Congressista dos EUA viaja para Honduras

A congressista que acusou Zelaya de violar a Constituição e o compara com Hugo Chávez, pretende assegurar "que o governo democrático e constitucional (de Honduras) tenha a oportunidade de contar seu lado da história".

A parlamentar Ileana Ros-Lehtinen, republicana da Flórida, anunciou esta quarta-feira que viajará na próxima semana a Honduras para se reunir com funcionários do governo interino, do qual é uma forte defensora.

"Viajo a Honduras para fazer minha própria avaliação sobre a situação do terreno e dos interesses dos EUA, à luz da visão equivocada" de Washington, que tem se centrado no ex-presidente Manuel Zelaya, disse Ros-Lehtinen em um comunicado.

Ros-Lehtinen não concorda que o ocorrido em 28 de junho, quando Zelaya foi deposto e exilado do país, tenha sido um golpe de Estado, e qualifica como provocação o fato do presidente ter voltado a Honduras, há uma semana, onde se mantém refugiado na embaixada brasileira.

A legisladora cubano-americana se reunirá com o presidente do governo interino, Roberto Micheletti, seu ministro das Relações Exteriores, representantes da Igreja e da sociedade civil e com empresários americanos.

A visita de Ros-Lehtinen poderá coincidir com a dos chanceleres da Organização dos Estados Americanos, que pretendem resolver a crise política em Honduras.


Em Julho, um grupo de congressistas republicanos viajou a Honduras para expressar apoio ao governo de Honduras.
El Heraldo

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Congresso cria CPI para investigar repasses de verba ao MST

REQUERIMENTO FOI LIDO DURANTE SESSÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Durante a sessão do Congresso Nacional realizada nesta quarta-feira (30), deputados e senadores fizeram a leitura do requerimento que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o repasse de recursos públicos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com a leitura da proposta, caberá aos líderes partidários a indicação dos parlamentares que irão compor a comissão.

Durante a sessão, o líder DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), fez uma análise do papel da nova comissão. “Queremos que seja investigada a maneira como está sendo gasto o dinheiro público. Ninguém se coloca contra uma reforma agrária que leve emprego, oportunidade e renda ao homem do campo. Mas não é possível compactuar com uma reforma que é um braço avançado de um processo político partidário”, criticou Caiado.

Protocolada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO) no dia 16 de setembro, a medida recebeu 192 assinaturas na Câmara e 34 no Senado - para criar a CPI mista são necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

comissão mista será composta por 18 deputados e 18 senadores titulares e o mesmo número de suplentes. Não há data para que os líderes partidários apresentem os nomes dos integrantes que deverão atuar na CPI. Em caso de demora, caberá ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que também preside o Congresso, indicar os nomes.

Depois da escolha dos integrantes, a CPI realizará na primeira sessão a eleição do presidente e do vice-presidente da comissão. Caberá ao presidente da CPI indicar o relator, que deverá apresentar um plano de trabalho - uma espécie de roteiro das investigações.
Portal G1

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Farc aumentam suas atividades na Bolívia durante gestão de Evo Morales

O grupo terrorista treina estudantes e cidadãos bolivianos membros de organizações irregulares, terroristas e sindicais com ligações com o narcotráfico.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), designadas como um grupo terrorista e traficante de drogas, tanto nos Estados Unidos como pela União Européia, expandiu suas atividades na Bolívia ao fazer parte do eixo Venezuela-Irã que também está envolvido nos trabalhos de financiamento, inteligência e doutrinação no regime do presidente e candidato presidencial, Evo Morales Ayma. A presença das Farc na Bolívia "aumentou significativamente seus laços desde que o MAS tomou o poder na Bolívia.

Isto, logicamente, dado ao apoio significativo que Chávez tem mantido com o grupo há anos, segundo Douglas Farah, do Centro Internacional de Avaliação e Estratégia, que fez a análise conjuntural da situação política interna nacional, e destaca a crescente subjugação de Morales Ayma às ordens de Chávez e do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Ele diz que "as Farc trabalham na Bolívia" e argumenta que depois de Nubia Calderón Trujillo, um alto membro da Comissão Internacional desse grupo armado ilegal que usava o pseudônimo "Esperanza" e "Ana Maria", o novo “coordenador” chamado "Tino" deu "um forte impulso" às atividades do grupo terrorista na Bolívia com a iniciativa, sobretudo, de Alvaro Garcia Linera, vice-presidente da Bolívia. "Tino" foi identificado por uma das autoridades colombianas como Amilcar Figueroa Salazar, um membro do Congresso venezuelano do partido de Hugo Chávez e alto dirigente da chamada Coordenadora Continental Bolivariana (CCB).

Intervenção estrangeira
De acordo com dados coletados e analisados por Farah, a intervenção estrangeira na Bolívia aumentou "significativamente" nos últimos anos e não só de grupos irregulares ligados ao terrorismo e ao tráfico de drogas como as FARC da Colômbia e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) do Peru, mas também de "funcionários venezuelanos" que "violaram" o Padrão Eleitoral boliviano, e de cubanos contratados por Morales Ayma para “desenhar e imprimir passaportes bolivianos” para ter acesso a todos os arquivos de identificação e registro civil.

Algo semelhante ocorre com a participação de membros do governo de Ahmadinejad, que não só superou os “laços institucionais normais" de ambos os Estados e “a capacidade de supervisão do Congresso (boliviano)”, mas os iranianos também instalaram escritórios diplomáticos no país, que são usados para atividades da "Força Quds" - o braço da Guarda Revolucionária para Forças Especiais que se forma como principal grupo de segurança do Irã desde a revolução de 1979 e das operações do Hezbollah (o Partido de Deus).

Mahmoud Ahmadinejad, por iniciativa e mediação de Chávez, assumiu o poder na Bolívia por meio da promessa de apoio financeiro para a indústria da produção, capital de investimento e de "bolsas" para estudantes bolivianos no Irã, como fazem Cuba e Venezuela com o objetivo, também, de doutrinar jovens que recebem formação acadêmica em troca de servirem como "monitores" da "Revolução Bolivariana" e da “revolução teocrática islâmica xiita”

TREINAMENTO DE BOLIVIANOS
A informação do Centro de Avaliação e Estratégia Internacional é de que as Farc treinam os estudantes e cidadãos bolivianos membros de organizações ilegais, terroristas e sindicais com vínculos com o narcotráfico de drogas, há vários anos, no entanto, esta prática tem aumentado consideravelmente no governo de Morales e Garcia.

"Os documentos encontrados no computador de Raul Reyes, comandante das Farc que morreu em 1 de Março de 2008, em uma incursão do exército colombiano, mostra essas relações, incluindo a formação de estudantes em acampamentos das Farc, e as tentativas de formarem grupos de frente como parte do chamado grupos de solidariedade, por todo o continente e sob o controle da cúpula das Farc - a Coordenadora Continental Bolivariana CCB ", afirma o documento divulgado pelo Centro. Afirma que, no mínimo, 57 e-mails foram encontrados nos computadores de Reyes, relacionados "diretamente com a Bolívia", desde o final de 2001 até sua morte em 2008.

Farah insiste que "as Farc trabalham na Bolívia", tal como mencionado nos e-mails do chefe das Farc, envolvendo o senador do Movimento ao Socialismo (MAS), Antonio Peredo, o chefe daquele que foi o Estado do Povo (EMP ), Hugo Moldiz, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) como financiadora das operações de "inteligência" e, entre outros, Evo Morales e Felipe Quispe, líder do exército guerrilheiro Tupac Katari (EGTK). Este último denunciou publicamente o vice presidente Alvaro García Linera como "traidor e falso revolucionário” e Morales como "instrumento da oligarquia". Fonte:
HOYBOLÍVIA

Tradução de Arthur para o MOVCC

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Diplomacia e respeito

"Nenhum país pode tolerar que uma embaixada estrangeira seja utilizada como base de comando para gerar violência e quebrar a paz, como o senhor Zelaya vem fazendo em nosso país desde que ingressou em território nacional”.

Em uma declaração, o chanceler da República se dirigiu ao governo do Brasil, cujo presidente pertence ao grupo dos próximos de Chávez, para que ele cumpra as regras de costumes das relações diplomáticas entre os países, para que tome as medidas a fim de assegurar que a proteção fornecida não seja utilizada para instigar ainda mais a violência e a desordem. Editorial do LaPrensa

O pedido oficial de Honduras, na mais estrita observância à convivência pacífica entre as nações, tem um pequeno grande inconveniente. O Brasil, potência continental, hoje mimada por Washington para conter o solavanco do socialismo do século XXI, de grande que é responde de forma pequena: com uma piscadela acompanhada de um "não façam muito barulho", respaldando uma situação que não só alijou o que tinha sido alcançado com a mediação internacional, mas que instou no centro de Tegucigalpa a fonte da violência e confrontação.

As negociações na semana passada abriram um pequeno espaço para a esperança. Com elas, pelo menos por algumas horas, a tensão cedeu e pareceu que as palavras iriam manter seu significado e não seriam instrumento de política e de ambições de poder.

Mas foi só os candidatos presidenciáveis deixarem a sede da embaixada brasileira e o presidente deposto retomou seu discurso de confronto chamando a violência, com intenções inocultáveis: dificultar o diálogo interno e ameaçar o processo eleitoral. O processo de solução da crise política, a ingerência externa direta e a implicação solapada incorporaram um ingrediente, um novo cenário que a OEA quer utilizar. O retorno dos embaixadores a Honduras marcaria a existência de um governo paralelo no nosso país.

Esta descoberta, que não é especulativa, refletiu-se na segunda-feira durante a reunião de emergência do Conselho Permanente da OEA, onde se abriu um espaço para começar a desvendar o dogmatismo com que alguns países estão se manifestando e arrastando a outros que pareciam inamovíveis.

