Denúncia: Lavagem Verde


           
Enquanto os olhos do mundo estão no Rio de Janeiro, preocupados com os caminhos que a humanidade deve trilhar para sobreviver aos seus próprios atos, o Instituto Inhotim usa credenciais oficiais para andar na contramão da história e ser o primeiro jardim botânico do Brasil (talvez do mundo) a usar a máquina pública para justificar crimes ambientais. O festejado museu mineiro,  que mistura arte e meio ambiente em um contexto quase idílico, dá indícios que seus bastidores não são assim tão belos. Os fatos descritos a seguir já circulam nas redes sociais, mas por razões desconhecidas ainda não foram apurados pelos meios convencionais da imprensa.

           Na primeira quinzena de maio, uma expedição oficial do Inhotim foi flagrada retirando três carretas de uma palmeira nativa (buritirana) de uma área da nascente do Rio Matias em Cavalcante, norte de Goiás.  Populares fotografaram esta retirada, que foi amplamente divulgada pelo Facebook e outras redes sociais. Ao ser questionada pelo órgão ambiental local, a equipe (oficialmente chefiada pelo biólogo Pablo Hendrigo Alves de Melo) apresentou uma suposta autorização de "coleta para pesquisa" expedida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Este fato foi seguido de protestos de ONGs locais, que questionaram a relevância científica da retirada de tantas plantas em uma área que sequer estava sujeita a nenhum empreendimento construtivo.  Além disso, questionou-se que quaisquer atividades de alto impacto em nascentes (que são Áreas de Preservação Permanente) pediriam autorizações específicas, não apresentadas pela equipe. Mas o que mais chamou atenção foi a apresentação de uma autorização formal (usualmente emitida para autorizar a retirada de amostras científicas) para justificar a retirada suspeita de plantas em uma escala "superfaturada", o que soou como premeditação.  O episódio gerou repúdio de vários setores da sociedade, inclusive de antigos colaboradores do Inhotim.

           Em resposta à repercussão pública do episódio, no dia 11 de junho de 2012, a diretora do Inhotim  Roseni Rosângela de Sena foi à Cavalcante desculpar-se e prometer compensação ao município pelo ocorrido. Após ouvir em silêncio as reclamações, a diretora (que não tem formação na área ambiental) se resignou a repetir evasivamente que o ocorrido estava "dentro da lei", e que as plantas não seriam usadas para o paisagismo. Segundo ela, o único erro do Inhotim foi não ter informado às autoridades locais sobre a retirada das plantas.  O episódio serviu para demonstrar que: (a) ou o Inhotim desconhece completamente as leis ambientais brasileiras, apesar de estranhamente se utilizar de autorizações espúrias; ou (b), o ato tinha como objetivo "acalmar" a comunidade local para que nenhum encaminhamento posterior seja feito.  De qualquer forma, a visita da diretora do Inhotim  à cidade de Cavalcante sem que provas documentais da legalidade do episó
dio sejam apresentadas indicam que a segunda teoria é mais plausível.  Ainda mais estranho é o fato do diretor de Meio Ambiente do Instituto Inhotim, Joaquim de Araújo Silva (um experiente técnico com doutorado na área ambiental) em nenhum momento se manifestar publicamente sobre o ocorrido.  Parece que quem sabe o que faz não põe sua mão no fogo.

           O Instituto Inhotim foi criado e é mantido pelo milionário da mineração Bernardo de Mello Paz. Os jardins são considerados  por alguns os mais belos do mundo e recentemente a instituição foi reconhecida como um jardim botânico pelo Ministério do Meio Ambiente.  Entretanto, tal reconhecimento parece não ter sido seguido por uma conduta adequada, mesmo recebendo vultosos recursos econômicos dos governos federal e estadual para a área ambiental. Recentemente o Inhotim conseguiu da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais recursos na ordem de R$ 2.347.827,20 (conforme DOU de 20 de janeiro de 2012, página 168), para um projeto de "Controle do Clima". Aliás, o secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais do governo Aécio Neves, Alberto Duque Portugal, saiu direto desta secretaria para trabalhar como diretor de inovação do Inhotim. Já o secretário atual, Nárcio Rodrigues, é amigo pessoal de Bernardo Paz, que financiou até uma de suas festas de aniversário.  Parece mesmo que o clima está sendo bem controlado!

