No dia 15 de dezembro, o Senado aprovou, por 35 votos contra 27, protocolo referendando o ingresso da Venezuela no Mercosul. Apesar do empenho do governo, tendo o presidente Lula assegurado ao presidente Hugo Chávez que a aprovação se daria no dia seguinte — só ocorreu uma semana depois — a vitória governista se deu por escassa margem de votos, numa demonstração de que expressivos setores do país sustentavam posição contrária.
Injustificável o ingresso da Venezuela no Mercosul. Nada contra o resistente povo venezuelano, que ao longo da História tem tido a infelicidade de ser governado por sucessivos ditadores — alguns sanguinários; todos, corruptos — e sim contra Chávez, que está procurando implantar naquele país uma dessas típicas tiranias sul-americanas. Por Arthur Virgílio
Submeteu o Parlamento e o Judiciário, ocupou a principal rede nacional de televisão e persegue a imprensa e quem venha a contrariá-lo. Não bastasse isso, apoiou a narcoguerrilha das Farc colombianas, desencadeou insensata corrida armamentista e ameaça deflagrar guerra com a Colômbia.
É esse tresloucado dirigente que se pretende pôr no Mercosul — falta ainda a ratificação paraguaia — atropelandose a Cláusula Democrática de Ushuaia.
Quando, anos atrás, houve tentativa de golpe no Paraguai, os então presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai deram um ultimato: efetivado o golpe, o país seria expulso do Mercosul. Agora se quer fazer o contrário: abrir as portas do bloco para um candidato a ditador.
Brutal retrocesso. Chávez usará o Mercosul como palanque para suas diatribes quase estudantis contra Estados Unidos e Colômbia. Iludemse setores da oposição venezuelana que imaginam poder o Mercosul contribuir para barrar as intenções do seu presidente.
Não se pode menosprezar o fato de que o autoritarismo começa a mostrar suas asas outra vez no subcontinente, com crescentes restrições, por exemplo, à liberdade de imprensa, ponto essencial aos regimes democráticos.
Os defensores de Chávez usaram argumentação pretensamente econômica, declarando interesse na manutenção do volume das transações comerciais entre os dois países, com saldo amplamente favorável ao Brasil. Empresários do Polo Industrial do meu estado tinham essa mesma posição, por estarem vendendo muito para a Venezuela.
Com todo respeito aos que defenderam sinceramente tal ponto de vista, não o considero procedente. Estava e estou convencido de que a rejeição do ingresso da Venezuela no Mercosul em nada afetaria o bom relacionamento comercial entre os dois países, haja vista que os Estados Unidos, alvo preferencial dos ataques de “bolivarianos”, são o principal parceiro comercial de Caracas. Havia, ademais, solução alternativa mais simples.
O Brasil, com o Mercosul, poderia iniciar relação de área de livre comércio com aquele país, evitando-se a admissão de uma quase ditadura no bloco, com todo o decorrente desgaste político daí advindo.
Acredito também que a entrada da Venezuela vai acelerar o fim de um bloco que já não vai nada bem. Agoniza devido à diminuta economia do Uruguai — que, por sinal, ainda é um belo parceiro para o Brasil —, à instabilidade política do Paraguai, ao protecionismo argentino e aos erros da política externa brasileira.
Nos últimos sete anos, o Brasil não lhe conferiu a devida prioridade, prese um homem como Ahmadinejad, que pensa em bomba atômica e nega o Holocausto, a fortalecer o Mercosul por meio de acordos com outro bloco econômico. A economia venezuelana andou para trás sob o governo chavista.
Vários empresários deixaram o país e seu único recurso natural, o petróleo, estiola-se. Hoje, devido a condições técnicas da PDVSA, a Venezuela produz menos petróleo do que quando Chávez assumiu o poder. Então, sob o ponto de vista econômico, não haverá nenhuma contribuição adicional ao bloco.
Nem se alegue também que Chávez passará e a Venezuela, não. Ele “é morrível”, como disse um senador.