Os redutos estão cedendo e tanto na ONU como no organismo regional mais vozes estão sendo ouvidas, e mais altas, rejeitando a violência e chamando ao diálogo para utilizar a porta que para a maioria dos países são as próximas eleições de Novembro.

O Brasil precisa corrigir e retomar o caminho da convivência entre os países, da autodeterminação dos povos e do respeito pelos assuntos internos dos demais. Conceder asilo político, proporcionar refúgio ou convidar são normas internacionais que se respeita, mas entregar as instalações como tribuna política para chamar a violência é uma questão que vai contra os princípios mais elementares do direito internacional.
Laprensa

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Procurador vai ao Supremo contra PEC dos Vereadores

A pressão contra a posse de mais de 7 mil vereadores suplentes aumentou ontem em Brasília. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucional a emenda que serve de base para a posse desses vereadores.

Gurgel quer que o STF conceda liminar para suspender a norma e impedir a posse de suplentes que em 2008 concorreram a cadeiras nas Câmaras Municipais. Na ação direta de inconstitucionalidade, o procurador afirma que o tribunal já decidiu que o número de vereadores deve ser proporcional à população dos municípios.

"Sem qualquer justificativa, a alteração constitucional promove imensa interferência em eleições já encerradas, pondo todos os municípios do País a refazer os cálculos dos quocientes eleitoral e partidário, com nova distribuição de cadeiras, a depender dos números obtidos, que podem, inclusive, trazer à concorrência partidos que não obtiveram lugares anteriormente", afirma o procurador. Por Mariângela Gallucci

A Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que amanhã também vai ao STF contra a mudança. "O que essa emenda está tentando é mudar a regra do jogo dois anos depois que ele foi jogado", afirmou o presidente da OAB, Cezar Britto.

Na segunda-feira, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, enviou ofícios aos TREs, informando que propostas como a PEC dos Vereadores não retroagem. Ou seja, só podem vigorar para a eleição de 2012. O Estado de S. Paulo


TCU PARA OBRAS DO PAC
TCU pede a paralisação de 41 obras, inclusive do PAC, por causa de irregularidades

Por unanimidade, os ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovaram ontem um relatório que recomenda a paralisação de 41 obras do Governo Federal que apresentaram irregularidades graves durante a fiscalização realizada pelo órgão em 2009. Deste total, 13 empreendimentos fazem parte do PAC.

O relatório segue para análise do Congresso Nacional, que terá que decidir se haverá o bloqueio de recursos para essas obras na elaboração do Orçamento de 2010. As maiores irregularidades identificadas foram sobrepreço, superfaturamento, licitação irregular, falta de projeto executivo e problemas ambientais.

O parecer elaborado pelo ministro Aroldo Cedraz aponta que 219 obras, que totalizam R$ 35,4 bilhões, foram fiscalizadas no local de execução – sendo que 99 eram do PAC e somam R$ 25 bilhões. As irregularidades foram encontradas em 41 obras, sendo que 13 são do PAC e representam 0,5% do total de 2,446 mil empreendimentos do programa.

Problemas graves
Em 2008, 153 obras foram analisadas pelo TCU e 48 foram incluídas no rol de obras com problemas graves e tiveram a paralisação recomendada. Segundo o parecer, a fiscalização do tribunal gerou uma economia de R$ 1,134 bilhão aos cofres públicos com a adoção, por parte do governo, de recomendações feitas para os custos dos empreendimentos. Só na construção do Rodoanel em São Paulo, trecho Sul, houve uma redução nos gastos de R$ 311 milhões.

Durante a sessão, os ministros reclamaram das críticas que recebem de integrantes do governo por recomendar a interrupção dos empreendimentos. O relator saiu em defesa do trabalho do tribunal e afirmou que a fiscalização é isenta, sem influência política.

"Identificamos irregularidades em 0,5% das obras do PAC. Esse dado é importante para afastar a presunção constante nas críticas que indevidamente esse tribunal recebe", afirmou o relator. Jornal de Brasília

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Michel Temer já quer aliviar barreira a ficha-suja

TEMER JÁ QUER ALIVIAR BARREIRA A FICHA-SUJA

O projeto de iniciativa popular para impedir a candidatura de políticos com ficha suja mal chegou à Câmara e já enfrenta resistência de deputados. O próprio presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), defendeu mudanças para abrandar os critérios do projeto assinado por mais de 1,3 milhão de eleitores de todos os Estados e do Distrito Federal. O tema foi evitado pelos parlamentares, sem inclusão de qualquer tipo de cláusula nesse sentido, na votação recente da minirreforma eleitoral. Por Denise Madueño

A proposta entregue pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que reúne 43 entidades civis, proíbe que concorram às eleições pessoas condenadas em primeira instância, ou com denúncia recebida por um tribunal, por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas, além das já condenadas por compra de votos ou uso da máquina pública. As ações precisam ser movidas pelo Ministério Público, para evitar que sejam apenas de uso político do adversário.

"Deixar na mão de um único juiz é problemático", afirmou Temer. "A tendência será levar a decisão a um órgão colegiado."

Caso o projeto seja aprovado como está, estariam proibidos de se candidatar, por exemplo, os réus no caso do mensalão do PT, porque a denúncia do Ministério Público foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal. Todos os políticos com ação desses crimes em tramitação no Supremo também ficariam impedidos de se candidatar para qualquer cargo eletivo: vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e presidente.

O deputado José Genoino (PT-SP), um dos réus do mensalão, foi à tribuna criticar o projeto. "Essa iniciativa é reacionária, conservadora e filosoficamente violenta", discursou. "Os direitos políticos e civis são invioláveis até que a conclusão da sentença." Para o petista, é "pré-julgamento". "Fui denunciado injustamente como ficha-suja. Vou combater essa proposta independentemente de ter denúncia contra mim no Supremo."

O presidente da Associação dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais, Marlon Reis, uma das entidades integrantes do MCCE, afirmou que o movimento não tem pretensão de impor um projeto. Ele ressaltou, porém, que, se houver mudanças na instância de condenação, deverá ser garantida a transparência da "folha corrida" dos candidatos para que o eleitor tenha a informação sobre em quem vai votar.

O projeto seguirá para análise das comissões na Câmara, que considera impraticável conferir as assinaturas e o número do título dos 1,3 milhão de eleitores que assinaram o projeto. O Estado de S. Paulo

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Afastado por corrupção diz que recebeu ajuda de Toffoli

Em grampo, ex-ministro Silas Rondeau conta que defensor foi indicado por advogado-geral . Segundo relato gravado pela PF, Toffoli ajudou a escolher possível adversário da AGU nos tribunais; ele diz não se lembrar de ter dado sugestão

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, ignorou o princípio de uma lei federal e ajudou na defesa de um ex-ministro afastado do cargo e denunciado à Justiça por corrupção e formação de quadrilha. Quem afirma isso é o próprio ex-servidor, Silas Rondeau (Minas e Energia), em conversa gravada pela Polícia Federal. Na foto: Silas Rondeau, em cerimônia no Paraguai, em 2007 - Por Andréa Michael

"Quem me deu o nome [do advogado] foi o Toffoli e foi aprovado pela Erenice [Guerra, secretária-executiva da Casa Civil] e pela própria [ministra] Dilma [Rousseff]", afirma Rondeau em 14 de maio de 2008, um ano depois de ele ter sido exonerado do cargo e dois dias após ter sido formalizada a denúncia contra ele no Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com a lei 9.028/ 1995, a AGU só pode participar da defesa de autoridades "quando vítimas de crime quanto a atos praticados no exercício de suas atribuições" -por exemplo, um funcionário público que foi alvo de assédio moral por parte de um superior ou que, diante de uma tentativa de suborno, recusou a oferta e resolveu levar o caso à Justiça.

Ao contrário, por lei, em casos como o de Rondeau, a AGU é encarregada de processar o agente público para reaver o dinheiro desviado do erário. O órgão, aliás, já está analisando mais de 200 volumes de processos enviados pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-Geral da União para pedir ressarcimento por supostos prejuízos aos cofres públicos no caso que envolve o ex-ministro - a PF acusa Rondeau de receber propina de R$ 100 mil em troca de favorecimento em obras federais.

Ou seja, se Silas falou a verdade nos diálogos interceptados pela polícia, Toffoli ajudou um ex-servidor a escolher o advogado que a AGU possivelmente irá enfrentar na Justiça.

Procurado pela Folha, Toffoli, que será sabatinado hoje pelo Senado sobre a ida ao STF, declarou não se lembrar de ter conversado com o ex-ministro. Ao ser confrontado com o conteúdo da escuta obtida pela PF com autorização da Justiça no âmbito das investigações da Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), o ex-ministro afirmou "que jamais procuraria o advogado da União para resolver uma questão pessoal".

No diálogo, porém, ele diz a um advogado que atende diretores da estatal Eletrobrás que "a decisão foi tomada no gabinete do quarto andar [do Palácio do Planalto]" e que o defensor indicado por Toffoli e chancelado pela Casa Civil era "pessoa da confiança do governo".

O ex-ministro prossegue e dá o nome de quem teria sido indicado por Toffoli: José Gerardo Grossi. Em 2006, Grossi tinha sido nomeado por Lula ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral. Naquele ano, Lula disputou a reeleição.

"Nem sabia quem era [Grossi]. Se era novo, se era velho e tudo mais. Fui lá, gostei", diz Rondeau, na escuta. O ex-ministro levou adiante o conselho dos ex-colegas de primeiro escalão e assinou contrato com Grossi em 5 de junho de 2007.

A história do grampo
As primeiras acusações contra Rondeau foram resultado da Operação Navalha, que, em 17 de maio de 2007, prendeu 46 pessoas acusadas de desviar recursos públicos em projetos de eletrificação rural, saneamento e manutenção de ferrovias. Uma semana após a operação, o ministro foi "exonerado a pedido" pelo presidente Lula.

