O 'ESTADO FRACO'
Na busca por justificativas para a conhecida baixa qualidade gerencial demonstrada nos investimentos, o Planalto escolheu o Tribunal de Contas da União como alvo.
Braço do Poder Legislativo, o TCU, de composição política, mas assessorado por técnicos, funciona como filtro na fiscalização dos gastos públicos. Cumpre importante papel.
Não é o que acha o Planalto — sempre às voltas com baixos índices de liberação efetiva de verbas para investimentos, quando não é atingido por sindicâncias do TCU sobre a malversação de recursos do contribuinte, o que leva à suspensão de obras, para irritação de autoridades. Editorial O Globo
Atento ao calendário eleitoral, o governo trabalha para fazer coincidir com a campanha uma consistente programação de inaugurações e respectivos palanques. Se visitas a canteiros de obras à guisa de vistorias têm sido convertidos em movimentados comícios, pode-se imaginar essas inaugurações. Em vez de buscar eficiência na execução dos projetos — a melhor forma de evitar embargos de obras —, o governo adotou uma linha truculenta: encomendou um projeto de lei para limitar a ação do TCU. O organismo perderia poderes para suspender obras em que houvesse indícios de desvios, de corrupção. As investigações seriam feitas a posteriori. É tão grave o teor da proposta — equivale a retirar a polícia das ruas — que o próprio ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, a considerou inaceitável.
“O projeto foi escrito por quem não tem vivência de controle”, afirmou, com acerto.
Registre-se que o mesmo governo em que há arautos do “Estado forte” e onipresente na sociedade passa a defender a ausência do poder público quando se trata de acompanhar e zelar pela aplicação do dinheiro do contribuinte. Esta é antiga distorção na vida pública brasileira: onde governos precisam ser eficientes e presentes — educação, segurança, saúde, fiscalização dos gastos públicos —, existe um deplorável vácuo.
Enquanto isso, o Estado coloca os músculos para funcionar onde não seria necessário: no excesso de impostos, na burocracia, entre tantas outras áreas. Para fiscalizar seus gastos, governo não quer ‘Estado forte’.
Na busca por justificativas para a conhecida baixa qualidade gerencial demonstrada nos investimentos, o Planalto escolheu o Tribunal de Contas da União como alvo.
Braço do Poder Legislativo, o TCU, de composição política, mas assessorado por técnicos, funciona como filtro na fiscalização dos gastos públicos. Cumpre importante papel.
Não é o que acha o Planalto — sempre às voltas com baixos índices de liberação efetiva de verbas para investimentos, quando não é atingido por sindicâncias do TCU sobre a malversação de recursos do contribuinte, o que leva à suspensão de obras, para irritação de autoridades. Editorial O Globo
Atento ao calendário eleitoral, o governo trabalha para fazer coincidir com a campanha uma consistente programação de inaugurações e respectivos palanques. Se visitas a canteiros de obras à guisa de vistorias têm sido convertidos em movimentados comícios, pode-se imaginar essas inaugurações. Em vez de buscar eficiência na execução dos projetos — a melhor forma de evitar embargos de obras —, o governo adotou uma linha truculenta: encomendou um projeto de lei para limitar a ação do TCU. O organismo perderia poderes para suspender obras em que houvesse indícios de desvios, de corrupção. As investigações seriam feitas a posteriori. É tão grave o teor da proposta — equivale a retirar a polícia das ruas — que o próprio ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, a considerou inaceitável.
“O projeto foi escrito por quem não tem vivência de controle”, afirmou, com acerto.
Registre-se que o mesmo governo em que há arautos do “Estado forte” e onipresente na sociedade passa a defender a ausência do poder público quando se trata de acompanhar e zelar pela aplicação do dinheiro do contribuinte. Esta é antiga distorção na vida pública brasileira: onde governos precisam ser eficientes e presentes — educação, segurança, saúde, fiscalização dos gastos públicos —, existe um deplorável vácuo.
Enquanto isso, o Estado coloca os músculos para funcionar onde não seria necessário: no excesso de impostos, na burocracia, entre tantas outras áreas. Para fiscalizar seus gastos, governo não quer ‘Estado forte’.
Nenhum comentário:
Postar um comentário