


FARPAS DE LULA
"Não podemos discutir as questões de fundo porque (o encontro) está sendo transmitido. E não estamos falando muitas coisas entre nós. Não disse nada antes porque não queria aparecer como antidemocrático perante a imprensa. Não acredito em reuniões transmitidas pela TV. O que interessa ao público é o resultado final e não o que cada um está falando para justificar sua posição. Fico preocupado com o que vai a sair na imprensa sobre esta reunião da Unasul."


UMA VITÓRIA PARA URIBE, QUE NEUTRALIZOU SEUS ADVERSÁRIOSClarín da Argentina


URIBE AFIRMA QUE 2 CHEFES DAS FARC ESTÃO NA VENEZUELA
O presidente colombiano Alvaro Uribe afirmou hoje, durante a reunião extraordinária da Unasul, que dois chefes das Farc estão na Venezuela. Uribe afirmou que Luciano Marín Arango, cujo apelido é Iván Márquez, e Rodrigo Londoño, também conhecido como Timochenko ou Timoleón Jiménez, por quem os EUA oferecem uma recompensa de US$ 5 milhões, estão na Venezuela. A declaração de Uribe foi a primeira confirmação pública da suposta presença de membros das Farc na Venezuela, que sempre negou o fato.
Estadão


ALAN GARCIA FOI "CIRÚRGICO"
Depois que Chávez alertou para as supostas intenções dos EUA, que teriam como objetivo invadir países da região - mais especificamente, a Venezuela - para tomar posse das estratégicas reservas de petróleo, o peruano Alan Garcia disparou: "presidente Chávez, o senhor diz que os EUA irão atrás do petróleo? Para quê? Por que faltaria petróleo para os americanos se o senhor vende tudo para eles?" em referência aos 1,5 milhão de barris que a Venezuela exporta diariamente para os EUA.


MINHA ASTÚCIA
Hugo Chávez descobriu a fórmula da paz. Vai proibir a comercialização de games e brinquedos que estimulem a violência. Por Sonia Racy - O Estado de São Paulo

Diplomacia de luxo

Alheio à crise, o Itamaraty quer comprar imóvel de R$ 77 milhões para a embaixada de Londres

O momento é de austeridade e contenção de gastos públicos nos cinco continentes. Mas a regra não vale para o Itamaraty, que parece viver em outro mundo. Não bastasse a abertura de mais de 30 representações diplomáticas nos últimos anos, a diplomacia nacional concluiu que chegou a hora de investir em imóveis. Convencida de que crise é oportunidade, a embaixada do Brasil na Inglaterra está pedindo um crédito especial ao governo para comprar uma nova sede em Londres, na luxuosa região central de Mayfair.

Alheio às limitações do Orçamento federal, que sofreu corte de R$ 12 bilhões neste ano, o embaixador Carlos Augusto Santos-Neves quer investir R$ 77 milhões, cerca de 23 milhões de libras esterlinas, num prédio de 1,8 mil metros quadrados. Clique para aumentar

De férias no Brasil, Santos-Neves disse a amigos que o negócio era bom porque o Brasil iria economizar com o aluguel no longo prazo. Além disso, estaria aproveitando a baixa nos preços dos imóveis em Londres. "Podemos negociar mais", justificou. O negócio depende da aprovação no Congresso, mas não encontrou resistência entre os parlamentares governistas. Por Adriana Nicacio

Santos-Neves argumenta também que o negócio é necessário porque o proprietário do imóvel, o duque de Westminster, Gerald Cavendish Grosvenor, decidiu não renovar o contrato de aluguel de um dos dois prédios da embaixada. Como o contrato expira em 2011, os brasileiros ficariam desalojados em 2012. Para evitar o despejo, Santos-Neves contratou a consultoria Be&J para tentar negociar o aluguel ou procurar um novo endereço para os 13 diplomatas brasileiros que trabalham hoje no número 32 da Green Street. Não houve conversas com o duque, que não arreda o pé de retomar o imóvel. A Be&J, então, apresentou um leque de 16 edifícios que poderiam ser alugados por 100 anos - o que é bem comum em Londres - e dois no formato freehold, como os londrinos chamam a venda do imóvel, opção bem mais rara. O Itamaraty encheu os olhos para a oportunidade de comprar um edifício empresarial inteiro próximo da atual chancelaria, numa região de Londres ocupada por embaixadas e conhecida pelo perfil restrito e elitista.