Quando foi denunciado na Navalha, em maio de 2008, Rondeau já era alvo de outro inquérito da PF - desta vez, destinado a apurar tráfico de influência em órgãos públicos e outros ilícitos, também com o envolvimento do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de quem Rondeau é amigo e aliado político.

Nessa investigação, chamada inicialmente de Boi Barrica, a PF grampeou os telefones do ex-ministro. Entre as conversas interceptadas está a que Rondeau fala sobre Toffoli. Há também um diálogo com Erenice sobre a permanência de Grossi como defensor do ex-ministro. Os diálogos mostram que o governo continuou dando suporte a Rondeau mesmo um ano depois de ele ter sido afastado do ministério.

Em e-mail enviado ontem à Folha, a assessoria de imprensa da Casa Civil negou ter feito qualquer tipo de sugestão ao ex-ministro. No grampo de 14 de maio de 2008, porém, Erenice é explícita ao tratar da defesa do ex-colega. "Acho que você fica com o Grossi." Rondeau estava apreensivo, pois havia sido denunciado dias antes, mas foi consolado por ela: "Querido, eu não [me] esqueci de você". Foto de Tuca Vieira - Folha Imagem - Folha de S. Paulo


Leia também
TEMPOS BANAIS – Por Gaudêncio Torquato
A indicação de José Antônio Toffoli, advogado-geral da União, para substituir o falecido ministro Carlos Alberto Direito Menezes na mais alta Corte do País não denota apenas a índole voluntarista do presidente Luiz Inácio. Sinaliza tempos banais, o ciclo da crise de identidade das instituições democráticas. Material do Roraima Hoje

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Alerta: Os jihadistas estão crescendo rapidamente no interior da América

NÃO TEM PRECEDENTES NOS ANAIS DA AMÉRICA CONTRA O TERRORISMO


Em um só dia a nação lidou com três diferentes células jihadista que tentaram explodir alvos civis e outros dentro da Pátria, embora os casos tenham sido tratados em diferentes períodos de tempo pelo FBI e outras agências.

Esta semana, as autoridades revelaram três conspirações jihadistas na América: Michael C. Finton, de 29 anos, que desejava seguir os passos do John Walker Lindh, o talibã nascido nos EUA; Finton foi preso depois de tentar detonar o que ele pensava ser uma bomba dentro de uma caminhonete na frente de um tribunal federal em Springfield, Illinois

Hosam Maher Husein Smadi, de 19 anos, cidadão jordaniano foi preso depois de colocar o que ele acreditava ser uma bomba em um prédio no centro de Dallas. Por Dr Walid Phares

Mas talvez o caso mais preocupante seja o do Afegão, Nacido Najibullah Zazi, que se estabeleceu nos subúrbios de Denver, explorando a Web e visitando lojas de beleza em busca de produtos químicos necessários para construir bombas da Al Qaeda.

Fontes afirmaram que essa suposta trama de ameaças terroristas foi a mais importante dos EUA desde 9-11. Vamos adicionar a essa lista a célula da Jihad em Carolina do Norte, liderada por Saifullah Boyd, que estava planejando atacar alvos civis e militares em todo o país.

A pergunta imediata suscitada por um público cada vez mais preocupado é sobre a conexão entre todos estes casos, o terror: estão todos interligados?

Enquanto as autoridades policiais e judiciais trabalham buscando um fundo de raciocínio, tentando construir uma conexão entre os acontecimentos com ajuda de elementos jurídicos, analistas no âmbito da luta contra o terrorismo já perceberam os efeitos do que está acontecendo dentro dos Estados Unidos.

Em meu livro Future Jihad: Estratégias terroristas contra os EUA (2005-2006) eu deduzi claramente que os jihadistas, os indivíduos e as células estavam se multiplicando e se expandindo dentro dos Estados Unidos e que, em poucos anos, eles fariam exatamente o que estão tentando fazer agora.

Também projetei o quão grande eles se tornarão, com o tempo. Foi uma dedução simples: se o Governo não luta contra este crescimento ideológico, os jihadistas continuarão vindo. E, na verdade, eles seguirão chegando, se espalhando, cruzando as barreiras das etnias, raças, nacionalidades e fronteiras geográficas. Os jihadistas comprometidos em destruir os EUA, e com bases no interior das nossas fronteiras, são às centenas. Quando sugeri esse fato na CNN em 2006, reiterei sobre este perigo no programa de Oprah para que o público percebesse o que estava para vir. Agora, estamos lidando com as células do jihadismo em nossas cidades e povoados pequenos, e, infelizmente, a expectativa é que veremos mais, e não seremos capazes, por desgraça, de detê-las, todas, de alcançarem seus objetivos.

A célula da Carolina do Norte, a do metrô de Nova York, a tentativa em Dallas, o caso de Illinois, somados aos casos anteriores dos disparos de um soldado em Arkansas, do precedente de Nova York, dos jovens jihadistas da Geórgia, da volta à infame rede do paintball na Virgínia, todos esses casos nos dão o genoma do que está se transformando o interior do país - um vasto conjunto de células dispersas, com pelo menos uma força obrigatória - a ideologia da jihad. A questão, portanto, é descobrir quem está propagando a doutrina do jihadismo ¿ quem é o financiador, quem está protegendo a operação de doutrinação que leva ao surgimento natural de nativos ou de estrangeiros vinculados, lobos solitários ou em embalagens jihadistas? Essa é a verdadeira questão: onde está a fábrica?

O que deve fazer o Governo dos EUA? Bom, deve antes de tudo chegar à frente dessa ameaça e conduzir a nação contra ela. Esta não é uma questão apenas de polícia local ou de esforços na aplicação da lei. O presidente Obama e demais líderes congressistas dos dois partidos devem dar prioridade à difusão dessa peste que está se espalhando, porque se um desses grupos tiver êxito a economia nacional vai desmoronar novamente, ou, ao menos, vai produzir tragédias graves. As pessoas precisam ser conscientizadas dos perigos, é preciso falar sobre o terrorismo e suas consequências.

Os americanos estão observando com grande preocupação a manifestação dessas células terroristas que estão se revelando pelo país. E eles esperam que seus funcionários eleitos resolvam seus temores antes que o pior aconteça.

Dr Walid Phares é autor do livro “A confrontação: Ganhar a guerra contra a Jihad do futuro”, e Diretor do Projeto ‘o terrorismo no futuro’, na Fundação para a Defesa das Democracias. Dr Phares é assessor da Caucus na Câmara dos EUA contra o terrorismo. International Analyst Network

Na CTV do Canadá:
Professor Walid Phares na CTV do Canadá: "jihadistas americanos e canadenses são conectados através da ideologia e mais" [
Visit Website] <- Assista aqui Tradução de Arthur para o MOVCC

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Mais de 50 estudantes em greve de fome contra Chávez

Um líder estudantil perseguido por participar de uma marcha da oposição foi liberado na segunda-feira de uma prisão de alta segurança, unindo-se imediatamente ao protesto de estudantes que exigiam sua liberdade e que se opõem ao presidente Hugo Chávez. Se o vídeo não abrir, clique aqui




A liberação de Julio Rivas aconteceu quando um grupo de estudantes iniciou uma greve de fome diante da sede da Organização dos Estados Americanos, em Caracas, para exigir a presença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para que verifique a situação de dezenas de presos políticos. Até o fim de semana mais de 50 estudantes tinham se juntado à greve de fome, segundo os organizadores do protesto.

Depois de sair da prisão o jovem estudante foi para Caracas e logo depois também se juntou à greve de fome.

Falando sobre as condições de sua libertação, Rivas disse que está proíbido de participar dos protestos de rua. Ele disse que vai aderir à greve de fome para que a OEA "apareça na Venezuela".

Rivas, 22 anos, foi preso no início de setembro após sua participação em uma marcha realizada em 22 de agosto, na capital, que terminou em confrontos entre a polícia e manifestantes.

A promotoria o acusou de crimes de "excitação à guerra civil", "incitamento à desobediência da lei", "conspiração", "resistência à autoridade", "perturbação da ordem pública" e "uso de arma genérica”.

O jovem foi transferido em 14 de setembro para a prisão de Yare, nos arredores da capital, onde estão os detidos acusados de crimes comuns.

O advogado Alfredo Romero confirmou ontem à tarde que o tribunal 37 de controle "deixou Julio Rivas em liberdade, atendendo ao benefício de liberdade condicional.

Miguel Pizarro, um dos estudantes concentrados na porta da sede da OEA, em Caracas, disse aos jornalistas que a libertação de Rivas "é um primeiro passo, uma pequena vitória, infelizmente a greve continua porque há muitos venezuelanos que são perseguidos e presos, por pensarem diferente, e que o governo continua proibindo a entrada no país dos representantes da CIDH.

Pelo menos trinta estudantes se juntaram no fim de semana ao jejum de protesto, disse o estudante e ativista José Luis Febres.

As primeiras duas dezenas de estudantes começaram a greve de fome na semana passada para exortar a CIDH a investigar os alegados abusos das garantias individuais por parte do governo de Chávez.

Os manifestantes alegam que dezenas de opositores estão na mira de Chávez, provavelmente serão acusados e presos e, posteriormente, sofrerão processos por falsas razões políticas.

"Não estamos pedindo o impossível", disse Febres à Union Radio. Ele chamou a CIDH para "analisar e ver a realidade dos casos de 'violações às garantias', atribuídos ao governo de Chávez.

Dezenas de opositores de Chávez permanecem na prisão e a maioria aguarda julgamento por acusações relacionadas aos protestos, segundo o grupo de direitos humanos Forum Penal Venezuelano.

"O grupo ativista diz que mais de 2.000 opositores ao presidente foram a julgamento, nos últimos sete anos, por crimes decorrentes de seus ativismos. A maioria foi acusada de delitos menores e estão em liberdade. No entanto, alguns como Rivas estão proibidos de participarem de futuras manifestações, enquanto outros estão proibidos de deixarem seus lugares de origem ou de discutirem publicamente sua situação.