Sim, sua pretensão, porém, é ficar no poder ad eternum. Deve ficar ao menos pelo tempo suficiente para enterrar o Mercosul. Por isso, num dos meus discursos no Senado, adverti que a aprovação do ingresso da Venezuela significaria convite simbólico à missa de sétimo dia do Mercosul.
Réquiem para ele.
É injustificável o ingresso da Venezuela de Chávez no Mercosul - O Globo
ARTHUR VIRGÍLIO, do Amazonas, é líder do PSDB no Senado.
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Injustificável o ingresso da Venezuela no Mercosul. Nada contra o resistente povo venezuelano, que ao longo da História tem tido a infelicidade de ser governado por sucessivos ditadores — alguns sanguinários; todos, corruptos — e sim contra Chávez, que está procurando implantar naquele país uma dessas típicas tiranias sul-americanas. Por Arthur Virgílio
Submeteu o Parlamento e o Judiciário, ocupou a principal rede nacional de televisão e persegue a imprensa e quem venha a contrariá-lo. Não bastasse isso, apoiou a narcoguerrilha das Farc colombianas, desencadeou insensata corrida armamentista e ameaça deflagrar guerra com a Colômbia.
É esse tresloucado dirigente que se pretende pôr no Mercosul — falta ainda a ratificação paraguaia — atropelandose a Cláusula Democrática de Ushuaia.
Quando, anos atrás, houve tentativa de golpe no Paraguai, os então presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai deram um ultimato: efetivado o golpe, o país seria expulso do Mercosul. Agora se quer fazer o contrário: abrir as portas do bloco para um candidato a ditador.
Brutal retrocesso. Chávez usará o Mercosul como palanque para suas diatribes quase estudantis contra Estados Unidos e Colômbia. Iludemse setores da oposição venezuelana que imaginam poder o Mercosul contribuir para barrar as intenções do seu presidente.
Não se pode menosprezar o fato de que o autoritarismo começa a mostrar suas asas outra vez no subcontinente, com crescentes restrições, por exemplo, à liberdade de imprensa, ponto essencial aos regimes democráticos.
Os defensores de Chávez usaram argumentação pretensamente econômica, declarando interesse na manutenção do volume das transações comerciais entre os dois países, com saldo amplamente favorável ao Brasil. Empresários do Polo Industrial do meu estado tinham essa mesma posição, por estarem vendendo muito para a Venezuela.
Com todo respeito aos que defenderam sinceramente tal ponto de vista, não o considero procedente. Estava e estou convencido de que a rejeição do ingresso da Venezuela no Mercosul em nada afetaria o bom relacionamento comercial entre os dois países, haja vista que os Estados Unidos, alvo preferencial dos ataques de “bolivarianos”, são o principal parceiro comercial de Caracas. Havia, ademais, solução alternativa mais simples.
O Brasil, com o Mercosul, poderia iniciar relação de área de livre comércio com aquele país, evitando-se a admissão de uma quase ditadura no bloco, com todo o decorrente desgaste político daí advindo.
Acredito também que a entrada da Venezuela vai acelerar o fim de um bloco que já não vai nada bem. Agoniza devido à diminuta economia do Uruguai — que, por sinal, ainda é um belo parceiro para o Brasil —, à instabilidade política do Paraguai, ao protecionismo argentino e aos erros da política externa brasileira.
Nos últimos sete anos, o Brasil não lhe conferiu a devida prioridade, prese um homem como Ahmadinejad, que pensa em bomba atômica e nega o Holocausto, a fortalecer o Mercosul por meio de acordos com outro bloco econômico. A economia venezuelana andou para trás sob o governo chavista.
Vários empresários deixaram o país e seu único recurso natural, o petróleo, estiola-se. Hoje, devido a condições técnicas da PDVSA, a Venezuela produz menos petróleo do que quando Chávez assumiu o poder. Então, sob o ponto de vista econômico, não haverá nenhuma contribuição adicional ao bloco.
Nem se alegue também que Chávez passará e a Venezuela, não. Ele “é morrível”, como disse um senador.