O prédio, segundo o Itamaraty, possui instalações novas, ao contrário do que a embaixada ocupa atualmente. Além disso, o espaço seria otimizado. Na situação atual, os 1.250 metros quadrados são recortados por escadas em níveis diferentes, o que deixaria de ocorrer. Santos-Neves animou-se com a possibilidade e encomendou outro estudo. A ideia é devolver os dois prédios e receber pelo primeiro, cujo contrato só vence em 2046, luvas entre R$ 16,7 milhões e R$ 23,4 milhões pelo direito que o Brasil tem de usar o imóvel pelos próximos 37 anos. "Essa quantia voltará para o Tesouro", afirma uma fonte do Itamaraty. O duque de Westminster, porém, resiste. "O problema é que o duque tem uma goela de todo tamanho", critica o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, que serviu em Londres nos anos 1990. "Para o Brasil é muito importante ter uma sede suntuosa", defende a embaixatriz Lucia Flecha de Lima. "Se o duque não quer renovar o aluguel, o que fazer? O Brasil pode comprar outro prédio."

"Ainda que essa compra compense, não me parece oportuno" - Gil Castelo Branco, economista da ONG Contas Abertas

Em nota à ISTOÉ, a assessoria de imprensa do Itamaraty explica que a nova aquisição é necessária diante da "impossibilidade física de instalar a chancelaria apenas no imóvel restante". Alega também que o novo imóvel será avaliado "por três imobiliárias independentes, a fim de possibilitar a verificação do valor de mercado". Não está em discussão a lisura do negócio, mas sim a prioridade do gasto. "Ainda que um estudo mostre que a longínquo prazo essa compra compensa, não me parece oportuno", diz o economista Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas. "Qualquer cartilha de economista reza que agora é hora de investir no País, gerar emprego e movimentar a economia interna."

No Brasil real, a Secretaria de Educação de São Paulo gastou R$ 77 milhões para reformar 140 escolas estaduais. O mesmo valor que Santa Catarina recebeu para ações de vigilância sanitária depois das enchentes do ano passado. Representante do governo na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Maurício Rands (PT-PE) defende a nova sede. Ele diz que as relações bilaterais entre o Brasil e o Reino Unido ainda não estão suficientemente desenvolvidas. "Os R$ 77 milhões são migalhas diante do que está em jogo. O Brasil não é uma republiqueta. É um player." Se o Itamaraty está disposto a investir, melhor seria melhorar a qualidade dos serviços prestados aos brasileiros no Exterior. Ou, por exemplo, socorrer embaixadas em países com peso no comércio mundial, como a da China. Segundo queixas do embaixador em Pequim, Clodoaldo Hugueney, lá a representação vive à mingua.
Revista IstoÉ


RAÍZES
A CCJ da Câmara aprovou a doação de R$ 25 milhões à... Autoridade Nacional Palestina. Dinheiro antes destinado a obra no Itamaraty. O relator? Paulo Maluf. - Por Sonia Racy – O Estado de São Paulo

O sorriso do curinga

Livre de ação penal, Palocci se vê beneficiado pela pasteurização do debate público na sua tentativa de reemergir


Polícia e política, presunção de inocência e impunidade, escândalo e esquecimento, cumplicidade e companheirismo: tudo isso se mistura no Brasil de hoje. O caso do ex-ministro Antonio Palocci Filho representa à perfeição esse tipo de imbricamento.

Demitido do governo Lula em meio a um escândalo inequívoco, mesmo antes de a denúncia contra Palocci ser julgada no Supremo era intenso o movimento por sua absolvição política. O que significa, afinal, um episódio de violação de sigilo bancário, promovida em retaliação a um serviçal doméstico, diante do excelente trânsito de Palocci nos setores que contam para o governo, seus sustentáculos na área empresarial e financeira? Editorial da Folha de São Paulo

Palocci negou ter participado de reuniões na célebre mansão onde se reuniam seus colaboradores mais íntimos da "república de Ribeirão Preto", num entra-e-sai de malas pretas e visitantes mais e menos ilustres. Por Eduardo Scolese

O caseiro do lugar, Francenildo Costa, desmente o ministro. Dois dias depois, sobe às mais altas esferas da administração fazendária federal o extrato de sua conta bancária, registrando depósitos de R$ 25 mil. A notícia aparece na mídia. Estava feito o trabalho: o ministro era inocente, e o caseiro, como num romance policial sem imaginação, tornava-se suspeito -teria recebido gorjeta para prejudicar Palocci.