A Procuradora-Geral Luisa Ortega negou que as autoridades persigam os opositores de Chávez e disse que os detidos cometeram delitos como o de perturbação à paz ou agressão à polícia. AP/CARACAS (Reuters) via
AOL Latina

Tradução de Arthur para o MOVCC

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Guerrilheiros trapalhões

“O Brasil negou o pedido de Zelaya por um avião brasileiro para não se envolver na questão interna de Honduras e esta é até uma prova da isenção brasileira nesta questão. Não sei o que teria acontecido se o Brasil não tivesse aceito o pedido de abrigo. Ele teria sido preso, talvez morto. Ou estaria numa serra planejando uma guerra civil, uma insurreição”.

Celso Amorim, confessando que o Governo sabia da viagem iminente do companheiro hondurenho e, para poupá-lo dos desconfortos da serra, autorizou-o a transformar a embaixada no cortiço central da insurreição. Por
Augusto NunesRevista Veja

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Aos verdadeiros 'surdos', não interessa a Constituição

A imprensa em geral se faz de sonsa, mas é má-fé mesmo. Ela até reconhece que Zelaya está errado ao transformar a embaixada em um bunker de guerrilha, ao mesmo tempo em que tenta justificar essa delinqüência apontando a responsabilidade para os “golpistas”, por terem destituído um presidente eleito.

Besteira continuar batendo na tecla da Constituição de Honduras, porque os verdadeiros “surdos” não estão nem um pouco interessados em questões regimentais.

No último Canal Livre, o doutor Lionel Zaclis foi o
entrevistado do programa. Ele teve que ‘desenhar’ para o bobalhão do Antonio Teles - um dos entrevistadores -, na hora de explicar que não houve golpe de estado em Honduras. Lógico que Teles não entendeu. Mas Zaclis foi bastante didático:

Ele explicou: tome-se como exemplo uma desapropriação de terra, autorizada pela Justiça. Se houver alguma exacerbação das forças policiais durante a desocupação, inclusive ferindo os invasores, isto não contamina o processo de desapropriação e tampouco muda a decisão da justiça. Portanto, se os militares hondurenhos fizeram uma “quartelada” ou não, ao executarem a ordem do Supremo, isto não muda a decisão da Corte e muito menos torna ilegítima a deposição de Zelaya, prevista e amparada na Constituição.

Hoje, a imprensa trouxe a opinião de ‘analistas’, estarrecidos, dizendo que o decreto de estado de sítio no país é assustador, embora tenha respaldo da Constituição.

Ora, essa medida teve de ser adotada para tentar frear a insurreição que estava programada - a cartada final para a instalação do governo paralelo - a partir do caos e violência desenfreada. Ou vocês acham que os EUA recuaram a troco de nada?

Foi uma atitude correta do Governo Micheletti em mandar fechar a radio Globo e outro jornal, pois os dois estavam trabalhando sob ordem direta de Zelaya, na difusão dos chamamentos para a insurreição.

Pena que esses ‘analistas’ não se assustem tanto quando Chávez manda fechar os meios de comunicação do país, na base da pancadaria, quando jornalistas são agredidos violentamente no meio da rua, quando opositores são presos, ou quando a polícia massacra os venezuelanos durante as manifestações.

Ficaram indignados e ofendidos com Micheletti porque ele não permitiu que representantes da OEA entrassem em Honduras. A maioria já esqueceu que a ordem de expulsão dos diplomatas hondurenhos da reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, foi uma covardia orquestrada por Lula e Amorim. Isso não conta? A filha do presidente Micheletti foi deportada dos EUA um dia antes dele impedir a entrada desse bando no país. Pois fez ele muito bem em dar um pé no traseiro de todo mundo.

É muito cinismo querer considerar esses organismos internacionais como vias legítimas para negociar o fim da crise no país; equivale a submeter o estado de direito a um tribunal de inquisição. A sentença já foi dada faz tempo.

Pensando bem, a ONU deve dar um assento para o Brasil imediatamente. Lula já provou ter o “espírito democrático” necessário para fazer parte desse clube seleto. Por Arthur/Gabriela



LEIA TAMBÉM
Hondurenhos veem intromissão
Ao acolher o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em sua embaixada em Tegucigalpa, o Brasil acabou responsabilizado pelas medidas de exceção adotadas pelo governo de facto de Honduras no final de semana. Até políticos independentes e cidadãos brasileiros em Tegucigalpa reclamaram da atuação do País.


Invasão de embaixada é juridicamente possível
A ideia de entrar na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa e simplesmente prender o presidente deposto Manuel Zelaya é "truculenta e pouco diplomática, mas juridicamente possível", disse ao Estado a professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP), Maristela Basso.


OFICIAL DO EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO VÊ GOLPE
Irmão do verdadeiro Capitão Nascimento, do filme “Tropa de Elite”, o tenente-coronel Paulo Pimentel deveria ter sido ouvido antes de o governo Lula se meter em Honduras. Trabalhava no País pelo Exército brasileiro, num acordo de cooperação, quando após a saída de Manuel Zelaya recebeu ordem para voltar.
Texto atribuído a ele critica a atitude do novo governo Honduras, mas é taxativo: não houve “golpe” no País. Por Cláudio Humberto

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'Retorno de Zelaya foi irresponsável e tolo'

Em reunião de emergência da OEA, representante americano é único a condenar presidente deposto

O representante dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, criticou ontem o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, por seu retorno “irresponsável” a Tegucigalpa e por dificultar a obtenção de um acordo de volta ao poder com o atual governo hondurenho usando a Embaixada do Brasil como plataforma para declarações polêmicas. Ele também condenou o presidente Roberto Micheletti, no poder em Honduras, por ter se recusado a receber a missão avançada da OEA, declarar estado de emergência no país e calar os meios de comunicação da oposição. Por Gilberto Scofield Jr.

Numa reunião de emergência do Conselho Permanente da OEA para discutir o impasse, Lewis Amselem pediu que Zelaya pare de tentar chamar a atenção a qualquer custo.

— O retorno de Zelaya sem um acordo foi irresponsável e tolo — disse. — Ele deveria desistir de fazer acusações enfurecidas e de agir como se estive estrelando em um filme antigo.

As declarações de Amselem deixaram os outros países presentes à reunião confusos. Uma semana antes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, dissera que a volta de Zelaya era uma oportunidade para pressionar o governo Micheletti a renunciar. Um alta fonte do Departamento de Estado envolvida nas negociações afirmou, porém, que não há contradições no discurso: — Pedimos a Zelaya que evitasse retornar ao país antes da costura de uma acordo com o governo porque temíamos que este fato aumentasse a tensão política. Mas agora consideramos a volta uma oportunidade para pressionar o governo interino a assinar o Acordo de San José, que continuamos a achar a saída preferencial.

Nem mesmo a deterioração da situação política em Honduras, a expulsão da missão de negociadores e mais de oito horas de reunião do seu Conselho Permamente fizeram a OEA sair do torpor de declarações inócuas.

O bate-boca entre os 34 representantes dos países das Américas terminou ontem em mais uma nota inócua que condena por alto tudo e evita qualquer decisão mais importante.

O representante brasileiro na OEA, embaixador Ruy Casaes, exasperou-se: — Chegou o momento de dizer basta, e este basta significa impedir que a continuidade do Estado de fato em Honduras possa se estender a outros países da sub-região.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, ainda aposta em acordo. Mas admitiu que uma possível invasão da embaixada pelo governo pode mudar radicalmente o cenário: — Nós não temos uma força de paz, que só pode ser usada mediante uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas não creio que a situação atual exija isso. Agora, se houver agressão à Embaixada do Brasil, mudaremos completamente de opinião. O Globo

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Chávez em foco

A interferência explícita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na crise institucional que se abate sobre Honduras, pode influir na decisão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado que, nesta quinta-feira, examina o convite feito pelo Brasil para a Venezuela entrar no Mercosul. O relatório do senador Tasso Jereissati está previsto para ser entregue hoje à Comissão de Relações Exteriores.

Se a crise em Honduras já tinha tudo para se misturar com a questão do Mercosul - dada a posição de tutor do presidente deposto, Manuel Zelaya, assumida por Chávez -, essa hipótese torna-se agora mais provável porque o presidente da comissão, senador Eduardo Azeredo, resolveu fazer uma reunião extraordinária para discutir os acontecimentos em Tegucigalpa, em especial a situação do Brasil como hospedeiro de Zelaya. Por Dora Kramer

"Tranquilo" até a semana passada, confiante na condução do Itamaraty, o senador Eduardo Azeredo mudou de posição. Por causa do agravamento da situação em si - ameaças de invasão da embaixada brasileira, ultimato por parte do governo de facto, decretação de estado de sítio por 45 dias, posição dos EUA considerando a volta do deposto um ato de irresponsabilidade, transformação da representação do Brasil em "bunker" sob administração de Zelaya - e das conversas que vem tendo nos últimos dias com especialistas no tema e embaixadores veteranos.

"Inicialmente, a comunidade internacional condenou a deposição de Manuel Zelaya e se solidarizou com ele. Pouco a pouco, porém, a história foi ficando mais clara e agora já não permite alinhamentos automáticos, pois há erros graves dos dois lados: se a expulsão do país foi uma quartelada, a ação anterior do presidente quebrou a regra constitucional e desrespeitou decisões do Judiciário e do Legislativo. Agora, um problema que caberia à OEA resolver está nas mãos do Brasil", diz Azeredo.

Nesse quadro, reconhece, não há como o Congresso ficar omisso. Ele não aprova integralmente a decisão da Câmara de mandar uma comissão de deputados a Honduras. Acha que cabe ao Senado um papel preponderante, mas equidistante.

