Número de militares mortos no Haiti chega a 18, diz ministro

Oficialmente, são 14 militares mortos e quatro desaparecidos

Mas o ministro da Defesa, Nelson Jobim, já considera esses desaparecidos como mortos. Ainformação é do repórter Rodrigo Alvarez, da TV Globo, que está no país.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ao repórter Rodrigo Alvarez, da TV Globo, que o número de militares brasileiros mortos no Haiti subiu para 18. O país da América Central foi atingido por um terremoto de magnitude 7 na terça-feira (12). Oficialmente, o Exército brasileiro diz que 14 militares morreram no Haiti. Jobim disse que é um eufemismo (uma maneira de suavizar a expressão) falar em sobreviventes neste momento. Portanto, o número de mortos chegaria a 18.

Além dos militares, também foi confirmada a morte da médica Zilda Arns,fundadora da Pastoral da Criança. O corpo dela chegou a Brasília na madrugada desta sexta-feira (15) e deve ser velado em Curitiba.

Na quinta-feira (14), o Exército informou também que 25 militares brasileiros ficaram
feridos e quatro estão desaparecidos. Os feridos devem chegar na tarde desta sexta ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Bom Dia Brasil


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Até o último boletim do Comando Geral do Exército, divulgado na noite de ontem, os mortos eram: o 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário, o 2º Sargento Davi Ramos de Lima, o 2º sargento Leonardo de Castro Carvalho, o 3º sargento Rodrigo de Souza Lima, os cabos Douglas Pedrotti Neckel, Ari Dirceu Fernandes Júnior e Washington Luis de Souza Seraphin, os soldados Tiago Anaya Detimermani, Antonio José Anacleto, Felipe Gonçalves Julio, Kleber da Silva Santos e Rodrigo Augusto da Silva, o subtenente Raniel Batista de Camargos e o coronel Emilio Carlos Torres dos Santos.

Entre os desaparecidos, três são lotados em Brasília: o coronel João Eliseu Souza Zanin, o tenente coronel Marcus Vinicius Macedo Cysneiros (do Gabinete do Comandante do Exército) e o major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho (do departamento-geral de pessoal). O major Márcio Guimarães Martins tem como base o Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio.

O coronel João Eliseu Souza Zanin foi, antes de ser transferido para Brasília, comandante do corpo de alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Campinas. Entre 2006 e 2008, foi responsável pela instrução militar dos cadetes. É casado e tem dois filhos.

Em nota à agência Estado, a esposa do coronel, Cely Zanin, afirmou que espera que o marido e os três oficiais que estavam com ele no momento do terremoto sejam encontrados com vida. "A dor é grande; a angústia, sem fim. Mas ainda tenho fé de que eles serão encontrados com vida e que voltarão para nossas famílias", afirmou no texto.

Outro desaparecido, o tenente coronel Marcos Vinicius Cysneiros segue a vida acadêmica na capital federal. É doutorando de História da Universidade de Brasília (UnB) e integra o grupo de estudos do Caribe.

O 2º Batalhão de Infantaria Leve de São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, vai realizar às 11h de hoje uma missa em homenagem ao cabo Ari Dirceu Fernandes Júnior e ao soldado Kleber da Silva Santos, mortos no Haiti. Segundo o tenente-coronel Carlos Fernando Vilanova, os corpos ainda devem demorar a chegar. Dos 14 militares mortos, 13 eram de batalhões de São Paulo e um de Brasília, o coronel Emílio Carlos Torres dos Santos, do Gabinete do Comando do Exército.

- No Haiti, há problemas de infraestrutura, o que pode dificultar o translado dos corpos - disse Vilanova.

O prefeito Tércio Garcia decretou luto oficial de 3 dias em São Vicente. As bandeiras do 2º Batalhão estão a meio mastro. A homenagem, restrita a famílias e convidados, ocorrerá na Capela Nossa Senhora Aparecida, que fica dentro do batalhão. No 5º Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, a 190 quilômetros da capital paulista, uma missa está marcada para a semana que vem. Dez militares mortos pertenciam a essa corporação. Eles foram para o Haiti há sete meses e estavam com passagem de volta marcada para esta semana. O grupo, de 150 pessoas, retornaria ao Brasil em oito etapas.

Segundo o tenente Pedro Perez Hoyer, do 2º Batalhão de São Vicente, os dois militares mortos da cidade faziam parte de um grupo de 100 pessoas que foram para o Haiti em junho. Fernandes Júnior, de 23 anos, e Santos, de 22, deveriam voltar ao Brasil no fim de janeiro. Segundo informações de colegas, Júnior e Santos estavam no Palácio Presidencial quando houve o desabamento. Ele faziam parte de um pelotão que participava da segurança do governo local. O 2º Batalhão de Infantaria de São Vicente se ofereceu para cobrir as despesas com o enterro dos dois militares.

Outra vítima, Rodrigo Augusto Silva, de 24 anos, do 5º Batalhão de Infantaria Leve de Lorena, se programava para voltar ao Brasil neste fim de semana. Ele era casado e tinha uma filha de 1 ano.

- A última vez que conversei com ele foi segunda-feira e falei "se cuida, meu filho" - disse a mãe do militar, Por Rosani da Silva. Catarina Alencastro e Wagner Gomes - O Globo

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