Sim, sua pretensão, porém, é ficar no poder ad eternum. Deve ficar ao menos pelo tempo suficiente para enterrar o Mercosul. Por isso, num dos meus discursos no Senado, adverti que a aprovação do ingresso da Venezuela significaria convite simbólico à missa de sétimo dia do Mercosul.
Réquiem para ele.
É injustificável o ingresso da Venezuela de Chávez no Mercosul - O Globo
ARTHUR VIRGÍLIO, do Amazonas, é líder do PSDB no Senado.
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7 comentários:
A princípio eu tbm fui contra a entrada da Venezuela no Mercosul,mas depois que recebi alguns e-mails de amigos brasileiros que moram na Venezuela, entendi melhor a importância em aceitar o pedido de entrada da Venezuela como Nação no Mercosul e rejeitar Chavez como ditador.Chavez não é a Venezuela, ele está presidente da Venezuela e poderá deixar de ser, assim como Zelaya ele tbm poderá ser deposto.
O que o congresso nacional fez foi atender o clamor do povo Venezuelano.
Bell
Vai me desculpar, mas só podia mesmo ser brasileiro prá falar "em clamor do povo venezuelano para a entrar no Mercosul".
Pois eu leio todos os jornais daquele país e vejo a indignação dos venezuelanos nos fóruns e enquetes, com relação à aprovação da Venezuela no Mercosul.
Brasileiro, infelizmente, não tem moral prá querer falar o que é melhor para o povo venezuelano. Aposto que eles não enfrentam as porradas das milícias chavistas pelas ruas, junto com o povo, pq não devem passar por privações ou fome.
Que fique claro: o congresso que apoiou esta indencencia foram os capachos lulistas e as construtoras. Feriram termos e cláusulas sobre a condição democrática que deve preceder a aprovação de um país no bloco.
Esses que te contaram a esparrela por e-mail,para estarem por lá, num país que determina banhos de 3 minutos e não tem comida, com certeza estão se beneficiando das políticas chavistas. Deviam calar a boca antes de falar besteira!
Arthur,
Eu tbm acompanho via noticiário a luta do povo Venezuelano indo pra rua lutar contra a tirania Chavizta e mesmo apanhando o povo vai pra rua. Quem sabe agora as coisas não mudam?
Só pra concluir, meus amigos não são baba botas de nenhum governo e muito menos do Chaveco, são pessoas esclarecidas profissionais competentes e cultos o bastante para embasar opinião livre de puxaquismo.
Pq de outra forma não seriam meus amigos.Ha que se aprender a separar povo enquanto nação do fanatismo ideológico, Hugo Chavez assim como qq outro governante não é dono da Pátria.
Basta olhar para os que aprovaram a Venezuela no MERCOSUL: a base lulista do Congresso + empreiteiras - que receberão recursos dos BNDES para construir naquele país. A escória aprovou o governo bolivariano no bloco. E como nós conhecemos muito bem essa escória, obviamente que sabemos que ela não trabalhou para atender o clamor do povo venezuelano.
É só uma questão de botar os pingos nos "i"(s).
Bell, antes mesmo de escrever uma linha, eu começei usando a palavra "me desculpe"......mas quem emite uma opinião dessas, seguro que está preparado para ouvir réplicas.
Arthur,
e não pode mesmo ser de outra forma, pq do contrário não seria um forum de debates, vc tem opinião pessoal e eu tenho a minha opinião tbm.
Acho que um povo não tem que pagar pelos erros dos governantes, eu não defendo a entrada de Chavez no Mercosul, eu defendo a entrada da Venezuela como País.
Bell
A rejeição do ingresso da Venezuela no Mercosul em nada afetaria absolutamente em nada, as questões comerciais.
Mas seria antes de tudo, uma questão de respeito à chamada "cláusula democrática", à qual os países devem estar submetidos para participarem do bloco. E, no entanto, o governo bolivariano foi o que mais destroçou a instituição democrática na AL e cerceou a livre iniciativa.
Enquanto as mentes continuarem confusas, teimosas, continuarem buscando justificativas para apoiar a teoria dos tartufos, o Foro São Paulo continuará prevalecendo para o desespero de todos nós.
Nossa maior fragilidade somos nós mesmos
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