Hoje ele chega a Brasília já com a missão de convocar os líderes partidários e tentar construir um consenso sobre a forma de atuação do Parlamento. "Não podemos ficar só na base do ataque, na oposição, e da defesa, por parte da base de apoio governista, é preciso abordar o assunto com independência e competência."

Grosso modo, o quadro, a contar pelas posições da semana passada, seria o seguinte: o DEM absolutamente contrário à ação do governo, o PT completamente a favor e o PSDB nem lá nem cá.

Padrão
A condescendência do Brasil com países de regimes de força, cuja "soberania" para matar, torturar, cassar, fraudar e calar é plenamente aceita, anula a credibilidade dos ataques do presidente Luiz Inácio da Silva a "usurpadores do poder" e esvazia suas posições em defesa da democracia no mundo em geral, particularmente agora, em Honduras, onde Roberto Micheletti assume sua face mais autoritária.

Governo que reconhece a China como economia de mercado e pede o fim do embargo norte-americano a Cuba sem impor um reparo sequer ao fato de serem, ambos, ditaduras, abre mão das credenciais para cobrar respeito à democracia ou a opinar nos acontecimentos hondurenhos nos termos em que Lula vem fazendo.

Como chefe de governo e de Estado, o presidente dispõe de prerrogativas constitucionais para decidir. Inclusive decidir expor o Brasil ao constrangimento que achar mais conveniente aos seus projetos.

Só não pode é querer ter razão nem que os outros o vejam como ele se vê: dono da sorte e da verdade do universo. Quando Lula desafia as pessoas a cotejarem a palavra dele com a de um "golpista", se esquece de que, como presidente, jamais tomou o cuidado de firmar compromisso pétreo com a palavra dita a respeito de qualquer assunto interno.

Donde subtraiu a si autoridade para cobrar confiabilidade na palavra do presidente. O Estado de S. Paulo

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Queda de braço na caderneta

Oposição e base aliada pressionam para governo desistir de projeto que cria IR da poupança

A proposta de tributação da caderneta de poupança virou uma verdadeira batata quente entre governo e Congresso. Enquanto a equipe econômica quer enviar aos parlamentares o projeto que institui a cobrança de 22,5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos dos depósitos acima de R$ 50 mil a partir de 2010, a própria base governista pressiona o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que ele seja engavetado ou, pelo menos, alterado. O motivo seria o risco de a tributação da caderneta — assunto extremamente impopular — atrapalhar a tramitação dos projetos relativos ao marco regulatório do pré-sal e dar munição para ataques da oposição ao governo às vésperas do ano eleitoral. O PMDB (principal partido da base) já avisou não há clima para a votação e que, hoje, votaria contra a proposta. Por Martha Beck e Cristiane Jungblut

Os técnicos do governo acham que é importante discutir o assunto no Congresso. Por ser polêmico, o tema precisa ser debatido entre os parlamentares de forma que se chegue a uma proposta palatável tanto para a base governista quanto para a oposição. O aviso dos aliados chegou na semana passada ao próprio Mantega, por meio do líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS). Ele explicou que havia resistências e que de nada adiantaria mandar a proposta à casa com Mantega no exterior (o ministro estava nos EUA para a reunião do G-20), sem poder defendê-la.

Os técnicos do governo sempre souberam das resistências à taxação da poupança. O problema é que a redução contínua da taxa básica, a Selic, tem impacto direto sobre o rendimento da caderneta, tornando-a mais atraente que outros investimentos, já que tem garantidos por lei a correção pela Taxa Referencial (TR) mais juros de 0,5% ao mês. O rendimento dos fundos, por sua vez, cai junto com a Selic, já que são compostos por títulos do governo, corrigidos pela taxa. Atualmente, a caderneta é isenta de IR, enquanto os fundos pagam entre 22,5% e 15% de IR, dependendo do prazo da aplicação. A ideia do governo é evitar uma fuga de grandes investidores para a poupança, o que desequilibraria o mercado. O risco poderia, inclusive, ser um entrave a uma queda maior da taxa básica.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), disse que hoje a bancada do partido é contra a taxação e que não há argumentos atuais que mostrem que houve fuga de ativos dos fundos para a poupança.

— O PMDB não está convencido da necessidade da medida. O sentimento é de o governo nem sequer enviar a proposta. Se não houver argumento, sem dados de convencimento, o PMDB vota contra — disse Alves.

Opção seria adotar percentual da taxa básica

Mexer na remuneração da caderneta também é sensível politicamente, mas pode acabar sendo uma alternativa porque empurra o problema para frente. Várias simulações já foram feitas pelos técnicos do governo e podem acabar voltando à pauta. Uma delas seria manter a correção da caderneta em TR mais 0,5% ao mês caso a Selic fique acima de 8,75% ao ano. Caso ela fique abaixo desse patamar, a remuneração acompanharia a taxa, ficando em torno de 80% da Selic. Se adotada, a medida não chegaria ter impacto em 2010 — pois o mercado financeiro projeta juros mais altos no ano que vem. Outra opção é simplesmente reduzir a tributação dos fundos para que eles se tornem mais atraentes que a poupança e, com isso, não haja migração.

Os próprios parlamentares já apresentam propostas alternativas. O senador Francisco Dornelles (PPB-RJ) defende que o governo mexa na tributação dos fundos de renda fixa, mas diz que, se optar por tributar a caderneta, deve fazer duas coisas: fazer com que ela valha apenas para novos depósitos e aumentar para R$ 100 mil, por exemplo, a faixa de isenção. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também já disse que deverá apoiar a taxação da poupança, mas só daquelas com valores acima de R$ 100 mil.

Outros aliados, inclusive o vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado (PT-MG), têm se manifestado contra a proposta. Lembram ainda que outras negociações de Mantega fracassaram e mostram irritação com fórmulas da equipe técnica, sem avaliação do impacto político. Já a oposição diz que taxar seria mexer no princípio de proteção da poupança e que nada garante que no futuro o governo não resolverá taxar valores abaixo de R$ 50 mil.

O líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), disse ontem que a questão da poupança tem que ser discutida com calma. Para ele, não há pressa para tratar do assunto, numa sinalização de resistência, inclusive, entre petistas. O Globo


PAI DOS POBRES
Além dos US$ 332 milhões para construir uma estrada, o governo Lula deu mais US$ 4 milhões nossos ao presidente cocaleiro da Bolívia, Evo Morales, para saúde e educação. Dos bolivianos, claro. Por Cláudio Humberto

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Fim do momento da América

UMA RETIRADA SÚBITA DO STATUS DE SUPERPOTÊNCIA

América já não é uma superpotência. Liderada pelo presidente Obama, sua retirada do cenário mundial foi súbita, rápida e impressionante. Sua administração está buscando ativamente uma política externa de distensão e auto-abnegação. Washington não quer - ou acredita que é possível - continuar seguindo sendo a única última superpotência.

"Em uma época em que nosso destino é comum, o poder já não é mais um jogo de soma zero", disse Obama na Assembléia Geral da ONU na quarta-feira. "Não existe ordem mundial que eleve a uma nação ou a grupo de pessoas em detrimento de outro. Esse é o futuro que a América quer".

Também é o futuro que as Nações Unidas querem. Durante décadas, o Turtle Bay tem sido uma grande fonte de antiamericanismo. A maioria dos seus Estados membros não são democracias autênticas. Ao contrário, eles são uma coleção sombria de tiranias do Terceiro Mundo, de ditaduras socialistas, quase cleptocracias. Eles pouco se importam com os direitos humanos, com a democracia e com a paz. Por
Jeffrey T. Kuhner

O registro recente da trajetória da Organização das Nações Unidas é abissal: o genocídio em Darfur, a repressão brutal do Tibet pela China, a guerra da Rússia em agressão à Geórgia, os ataques implacáveis do Hamas com foguetes contra cidades e aldeias israelenses, a repressão do Irã sobre manifestantes pró-democracia, a perseguição sistemática da Arábia Saudita aos cristãos e os esforços da Venezuela para difundir o socialismo autoritário em toda América Latina - tudo isto foi recebido com pouca ou nenhuma ação pelo organismo internacional. As Nações Unidas são inúteis.

No entanto, a única coisa que a ONU tratou de criar foi um sistema multipolar, no qual o poder americano foi contido e, eventualmente, se desfez. O campeão do Ocidente foi posto para baixo.

Obama tem dado às Nações Unidas o que ela quer: uma América despojada voluntariamente a abandonar sua preeminência internacional. Obama é um esquerdista pós-moderno, cujo objetivo é transformar os Estados Unidos em outra União Européia. Ele não acredita na preservação da nossa soberania nacional ou identidade cultural distinta. Pelo contrário, ele defende a social democracia, a abertura das fronteiras; o multilateralismo, a diplomacia e um forte ativismo das Nações Unidas. Como ele salientou em seu discurso, ele procura subordinar os interesses nacionais dos EUA aos objetivos globalistas, como a luta contra as alterações climáticas, livrar o mundo das armas nucleares, acabar com a pobreza e alcançar paz no Oriente Médio.

O enfoque de Obama fracassará por uma razão simples: ele se baseia na fantasia. Sua direção nas Nações Unidas foi um clássico exemplo dos perigos da utopia liberal. Produzido pelo homem o aquecimento global é um mito, na verdade, as temperaturas da Terra estão esfriando nos últimos anos. Além disso, suas políticas comerciais vão atrasar o crescimento e a criação de empregos - como fizeram em toda a Europa. É uma receita para a estagnação econômica.

Nações sérias - China, Rússia, Paquistão - nunca vão renunciar de suas armas nucleares. As armas nucleares são um elemento de dissuasão contra qualquer invasão de uma potência rival. O convite para o desarmamento nuclear mundial é mais do que um sonho ingênuo. Ele revela uma profunda falta de compreensão política de uma grande potência.