A versão oficial ruiu quando foi revelada a origem lícita dos depósitos e ficou clara a maquinação por trás da quebra do sigilo. Palocci perde o cargo, é indiciado, e o caso vai ao STF. Mas nem tudo está perdido -por mais óbvia a felonia, todo julgamento criminal segue uma lógica que não é a do julgamento ético, ou político.

Convencer os juízes de que houve indício seja de crime, seja da participação dos acusados na sua consecução, é necessário para instaurar a ação penal. Quatro ministros foram convencidos, mas cinco rejeitaram a ação contra Palocci e determinaram seu arquivamento -ainda que a única hipótese capaz de fazer sentido aponte para o cometimento de uma violência de Estado, típica de ditaduras, com o fim de constranger uma testemunha.

Até porque o placar foi o mais apertado -em nova demonstração do caráter subjetivo desses juízos-, mesmo a ausência de processo judicial poderia inviabilizar a credibilidade política daquele "inocente" tão suspeito. Intervém então a circunstância brasileira: a inocência formal se torna passaporte para qualquer candidato sair-se com seus chavões num debate com os adversários, onde todos podem acusar-se de corrupção e abusos vários sem grande afronta à verdade nem maior efeito prático.

A máquina faz o resto, com a arrogância habitual. Lula haverá de ungir o companheiro para o que melhor convier. Eis Palocci cogitado para governador, para ministro, para candidato alternativo à Presidência. Livre do obstáculo judicial, torna-se uma espécie de curinga nas principais articulações petistas. Editorial Folha de São Paulo - Charge da
Revista IstoÉ


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Produtores irão à Justiça contra novos índices de produtividade

Prevista para entrar em vigor em 10 dias, a modificação dos índices de produtividade de terra anunciada pelo governo federal deve acirrar o histórico impasse entre produtores rurais e movimentos sociais. Enquanto organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) comemoram a revisão dos números, reivindicada desde 2005, agricultores mostram-se dispostos a recorrer à Justiça para impedir a mudança nos campos brasileiros.

Pelos novos índices definidos por um grupo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, para comprovar a produtividade da propriedade, os produtores deverão produzir em média 50% acima do que prevê a atual portaria do governo federal por hectare. A última atualização dos números havia sido realizada no início da década de 80, com base no censo agropecuário de 1975. Por Guilherme Mergen

Apesar de o Ministério do Desenvolvimento Agrário garantir que os índices propostos são inferiores à produção agrícola alcançada no Brasil nos últimos anos, o anúncio da modificação revolta os produtores rurais. A Confederação Nacional dos Agricultores (CNA) estima que a mudança cause impacto em 508 mil propriedades.

Para o assessor técnico da CNA, Anaximandro Almeida, o parâmetro adotado pelo governo para classificar se uma propriedade cumpre sua função social, baseado somente na produtividade, é inadequado. "É preciso levar em consideração fatores como custo de produção, preço de mercado e fatores climáticos. Em um período de crise, por exemplo, por que não podemos plantar menos para evitar prejuízos? Somos obrigados a produzir mesmo sabendo que teremos perdas", afirma.

Presidente da Federação dos Agricultores do Mato Grosso (Farmato), Estado líder na produção de grãos no Brasil, o produtor Rui Prado defende a destinação de propriedades da União para a reforma agrária, sem a necessidade de desapropriação de áreas. "O governo tem 140 milhões de hectares de terra. Por que não as destina à reforma? Mas não, quer fixar índices, sem entender que, muitas vezes, uma produtividade pode ser altíssima, mas não em rentabilidade", diz.

No Rio Grande do Sul, Estado marcado por conflitos no campo - na última sexta-feira, um sem-terra morreu durante uma operação de reintegração de posse da fazenda Southal, em São Gabriel -, os agricultores começaram a se mobilizar ainda na semana passada. Apesar de pressionar os ministros em Brasília para tentar impedir os novos índices, a Confederação Gaúcha dos Agricultores (Farsul) diz manter poucas esperanças sobre um recuo do governo.

