O andor de Bezerra não vai livrar Pimentel da procissão dos pecadores federais


O caso está encerrado, decidiram Dilma Rousseff e Fernando Pimentel, ambos grávidos de ansiedade pelo pronto engavetamento das histórias muito mal contadas que envolvem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O caso está mais aberto que nunca, avisa o artigo de J. R. Guzzo na última página da mais recente edição de VEJA, reproduzido na seção Feira Livre. Como registra o autor, a chefe de governo ─ provavelmente animada com as festas da virada do ano ─ incorporou os três Poderes para dispensar de quaisquer esclarecimentos o velho parceiro de comunismo & clandestinidade. “Se quiser falar, ele fala”, resumiu o neurônio solitário. “Se não quiser, ele não fala”. Má ideia, alerta o texto de J. R. Guzzo.

Se optar pela mudez seletiva, Pimentel vai anexar uma silenciosa confissão de culpa à pilha de provas e evidências que o incriminam. São mais que suficientes para saber-se que o primeiro escalão federal abriga um ex-prefeito de Belo Horizonte que, até virar ministro, embolsou pelo menos R$ 2 milhões traficando influência com a fantasia de “consultor”. Como a fila dos vigaristas federais não para de andar, o ministro e a presidente parecem acreditar que o andor de Pimentel já cruzou a zona de turbulência e foi substituído pelo que hospeda o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

Logo saberão que se enganam. No momento, o pernambucano que combate inundações no Sudeste com obras em seus currais eleitorais no Nordeste lidera a luta por espaço no noticiário. Mas o duelo será equilibrado por mais um lote de revelações sobre o ministro do Desenvolvimento que não consegue explicar o próprio desenvolvimento financeiro. Caso tivesse juízo, Dilma aproveitaria a fantasia da “reforma ministerial” para livrar-se do duplo abraço de afogado. Como não tem, a presidente talvez prefira manter no emprego esses anões morais paridos pela Era da Mediocridade.

Faz sentido. Onde o país decente enxerga dois sócios remidos do clube dos cafajestes, Dilma vê apenas um par de patriotas com a cara do Brasil que reinventou em parceria com o padrinho Lula. Nesses trêfegos trópicos, o cinismo eleitoreiro e a ganância de agiota são virtudes.

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