Brasil investirá US$ 332 milhões em rodovia na Bolívia

MORALES TAMBÉM VAI COBRAR DE LULA, UMA DÍVIDA DE ATÉ U$ 300 MI

Os presidentes Lula da Silva e Evo Morales, da Bolívia, vão formalizar amanhã um empréstimo de US$ 332 milhões para a construção de uma estrada na Bolívia. O empréstimo será concedido pelo governo a empresas brasileiras que construirão uma estrada de 306 quilômetros entre as cidades bolivianas de Villa Tunari e San Ignacio de Moxos. A estrada vai se unir ao corredor interoceânico, que em dezembro de 2007, Lula, Morales e a presidente chilena, Michelle Bachelet, se comprometeram a construir e que ligará os portos de Santos e Iquique (Chile) através da Bolívia. Leia mais no
Jornal do Brasil


DÍVIDA DA PETROBRÁS DE ATÉ US$ 300 MI
O presidente da Bolívia, Evo Morales, vai cobrar amanhã do Lula da Silva o cumprimento de uma promessa feita em Brasília em 2007 e que poderia dar aos bolivianos uma receita adicional de até US$ 100 milhões por ano pela venda de gás natural ao Brasil. A conta pode chegar a US$ 300 milhões. Por Marcos de Moura e Souza

La Paz tem duas demandas: cobrar o cumprimento do acordo e também rever o contrato de fornecimento para o Brasil para diminuir os volumes exportados.
Na quarta-feira, ao falar da visita de Lula, Morales declarou: "Revisaremos os acordos que temos. Tocaremos no tema do preço e dos volumes de gás que se exporta para o Brasil. Há uma conta pendente, especialmente da Petrobras para com a Yacimientos [Petrolíferos Fiscales Bolivianos, a YPFB]".

A conta é a que deveria ter sido paga pela Petrobras à estatal de energia boliviana pela aquisição das chamadas frações líquidas nobres contidas no gás boliviano. Essas frações podem ser usadas como insumo por algumas indústrias. Em 2007, depois de pressões de Morales para que o Brasil pagasse mais pelo gás comprado da Bolívia, o governo Lula achou uma fórmula alternativa - que não feria o contrato em vigor - para atender à reivindicação do país mais pobre da América do Sul.

Pelo acordo político selado em janeiro daquele ano, a Petrobras passaria a pagar pelas frações nobres do gás. Mas a promessa nunca saiu do papel por falta de uma definição sobre que fórmula empregar para calcular o preço exato dessas frações. Em 2007, estimativas apontavam que naquele ano o Brasil pagaria cerca de US$ 100 milhões à Bolívia só pelas frações nobres do gás. Consultada pela reportagem, a assessoria da Petrobras disse que a empresa não comentaria o assunto.

A cobrança que Morales promete fazer a Lula vem num momento em que a Bolívia vê encolher a sua receita com exportação de gás. Os motivos são as quedas do preço e da demanda brasileira, o principal destino do gás natural da Bolívia.

O Brasil, em 2008, comprou durante boa parte do ano 30 milhões de metros cúbicos por dia. Desde janeiro deste ano, este valor está perto dos 20 milhões de m3. Com o aumento da produção das hidrelétricas, graças às fortes chuvas, caiu a demanda por gás. Uma autoridade brasileira familiarizada com as relações Brasil-Bolívia disse ontem ao Valor que a receita boliviana com as exportações de gás para o Brasil deve cair de US$ 2 bilhões, em 2008, para US$ 1,4 este ano.

A Bolívia vem se queixando de que a demanda brasileira - além de ter diminuído - tem sido muito volátil. E que isso cria dificuldades técnicas diárias para que a Bolívia redirecione o gás que sobra para seu segundo maior cliente, a Argentina. O ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, disse esta semana que quer negociar um adendo no contrato para para enviar entre 22 e 24 milhões de m3, que, segundo ele, é o que o Brasil vem importando. A Bolívia enfrenta dificuldades para elevar sua produção, por falta de investimentos. Pelo contrato atual, o país tem de fornecer até 30 milhões de m3 diários ao Brasil. Valor Econômico -

2 comentários:

posturaativa disse...

esse governo dá dinheiro para todos, enquanto o cidadão brasileiro paga sempre mais impostos e não recebe absolutamente nada

Joana D'Arc disse...

Amanhã saberemos quanto mais vamos ter de pagar pelo 'acordo' que será selado entre o saliva da silva e o cocalero, quanto à 'análise' dos preços e volumes do gás boliviano exportado ao mercado brasileiro...