As afirmações feitas hoje pelo delegado aposentado Onézimo Souza são evidentemente muito graves e evidenciam que tipo de gente anda metida no processo eleitoral. O dossiê que preparavam contra o tucano José Serra, Onézimo deixa claro, é coisa da delinqüência de aluguel, de gente que costuma percorrer vários artigos do Código Penal. São os marcolas de gravata — eventualmente um pouco menos lidos do que o chefe do PCC. Que sejam contratados por um partido, eis um sinal da degradação da política.
No artigo em que resolveu aderir ao gênero parabólico-didático (ver post da madrugada), Elio Gaspari não disse o que pensa a respeito desse procedimento. Fiquei sem saber se ele considera isso uma tentativa de usar a “mão de Deus”, como fez Maradona, ou se acha que é coisa mesmo de craque. Tenho para mim que é prática de gente que renuncia às regras do jogo em benefício da pistolagem.
E agora notem: do ponto de vista institucional, o caso envolvendo Eduardo Jorge Caldas Pereira é ainda mais grave: seu sigilo fiscal foi quebrado e entregue à bandidagem. E isso não se faz sem a participação de um servidor público graduado. Não é qualquer um que chega, acessa o computador e pronto: pega o que lhe interessa.
Nesse caso, trata-se de usar a máquina do estado contra um cidadão — e um cidadão que desperta especial interesse do poder de turno. No caso, é o vice-presidente do principal partido de oposição. Hoje ele se chama Eduardo Jorge, um dirigente partidário. Mas já se chamou Francenildo Pereira e trabalhava como caseiro.
Que importa? O regime não discrimina ninguém. Basta que o sujeito incomode, ele tem seus direitos igualmente violados, pertença, como diria Gaspari com sua sociologia de elevador, ao “andar de cima” ou ao “andar de baixo”. É a democracia, gente!!!
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