Obama não é um Messias político. Ele não pode andar sob as águas e erradicar a pobreza no mundo ou as doenças. Ele está se esforçando para conseguir algo que nunca foi feito na história - em qualquer lugar. Isso ocorre porque o estado natural da humanidade é a pobreza, que tem estado conosco desde o início dos tempos. Para a maior parte do mundo, tem sido a condição predominante. Portanto, não é a pobreza que precisa ser resolvida, mas a criação de riqueza.

A única conquista do Ocidente foi a de erigir um sistema capitalista baseado no Estado de Direito e no direito de propriedade privada que levantou centenas de milhões de dólares em prosperidade. A menos que os países estejam dispostos a adotar economia de livre mercado, caso contrário eles estarão condenados à miséria perpétua. Bilhões de dólares em ajuda externa não vão mudar esta realidade fundamental e o resultado será apenas o esbanjamento do dinheiro precioso dos contribuintes

Além disso, o estabelecimento de um estado palestino independente não vai promover a segurança regional. A retirada de Israel em 2005 da Faixa de Gaza não levou a um estado embrionário palestino pacífico, mas sim, à criação do Hamastán. O Hamas é a força mais poderosa na sociedade palestina. É a marca mais radical do fundamentalismo islâmico - com chamamento à destruição de Israel, às glórias da jihad e a derrota da América – abertamente adotada pela maioria dos palestinos. Criar uma pátria palestina independente, ao lado de Israel, é lançar as sementes de futuros conflitos: É um jogo que aponta para o coração do Estado judeu – e que permitirá ao Hamas, assim como a outros terroristas islâmicos, desferirem o golpe final na "entidade sionista".

Obama está errado. O poder é - e sempre será - um jogo de soma zero. Se os Estados Unidos se debilitam, então a Rússia e a China, juntamente com a Coréia do Norte, Irã e outros países delinqüentes preencherão ansiosamente o vazio.

Em quase todas as partes do globo, a força e o prestígio da América estão diminuindo. A demolição da defesa de antimísseis na Polônia e na República Checa significa que os EUA abandonaram a Europa Oriental à esfera de influência da Rússia. A retirada prematura das tropas do Iraque está levando a uma derrota dos EUA. Intimidar a Israel é desmoralizar o nosso principal aliado no Oriente Médio. O Irã está prestes a adquirir a bomba. A China comunista está comprando nossa crescente dívida nacional e estamos nos transformando lentamente em vassalo econômico de Pequim. A Coréia do Norte segue desafiando. O Japão está se afastando de Washington. A América Latina ferve com a revolução bolivariana. Em suma, os inimigos da América estão encorajados, enquanto nossos amigos estão sendo traídos.

O discurso de Obama foi bem recebido nas Nações Unidas porque confirmou o final do momento americano. O pós-1945 liderado pela ordem mundial que representava o maior avanço da liberdade humana na história, terminou. Obama acredita que é sua maior glória. Pelo contrário, é sua vergonha.

Jeffrey T. Kuhner é colunista do
The Washington Times

Tradução de Arthur para o MOVCC

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O novo Líder do Mundo Livre

A TOCHA FOI PASSADA

Israel é visto como o novo líder do Mundo Livre

O líder anterior, os Estados Unidos, renunciou a esta função na semana passada nas Nações Unidas, ao tomar a posição de organizador da comunidade global. Isso ficou claro pelo discurso do presidente Obama, intitulado "A responsabilidade pelo Nosso Futuro Comum", no qual ele anunciou "um novo capítulo de cooperação internacional."

Em contrapartida, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez um chamamento contundente e vigoroso para o principal desafio que as pessoas livres enfrentam hoje. “Esta é a luta da civilização contra a barbárie, a ser combatida pelos que “santificam a vida contra aqueles que glorificam a morte” Editorial The Washington Times

A direção de Obama era previsível, uma mistura de crítica às políticas anteriores dos Estados Unidos com auto-elogios pela correção dessas políticas, e solicitações vagas para uma ação conjunta em assuntos de interesse coletivo.

Ele procurou agradar ao invés de ofender. Mas Netanyahu criticou as Nações Unidas pelo "assalto sistemático da verdade". Ele falou verdades que Obama nunca nem sussurrou sobre o regime do Irã, que é "alimentado por um fundamentalismo extremo" e um "credo implacável". Netanyahu repreendeu os membros que toleram a diatribe do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a quem qualificou como uma “vergonha”.

Netanyahu repetidamente homenageou as bênçãos da liberdade e "o fascínio da liberdade". Mostrou-se maravilhado com a liberdade que os avanços tecnológicos tornaram possível. Ele perguntou se a comunidade internacional apoiou o povo iraniano “por sua bravura em como lutou pela sua liberdade”. Ele teve uma visão de futuro para Israel e para Palestina: "dois povos livres vivendo em paz, vivendo em prosperidade, vivendo com uma vida digna".

Obama, por sua vez, promoveu como imperativo responder sobre as mudanças climáticas globais e mencionou, como uma espécie de adendo, que a democracia não deve ser uma reflexão tardia.

Israel se destaca porque compreende o principal desafio enfrentado pelo mundo civilizado e por sua disposição em agir. Israel está se preparando para conter a onda da barbárie e enfrentar a ameaça de um Irã nuclear. Em troca, ele pede apenas mais apoio moral. "Se Israel é novamente convidado a correr mais riscos para a paz", disse Netanyahu, "temos de saber hoje que você vai ficar com a gente amanhã."

Ele desafiou os países do mundo com um teste bem claro: "Você vai ficar com Israel? Ou você vai ficar com os terroristas?"

Obama disse no encerramento: "apelamos a todas as nações a unirem-se e a juntarem-se a nós na construção do futuro que nosso povo merece.”

Mas as pessoas só merecem o que elas são capazes de ganhar.

Netanyahu chamou o mundo civilizado para "enfrentar o perigo, para assegurar nosso futuro, e, se Deus quiser, forjar uma paz duradoura para as gerações vindouras". Às vezes, o futuro não vem sem uma luta.
The Washington TimesTradução de Arthur para o MOVCC

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Governo endurece medidas contra turbas de Zelaya

Devido às violentas manifestações de zelayistas, o Governo decretou restringir as reuniões públicas não autorizadas e aos meios de comunicação que incitem a violência e a invasão de prédios públicos.

Devido à violência desencadeada na última semana por apoiantes de Manuel Zelaya, o governo suspendeu por 45 dias algumas garantias constitucionais, de acordo com o decreto que restringe e proíbe as reuniões públicas.

Ontem à noite, em cadeia nacional, anunciou que não seriam permitidas reuniões públicas não autorizadas e que a polícia e o exército têm o poder de dissolver, mesmo que tenham sido autorizadas, se tornarem-se violentas.

Leia: Declaração do Governo

Além disso, vai evitar a transmissão, de qualquer meio de comunicação, cujas mensagens ameacem a paz e a ordem pública. A Conatel foi autorizada a suspender estação de rádio, televisão ou sistema de cabo para ligar para a insurreição.

Na semana passada, Zelaya incitou atos de vandalismo e saques na capital, causando milhões em perdas, em nome de uma "resistência nacional".
LaPrensa

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Honduras - Situação do Brasil se complica

PARA ANALISTAS, PAÍS PODERÁ RESPONSABILIZADO PELA VIOLÊNCIA

A presença do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira está revertendo uma tradição de moderação, pragmatismo e mediação bastante cara à diplomacia brasileira, segundo analistas.

Sob a proteção dos muros da embaixada, Zelaya encontrou o palanque ideal para incitar seus simpatizantes ao contragolpe - apesar dos apelos contrários das autoridades brasileiras.

"Se esses chamados desatarem uma onda de conflitos com mortos e feridos, ou mesmo numa guerra civil, não faltará quem queira responsabilizar o Brasil por tais desdobramentos", disse ao Estado Délber Andrade Lage, coordenador do Centro de Direito Internacional, em Belo Horizonte. Por Ruth Costas

Para Lage, é difícil que o governo de facto ou um futuro governo hondurenho consigam levar o caso da "ação brasileira" a tribunais internacionais, a menos que haja uma participação mais direta do País na insurreição.

"Mas certamente o Brasil sofreria consequências políticas por não ter conseguido conter Zelaya", afirma Lage. "Sua participação na crise já está sendo vista mais como uma tentativa de intervenção em favor do presidente deposto do que como um esforço para a mediação do conflito. Não há dúvidas que a imagem do País deve sofrer sérios danos na região."

Para Marcelo Coutinho, coordenador do Observatório Político Sul-Americano e professor de Relações Internacionais da UnB, são mínimas as chances de o Brasil sair bem dessa situação. "Mesmo se não houver insurreição, a possibilidade de Zelaya ficar por meses na embaixada brasileira com outro presidente sendo eleito (em votação marcada para novembro) transformará o Brasil no país que quis impor a Honduras um governo impopular em vez de estimular uma solução negociada", afirma Coutinho. "Se o governo eleito vier a ser reconhecido pela comunidade internacional - o que, com o tempo, deve ser inevitável - a posição do Brasil vai ser bastante delicada."

O governo Lula da Silva sempre procurou ampliar a participação do Brasil na dinâmica da região. Além de apoiar iniciativas em prol da integração, como a União Sul-Americana de Nações (Unasul), a Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) e o acordo Mercosul-Comunidade Andina de Nações, o Brasil teve um papel atuante em diversas situações de conflito. Só para mencionar alguns exemplos, tomou a liderança da missão da ONU no Haiti e, em 2008, colaborou na libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Com todos esses esforços, nos últimos anos a imagem do Brasil como um líder regional certamente ganhou força. O caso em Honduras, segundo analistas, é um lembrete de que a busca de liderança sempre vem acompanhada de custos e responsabilidades. O Estado de S. Paulo


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Campesinos de Honduras começaram a marchar para Tegucigalpa
Atendendo ao chamado feito a partir do núcleo de insurreição instalado na embaixada brasileira, campesinos de todo o país se dirigem para a capital de Honduras, nesta segunda-feira. É o que afirma o padre salvadorenho, Andrés Tamayo, também hóspede da embaixada – e quem se diz organizador da marcha da turba.