"Não vamos aceitar esses índices. Por que somos a única atividade econômica que precisa cumprir índices de produtividade? Isso não existe em lugar nenhum no mundo", afirma o presidente Carlos Sperotto. Segundo ele, com o preço abaixo do esperado na última safra, muitos produtores gaúchos ainda estão com produtos estocados. "Se não melhorar o preço, eles (agricultores) vão produzir o máximo possível para ter prejuízo? Isso não existe", completa.


CNA diz ter argumentos técnicos e jurídicos
Na tentativa de revogar a portaria do governo federal, a CNA recorrerá à Justiça embasada em argumentos técnicos e jurídicos. Conforme o assessor da confederação, a mesma lei que determina o cumprimento da função social da terra abre brecha para a interpretação de que a produtividade deve ser explorada economicamente e de forma racional. "Isto é, de forma econômica e racional, eu não preciso produzir prejuízo", afirma.

A confederação também questiona o estudo adotado pelo governo como base para a atualização dos índices, a Produção Agrícola Municipal (PAM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os anos de 1996 e 2007. "Essa pesquisa é apenas uma amostragem, feita por entrevista, sem medições. Esses números precisariam ser obtidos por meio de censos agropecuários", diz. – Reportagem completa
aqui - Redação Terra

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Governo quer fim de licitação para sem-terra

Projeto propõe chamada pública para contratação de empresas e ONGs que prestarem serviços de assistência a assentados. Nesta modalidade, vence o concorrente que mais se aproximar dos requisitos exigidos pelo governo; TCU afirma que o ideal é licitação

Sem alarde, o governo federal enviou em regime de urgência ao Congresso um projeto de lei que dispensa de licitação a contratação de empresas públicas e privadas, ONGs e entidades ligadas a sindicatos e movimentos sociais para serviços de assistência técnica a assentados e agricultores familiares.

Segundo o texto, todas as contratações serão por meio do instrumento da chamada pública, e não mais por convênios e licitações, como ocorre hoje no Incra e no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Juntos, eles têm R$ 530 milhões disponíveis neste ano para esse serviço -quando um técnico visita o lavrador e indica as melhores formas de plantio, de adubagem e de cultura a ser explorada, por exemplo.

Ao contrário da licitação, o vencedor não será definido pelo preço mínimo. O valor do contrato será fixo e de conhecimento de todos os participantes. Vence o que mais se aproximar dos requisitos exigidos pelo governo, como a inscrição no conselho estadual de desenvolvimento rural sustentável.

Contratos e convênios ainda em uso têm sido alvo de recentes auditorias do TCU (Tribunal de Contas da União) e de CPIs no Congresso por conta de irregularidades na execução dos serviços e na prestação de contas. Algumas entidades foram condenadas a devolver recursos aos cofres públicos. Diante disso, esse projeto de lei foi o meio-termo encontrado pelo governo entre o que cobra o TCU (licitação para todos os contratos) e ao que estavam acostumados os movimentos e sindicatos do campo (convênios direcionados a eles).

Com a adoção da chamada pública, porém, ainda assim haverá brecha para que essas ONGs e entidades continuem sendo beneficiadas: basta que as exigências finais para a contratação sejam dirigidas a elas (experiência em determinado município ou assentamento, por exemplo).

Esse será o foco de pressão do MST na tramitação do projeto no Congresso e, depois, na sanção presidencial. "A participação da organização dos trabalhadores na escolha da prestadora ainda não está resguardada", disse Nívia Regina, do setor de produção do movimento.

A dispensa de licitação foi, na prática, mais um agrado do governo aos sem-terra. Na semana passada, por exemplo, o Planalto prometeu ao MST a atualização dos índices de produtividade da reforma agrária.

Essa nova iniciativa do governo para agradar o movimento aparece no projeto de lei de criação do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária, que começará a ser discutido na semana que vem na Câmara.

O texto aponta uma mudança na Lei de Licitações, de 1993: um novo parágrafo inclui a contratação de serviços de assistência técnica rural como "dispensável a licitação".

Experiências recentes no Incra mostram que a licitação clássica, caso fosse universalizada, como sugere o TCU, excluiria do processo entidades ligadas aos sem-terra, "que estariam impossibilitadas de participar em razão de sua natureza jurídica", como afirmam, na justificativa enviada ao presidente Lula, os ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Paulo Bernardo (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda).Folha de São Paulo