A POLÍTICA NÃO MORREU! QUE BOM!

Não existe vida inteligente temer os 76% de aprovação popular do Lula. É preciso contar, listar todas as canalhices do governo Lulista corrupto. O candidato à presidência José Serra está prosperando, elevando a política, quando resolve enfrentar sua adversária com a VERDADE dos fatos. Era a matéria que o nosso MOVCC procurava para oferecer aos nossos leitores. Um exemplo bastante claro e objetivo: imaginou a polícia enfrentar ladrões e criminosos, e elogiar seus feitos, por temer a população à idolatria ao banditismo? Onde já se viu isso? Movcc/Gabriela


A sabatina realizada ontem pela Confederação Nacional da Indústria com três presidenciáveis — José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT) — serviu para lembrar, e a gente até já estava com saudade, que a política ainda existe; que ainda é possível o exercício da divergência; que pode haver vida inteligente além dessa nova escolástica em que foram transformadas as pesquisa de opinião. De termômetro, régua, barômetro — escolha a sua metáfora — que servem como instrumentos de aferição, tornaram-se uma espécie de saber fechado: elas conteriam uma verdade revelada; tudo estaria contido nelas; e o que se diz, o que se pensa, o que se faz, o que se veste, tudo deve se submeter a seus registros.

A “culpa”, se assim se pode dizer, é menos dos candidatos do que, lá vou eu arrumar um pouco de confusão, do jornalismo político e econômico. Como Lula é um presidente popular, e se nota isso nas ruas (e, sobretudo, na régua, no termômetro, no barômetro…), então ele se torna o imperativo categórico da política — e, portanto, da morte da política. Todas as ações, as escolhas, as análises e as avaliações devem tê-lo como referência. Tudo se faria contra Lula ou favor de Lula. Como seu governo é aprovado, dizem os neo-escolásticos, por 76% dos brasileiros, criticá-lo ou a seu governo seria suicídio na certa.

Ficassem os “analistas políticos” na constatação desse risco, vá lá. Mas eles vão mais longe. Passam a funcionar como verdadeiros patrulheiros da ordem.
- “Ih, Fulano criticou a taxa de juros! Mas como pode ele criticar a taxa de juros se o governo Lula tem 76% de popularidade?”
- “Ih, Fulano criticou o real sobrevalorizado. Mas como pode ele criticar a sobrevalorização do real se Lula tem 76% de popularidade?”
- “Ih, Fulano afirmou que está havendo desindustrialização do país. Mas como poderia haver desindustrialização se Lula tem 76% de popularidade?”

Lula já fez digressões sobre as vantagens óbvias que nos adviriam se a Terra fosse quadrada. Por alguma razão que não ficou muito clara, parece que a poluição seria menor. Por exótica que seja a hipótese, ninguém deu muita bola. Já um político impopular estaria impedido até de assegurar que a Terra é redonda… Se Lula duvidar da existência da Lei da Gravidade, haverá quem diga: “É, essa lei tem pesos diferentes para quem é e para quem não é popular”.

Ontem, quem acompanhou a sabatina da CNI viu José Serra fazer críticas pertinentes — concorde-se ou não com elas — à gestão da economia e da administração, sem que tenha apelado àquela tão conhecida linguagem do PT de outros carnavais: tudo está errado; vivemos num vale de lágrimas; o desastre nos espreita, e os governantes que aí estão são safados e incompetentes. Nada disso!

Criticou o loteamento políticos das estatais — citou com ênfase o caso da Infraero — e das agências reguladoras, cuja natureza, atenção!, repudia, mais do que a de quaisquer outros órgãos, o loteamento; apontou deficiências de infra-estrutura decorrentes da má gestão — as estradas federais são exemplos escandalosos disso; lembrou os investimentos governamentais que ainda são ridiculamente baixos no país, em contraste com a elevação de gastos da administração; apontou o que considera desequilíbrio macroeconômico, que leva a um déficit gigantesco no setor industrial e ao risco de desindustrialização; defendeu uma reforma tributária, desqualificou um projeto aloprado apresentado pelo governo federal e reiterou, num ambiente especialmente hostil a taxas elevadas de juros, que o Banco Central não é a Santa Sé.

A pauta estava adequada àquele ambiente: a indústria. Certamente tem restrições e divergências em muitas outras áreas da administração, especialmente naquelas voltadas a políticas públicas. Inventava problemas? Tirou-os da algibeira pelo prazer da divergência? Atacou, em algum momento, o presidente Lula? Não, não e não. Quanto à última indagação, note-se: ainda que Lula fosse o mais impopular presidente da Terra, o ataque pessoal não daria em nada. O que interessava ali era debater políticas públicas. Marina, justiça seja feita, também apontou problemas (até Dilma o fez; já comento), mas confesso que ainda não entendo direito o que ela fala. E não estou sendo jocoso. Noto que ela tem um decálogo (é metáfora; seu decálogo deve ter uns 800 itens) de princípios que eu diria éticos, norteados pela sustentabilidade, mas ainda está na fase de “moralizar” a política, não de oferecer alternativas.

Curiosidade
O Serra que se viu ontem é aquele que, a esta altura, está consolidado aí na casa dos 35% a 38% dos votos e tem de avançar no terreno propositivo, expondo, para crescer, o que pode fazer de diferente e de melhor. Superou a largada — quantos foram os que anteviram um grande desastre nessa fase? —, em que qualquer crítica ao governo era logo tomada como ataque pessoal a Lula. E, como sabemos, ninguém podia ou pode desafiar o “imperativo categórico”.

Tenho certa curiosidade de saber como os jornais, que hoje abrigam a tropa de choque do lulismo, vão tratar as questões propostas pelo candidato na CNI. Confrontá-las com Lula é coisa de vigaristas. Ele não é candidato — tampouco Serra está propondo desconstruir seu governo. O embate honesto é aquele que está dado na realidade dos fatos: com Dilma Rousseff, que é a candidata do PT e do presidente Lula.

Concluindo
Fiquei satisfeito de saber que ainda se pode fazer política no país e que a divergência, ao menos por enquanto, não é crime. Quanto a Dilma, dizer o quê? Sua fala seguiu um roteiro-leitura, às vezes articulado, de números. Os vídeos estão por aí. A característica que acho mais notável em sua expressão é o raciocínio que se desenvolve em camadas, que costumo chamar de “discurso cebola”: a maior envolve a menor, sem conexão entre si. No capítulo da reforma tributária, sua fala chegou a ser curiosa: ficou a um passo de culpar o governo. Só não o fez porque se lembrou, afinal, de que era ela o governo naquela sabatina.

Um pouco de política, enfim! Não deixou de ser uma boa notícia!

Um comentário:

bellzinham@hotmail.com disse...

Quem tem cultura não precisa de lavar roupa suja de ninguém. Aponta os erros e apresenta solução e é isso que Serra está fazendo e tbm não adianta atacar Lula, pq ele não é candidato. Lula é passado e pelos resultados das últimas eleiçoes municipais, ele não transfere voto para ninguém. O PTB já caiu fora e acaba de fechar com o PSDB. Um palanque a menos para Dilma do Lula. Quanto menos se falar em Lula é melhor, pq bem ou mal quando se fala em Lula esquece objetivo principal que é candidato Serra que está concorrendo a vaga pela oposição.76% de aprovação do Lula vem da povança pobre e os emergentes,mas quem tem dinheiro para bancar campanha são os empresários.