Honduras - Embaixada deveria fechar, diz diplomata
A resolução do impasse envolvendo o presidente deposto de Honduras pode depender de uma decisão do governo brasileiro que, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, têm duas opções: dar asilo a Zelaya ou conseguir do governo de fato garantias de que ele deixe a embaixada brasileira em Tegucigalpa sem o risco de ser preso.

O embaixador Rubens Ricúpero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), vai além. Em sua opinião, a situação do governo brasileiro é tão complicada que, a rigor, não deveria nem mesmo ter embaixada no país centroamericano, pelo fato de não reconhecer as autoridades golpistas.

- Você só pode ter embaixada no país, com todas as garantias e imunidade, se você tem relações com o governo. O lógico é fechar a embaixada e retirar os diplomatas. Mantê-la aberta em um país, recebendo serviços de água, luz e telefone, cujo governo você não reconhece, é uma situação esdrúxula e só pode ser interpretada como medida de pressão. É como se o governo de fato estivesse diante de um grupo de estrangeiros sem visto — afirmou Ricúpero. Por Eliane Oliveira - O Globo

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Honduras contra a mentira global

Honduras não está lutando apenas para se livrar de um político safado, mas para assegurar a validade da ordem legal e constitucional do país. Por Olavo de Carvalho

Se algo os acontecimentos recentes em Honduras confirmam, é aquilo que venho dizendo há anos: quem quer que, sem ser esquerdista, preste algum favorzinho aos esquerdistas, acaba sendo acusado por eles de fazer exatamente o contrário do que fez, de ser um direitista feroz e intolerante que só os persegue, maltrata e atemoriza.

Em 28 de junho, a Suprema Corte de Honduras determinou a prisão do presidente Manuel Zelaya por ter infringido a Constituição e ameaçado usar a força contra o poder legislativo. Os militares, em vez de executar a ordem, deixaram-se enternecer pelo desgraçado e permitiram que escapasse para a Costa Rica. Resultado: a esquerda mundial inteira os acusa de ter "expulsado" Zelaya, de ter dado um "golpe", de ter "rompido a estabilidade das instituições".

Se tivessem prendido o delinquente e o levado a julgamento, a esquerda mundial poderia estar tão enfezada quanto está agora, mas não teria nenhum pretexto para dizer essas coisas. Teria de inventar outras mentiras, mais trabalhosas, menos persuasivas.

Não sei quantas décadas ou séculos de experiência e de sofrimento inútil a humanidade ainda precisará para compreender que indivíduos contaminados pela mentalidade revolucionária não são pessoas normais, confiáveis, das quais se possa esperar lealdade, gratidão, bondade ou acordo racional, mesmo em doses mínimas.

A história está repleta de casos de conservadores, católicos, protestantes, judeus, que arriscaram suas vidas para salvar comunistas perseguidos. Não consta dos anais do mundo um só episódio de comunista de carteirinha que tenha feito o mesmo por um reacionário, um só exemplo de radical islâmico que tenha arriscado o pescoço para livrar um infiel das garras dos aiatolás vingadores.

A mentalidade revolucionária não admite leis ou valores acima do poder revolucionário, não conhece caridade ou humanitarismo exceto como expedientes publicitários a serviço da revolução, não admite lealdade senão ao aparato revolucionário, não aceita a existência da verdade senão como simulacro de credibilidade da mentira revolucionária.

Com toda a evidência, é assim que funciona a mente dos srs. Luís Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Marco Aurélio Garcia e demais próceres do Foro de São Paulo.

O sr. Lula acaba de dar mais um exemplo da sua mendacidade revolucionária infatigável, ao afirmar que o governo brasileiro nada sabia do retorno de Manuel Zelaya a Honduras, quando o próprio Zelaya confessa que foi tudo combinado com o sr. Marco Aurélio Garcia.

Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hondurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a "ordem global", que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer "Não".

Não acreditem em jornalistas que lhes apresentam a crise hondurenha como uma questão de aceitar ou rejeitar Zelaya na presidência. Esse problema nem sequer existe. Como presidente ou como cidadão, há uma ordem de prisão contra ele. Recolocá-lo no Palácio Presidencial é apenas garantir que ele irá para a cadeia com honras de chefe de Estado. Honduras não está lutando para se livrar de um político safado, mas para assegurar que a ordem legal e constitucional do país valha mais do que a opinião de bandidos e tagarelas estrangeiros autonomeados "consenso internacional".

Para lidar com essa gente toda precaução é pouca, toda suspeita é modesta, toda conjeturação de motivos sórdidos corre o risco de ficar muito aquém da realidade. Os hondurenhos parecem ser o primeiro povo do mundo que percebeu isso.
Diário do Comércio

Olavo de Carvalho é ensaista, jornalista e professor de Filosofia

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Pantomima

A PANTOMIMA PARECE NÃO TER LIMITES

A política exterior brasileira está enveredando, perigosamente, pelos caminhos bolivarianos, ditatoriais, que rompem com décadas de neutralidade e não-ingerência em assuntos de outros países. O caso de Honduras é particularmente aterrador, pois, em nome da democracia totalitária, estão assentando as bases de supressão da liberdade.

Façamos, primeiro, um breve retrospecto. Lula e Celso Amorim realizaram, nos últimos anos, périplos por países africanos que têm em comum o menosprezo pela democracia e pelas liberdades em geral. Trata-se de países ditatoriais que foram considerados pelo nosso governo dignos parceiros de reconhecimento internacional. O ex-terrorista e ditador líbio, Muamar Kadafi, chegou a ser considerado como um irmão. Irmão de quê? De empreitadas ditatoriais, de uma pessoa há décadas no poder e exercendo uma dominação inflexível sobre o seu próprio povo. Por Denis Lerrer Rosenfield

Seguindo a mesma linha, a diplomacia brasileira permaneceu silenciosa sobre o genocídio do Sudão, onde mais de 200 mil pessoas foram assassinadas, não contabilizando as pessoas esquartejadas, mutiladas e estupradas. Em nome de quê? Da não-ingerência nos assuntos de outros Estados. Qual foi, então, o recado? Assassinar seu próprio povo pode, em nome da soberania interna.

O caso do Irã do "presidente" Mahmoud Ahmadinejad foi - e continua - escandaloso. As eleições foram fraudadas, o povo iraniano foi às ruas, até alguns aiatolás já não suportam o despotismo em vigor no país, pessoas foram torturadas e assassinadas em prisões. E o governo brasileiro contentou-se em dizer que se tratava de um mero jogo de futebol, em que os perdedores tinham ficado insatisfeitos. Na ONU, Lula, agora, reiterou a mesma posição de menosprezo aos direitos humanos. Temos uma prova tangível da podridão dessa esquerda que traiu inclusive os ideais de Marx. Fechou questão com o islamismo totalitário. Como se não bastasse, um "presidente" que se caracteriza pelo antissemitismo militante, propugnando pela eliminação do Estado de Israel, é convidado a visitar o Brasil. Provavelmente, em nome de uma qualquer "solidariedade" internacional, a dos déspotas.

Diante desse quadro, que é um quadro de horror, a "nossa" diplomacia, ou melhor, a "deles", dos bolivarianos com afinidades totalitárias, patrocina e é conivente com a volta de Manuel Zelaya a Honduras. Só um tolo acreditaria nas palavras de "diplomatas" (sic!) segundo os quais o Brasil só soube do ingresso do ex-presidente bolivariano, de tendências golpistas "democráticas", quando já tinha ingressado naquele país. Ainda, conforme nosso "chefe" do Itamaraty, deu-lhe "boas-vindas", oferecendo-lhe a hospitalidade brasileira. Pelo menos Zelaya e sua mulher foram "honestos" ao agradecerem ao chanceler Amorim e ao presidente Lula o seu apoio.

Para acreditar na versão oficial é necessário acreditar em duendes. Os cidadãos brasileiros são tidos por crédulos, mal informados, ou melhor, tolos. Nada bate com nada nas versões oferecidas, salvo o seu objetivo de dar o máximo de sustentação ao projeto bolivariano do golpista fracassado Zelaya. O que é para eles insuportável é que ações inconstitucionais tenham sido abortadas pela Corte Suprema daquele país, pelo Legislativo e pelos militares. Querem encobrir tudo isso dizendo que se tratou de um "golpe militar", que a América Latina não pode mais suportar.

O que pode a América Latina suportar? Deve suportar a subversão da democracia por meios democráticos, com destaque para eleições e assembleias constituintes. Deve suportar a eliminação da divisão de Poderes, com "líderes máximos" solapando progressivamente todas as instituições representativas. Deve suportar a eliminação da liberdade de imprensa, num cenário liberticida que relembra a vereda totalitária de uma esquerda que nem mais sabe o significado de valores universais. As palavras começam a perder seu sentido, ganhando um novo, que guarda uma remota ligação com seu significado originário.

A diplomacia brasileira fala que concedeu refúgio a Zelaya. Como assim? Ele estava sendo perseguido dentro de seu próprio país? Precisa de asilo? Ora, trata-se de uma pessoa que foi obrigada a deixar o poder por conspirar contra a Constituição. Por isso foi conduzido para fora de seu próprio país, sem que tivesse sofrido dano físico nem tenha estado sua vida em perigo. O que a diplomacia brasileira fez foi patrocinar sua volta a Honduras, em aliança com Hugo Chávez, que reconheceu ter organizado toda a operação. O Brasil atrelou-se à Venezuela. A diplomacia brasileira está ingerindo nos assuntos internos de outro país, numa escancarada violação da Constituição brasileira, das Cartas da OEA e da ONU.

Numa completa tergiversação, o chanceler Amorim pede que o governo de Honduras não pratique nenhuma violência contra o bolivariano Zelaya. Ora, é a diplomacia brasileira que está suscitando violência e tumulto naquele país. Os mortos já se contam. Os bolivarianos estão entrincheirados na embaixada, a partir da qual fazem manifestações públicas e organizam os seus partidários para levar a cabo o seu projeto de subversão da democracia. Como são politicamente corretos, dizem estar defendendo a democracia.

Na subversão do sentido das palavras, clamam que não reconhecerão as eleições em curso. Como assim? Porque elas estavam previstas na Constituição, antes mesmo da deposição de Zelaya? Não faz o menor sentido! As eleições seguem um cronograma constitucional, num regime de plenas liberdades, em particular de imprensa e partidária. É precisamente isso que se torna insuportável para esses socialistas autoritários.

Os países que parecem encantados com os cantos bolivarianos, como os EUA e os países europeus, estão cortando as fontes de financiamento desse pequeno país resistente. Enquanto isso, Lula negocia com Obama o fim do embargo comercial a Cuba. Deve estar fazendo isso em nome da democracia! O Globo

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Diálogo com a Bolívia sobre expulsão dos brasileiros

A UM PASSO DA EXPULSÃO

Prazo para saída das famílias da área de fronteira termina em outubro e Evo quer ocupar lugar com seus eleitores.

Começa a ser definida hoje, numa reunião entre representantes dos governos do Brasil e da Bolívia, em Cobija, na fronteira com o Acre, a solução para cerca de 350 a 400 famílias de brasileiros ilegais que vivem da extração de castanha e borracha e de pequenas lavouras dentro da faixa fronteiriça de 50 quilômetros, na província boliviana do Pando. O governo está cumprindo uma determinação constitucional, mas adotando uma estratégica polêmica. É que, para o lugar dos brasileiros, Evo Morales está enviando seus correligionários políticos, numa atitude combatida por seus opositores, que o acusam de mandar eleitores para províncias onde o governo central não tem apoio, como a do Pando. Por João Domingos

Desde 2006, quando foram intimadas pelo governo da Bolívia a deixar as posses que ocupam, as famílias de brasileiros passam por momentos de tensão. De acordo com o Itamaraty, elas têm sido submetidas a chantagens e achaques por parte de pessoas que se apresentam como se fossem autoridades bolivianas ou brasileiras. Por causa das ameaças, algumas famílias até venderam as posses por preço vil.

Nessa confusão, o Brasil contratou por U$ 10 milhões a Organização Internacional para Migrações (OIM), entidade com experiência em migrações, principalmente na África e no Leste Europeu. Ela ficou encarregada de fazer desde os levantamentos sobre as famílias, quantas são, do que vivem, o que fazem, até o processo final de reassentamento. Serão estes dados que a OIM vai apresentar hoje às delegações do Brasil e da Bolívia, em Cobija, capital do Pando.

CONSTITUIÇÃO
A expulsão dos brasileiros da faixa de fronteira ocorre por determinação do artigo 25 da Constituição da Bolívia - desde a antiga Carta é proibida a permanência de não-bolivianos em toda a área fronteiriça de 50 quilômetros. Mas não era um artigo implementado. Com a chegada de Evo Morales ao poder, ele resolveu que a norma constitucional deveria ser cumprida.

Como o prazo final para a saída das famílias termina em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu de seu colega boliviano, durante encontro no mês passado, que a retirada dos brasileiros só ocorresse depois do trabalho da OIM. Enquanto isso, colonos da região do Altiplano, onde Evo é forte politicamente, aguardam a desocupação das posses dos brasileiros para, a seguir, instalarem-se ali.

No acordo feito com Evo, os brasileiros poderão ser reassentados em áreas do interior da Bolívia longe da fronteira ou, se quiserem, podem retornar ao Brasil e se candidatar a projetos de reforma agrária brasileiros no Acre. Também podem se naturalizar bolivianos - o que permitiria que ficassem na fronteira -, mas esse é um conselho que a política externa do Brasil não dá. "Achamos que os brasileiros devem continuar a ser brasileiros", disse o embaixador Eduardo Gradilone Neto, diretor do Departamento das Comunidades de Brasileiros no Exterior, do Itamaraty. Ele estará no comando da equipe que receberá os dados da OIM.

CONSULADO
Gradilone disse que, no processo de tentar chegar a uma solução para os brasileiros que ocupam a faixa fronteiriça da Bolívia, será instalado mais um consulado no país vizinho, na comunidade chamada Puerto Evo Morales, próxima a Assis Brasil, no Acre. Puerto Evo Morales é um longínquo lugarejo formado por palafitas e é nele que os brasileiros que vivem do lado boliviano costumam comprar bens básicos, como sal e açúcar.

O governo do Pando chegou a fazer um projeto de agrovila para os brasileiros, perto de Cobija, na área de 50 quilômetros de fronteira. Mas, como a proposta de abrir a exceção era das oposições, não foi adiante. Ao contrário, ajudou a agravar a crise entre o governo da província e o central. Houve violência e o governador do Pando, Leopoldo Fernández, foi preso - hoje, da cadeia, é o candidato a vice-presidente na chapa da oposição para a próxima eleição. O Estado de S. Paulo

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Governo não controla 23% dos jovens do Bolsa Família

BOLSA FAMÍLIA IGNORA ADESÃO À ESCOLA DE 23% DOS JOVENS

Governo não tem informações sobre 447,8 mil adolescentes atendidos pelo programa Presença em 75% das aulas é condição para receber o benefício; evasão escolar e problemas no envio de dados causam descontrole.

O governo federal ignora a frequência escolar de quase um em cada quatro adolescentes do Bolsa Família. A matrícula na escola e o comparecimento em 75% das aulas são as condicionalidades exigidas pelo governo aos jovens de 16 e 17 anos de famílias beneficiárias do programa. Com esse aluno longe das salas de aula, o "benefício variável jovem", no valor de R$ 33, pode ser bloqueado e, em seguida, cancelado. Essa falta de informações supera em 62% a das crianças também integradas ao programa de transferência de renda. Por Eduardo Scolese

De acordo com relatório do Ministério do Desenvolvimento Social obtido pela reportagem, do 1,9 milhão de adolescentes beneficiados em julho passado pelo Bolsa Família, não havia informações disponíveis sobre a frequência escolar de 447,8 mil (23,28%).

No caso de crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos, o índice é de 14,32% -dos 15,2 milhões registrados no programa, 2,1 milhões não têm a frequência acompanhada pelo governo.O benefício vinculado aos adolescentes começou a ser pago às famílias no início do ano passado e, agora, o governo admite a dificuldade de manter esses jovens na sala de aula, mesmo com a frequência escolar vinculada ao pagamento.

Segundo Lúcia Modesto, secretária de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, três fatores colaboram com a falta de informações sobre a frequência dos jovens: evasão escolar, mudanças de cidade ou de instituições de ensino e problemas no envio das informações da escola ao sistema do governo (leia texto nesta página).

Do 1,9 milhão de adolescentes do Bolsa Família, 70% ainda cursam o ensino fundamental, quando, aos 15 anos, já deveriam estar no ensino médio.

Em 321 municípios do país o controle da frequência escolar não atinge ao menos a metade dos adolescentes. Em 66 deles, o acompanhamento é zero. Entre as capitais, por exemplo, o acompanhamento é de 35% em Macapá (AP), 41% no Rio, 58% em Fortaleza, 70% em São Paulo e 94% em Teresina (PI).

Uma família extremamente pobre, com renda mensal de até R$ 70 por pessoa, pode receber até R$ 200 por mês do Bolsa Família, sendo R$ 68 de benefício básico, R$ 22 por criança até 15 anos (limite de três) e R$ 33 por adolescente de 16 e 17 anos (limite de dois).

Famílias com renda entre R$ 71 e R$ 140 não têm direito ao benefício básico. O Bolsa Família atende hoje 12 milhões de famílias no país, com orçamento anual de R$ 12 bilhões.

O relatório do ministério mostra ainda que, desde a criação da modalidade dos adolescentes, o governo não tem conseguido diminuir o percentual da falta de informações. Em julho do ano passado, por exemplo, estava em 21,45%, contra os atuais 23,28%. Esse índice nunca esteve abaixo dos 21% -teve picos de 24% em setembro de 2008 e maio deste ano.

Quando lançou essa modalidade, no início do ano passado, o governo justificou a inclusão dos adolescentes como uma forma de mantê-los nas salas de aula ou trazê-los de volta a elas. Por isso, a exigência em sala de aula para eles foi mais amena: fixada em 75%, contra 85% das crianças de até 15 anos. Na época, o governo estimava em 18% os adolescentes entre 16 e 17 anos fora da escola.

No caso dos adolescentes, a exigência do governo está restrita à matrícula e à carga horária nas aulas. Nas demais modalidades do programa, as famílias podem ter o benefício cancelado caso não cumpram o calendário de vacinação das crianças ou se as gestantes deixarem de fazer o pré-natal. Folha de São Paulo


Ranking da dependência – Material do Correio Braziliense
Veja o ranking da participação dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, na renda total de cada uma das 27 unidades da Federação (em %)

1º Alagoas 4,43
2º Pernambuco 4,35
3º Maranhão 4,17
4º Paraíba 4,13
5º Ceará 3,97
6º Piauí 3,81
7º Bahia 3,50
8º Roraima 3,25
9º Rio Grande do Norte 3,23
10º Amapá 3,06
11º Amazonas 2,82
12º Pará 2,75
13º Tocantins 2,75
14º Rondônia 2,61
15º Sergipe 2,27
16º Mato Grosso do Sul 2,10
17º Minas Gerais 2,10
18º Goiás 2,10
19º São Paulo 2,07
20º Paraná 2,06
21º Rio Grande do Sul 1,81
22º Acre 1,54
23º Distrito Federal 1,48
24º Santa Catarina 1,34
25º Mato Grosso 1,28
26º Espírito Santo 1,25
27º Rio de Janeiro 0,79

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