           Ainda no começo deste ano, surgiram indícios de um outro episódio controverso. O Inhotim teria sido acusado de retirar plantas ameaçadas de extinção para utiliza-las em seu paisagismo. Circula em Minas Gerais que em janeiro a instituição foi procurada pelo IBAMA para explicar a compra de palmeiras ameaçadas de extinção.  Ao que tudo indica, a notificação serviu apenas para indicar um caminho para "esquentar" a retirada de plantas da natureza, sem maiores consequências para o Inhotim.  Em plena Rio  20, o anti-exemplo brasileiro mostra que a sociedade ainda não está preparada para separar ações ambientais verdadeiramente comprometidas de uma elaborada "lavagem verde".  Esperamos que, pelo menos, usem detergente biodegradável!


http://afavordecavalcante.wordpress.com/2012/05/10/inhotins-vem-a-cavalcante-se-explicar-pela-remocao-de-palmeiras/
(visita dos diretores à Cavalcante):

http://afavordecavalcante.wordpress.com/2012/06/12/667/
(dois milhoes da secretaria de ciencia e tecnologia de MG para o Inhotim)
http://www.jusbrasil.com.br/diarios/33758568/dou-secao-3-20-01-2012-pg-168

(ex-secretario de ciencia e tecnologia de MG é diretor do Inhotim)
http://www.inhotim.org.br/index.php/noticia/view/606/observatrio_das_guas

(amizade entre Bernardo Paz e Nárcio Rodrigues, secretário de ciencia e tecnologia de MG)
http://www.revistaviverbrasil.com.br/impressao.php?edicao_sessao_id=148


10 comentários:

Anônimo disse...

Parabens pelo post. O mundo de olho na Rio+20 e o Inhotim trabalhando na surdina para seus interesses próprios. É muita corrupção para uma instituição só!!! Mas que você espera quando mistura a turma do mensalão com o paisagista da Casa da Dinda!!!!

Murilo Salvador disse...

Não acredito que paguei para entrar neste lugar. DÁ NOJO... Tem outro post nesse blog. Vejam:

http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2011/12/denuncia-paraiso-da-corrupcao.html

Mas não entendo... Com a Rio +20 acontecendo ninguém fala nada sobre isso.

JoNaS MaNgÁ disse...

INHOTIM = CORRUPÇÃO. BERNARDO PAZ DEVIA ESTAR PRESO, NAO DANO ENTREVISTA.

100NOÇÃO disse...

lamentável. nessa hora tenho vergonha de ser brasileira mesmo morando no exterior.

Anônimo disse...

AUDITORIA AMBIENTAL PARA O INHOTIM!!!!
INTERVENÇÃO PÚBLICA AGORA!!!!!!
CHEGA DE LAVAGEM VERDE!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Inhotim (s.m.) - Palavra de origem tupi-guarani que significa lavagem (`inhô) verde (`tim). Era usado pelos indígenas para descrever o homem (muito) branco que destruia o mundo inteiro para esverdear o próprio quintal.

Cassio Malta disse...

Ih gente, esse país não tem jeito não. Vocês aí denunciando e eu vi que já tem um negócio que chama "amigos do inhotim" onde as pessoas dão dinheiro para eles. Vi Marilia Gabriela, Izabella Teixeira (ministra do meio ambiente), Serginho Groissmann e outras "grandes celebridades" falando maravilhas do Bernardo Paz. Quem tem dinheiro não tem inimigos.

Justiceira disse...

A verdade sempre aparece... Saiu na internet uma nota do ICMBIO...

NOTA ICMBIO

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informa que não concedeu autorização ao Instituto Cultural Inhotim, com sede em Minas Gerais, para fazer coleta de exemplares da espécie de palmeira buritirana (Mauritiella armata) em Área de Preservação Permanente (APP) no município de Cavalcante (GO).

Primeiro, pelo fato de que a palmeira buritirana (Mauritiella armata) não consta da lista de espécies ameaçadas de extinção, prescidindo, portanto, de autorização para a sua coleta com fins científicos.

Segundo, porque a retirada de flora em APP é proibida por lei (Lei 9.605/1998, artigos 38 e39), sendo considerada crime contra o patrimônio natural, com o qual o ICMBio jamais compactuaria.

O ICMBio esclarece que emitiu apenas autorização para a coleta de material biológico de espécies da família de palmeira Arecacea no entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, mas que essa autorização não abrangia APP.

Por fim, o ICMBio confirma ter recebido denúncia de que o Instituto Inhotim estaria fazendo a retirada ilegal da palmeira buritirana (Mauritiella armata) em APP, no município de Cavalcante.

Diante disso, o ICMBio tomou as providências necessárias para a apuração dos fatos e a responsabilização dos autores, caso venha a ser confirmada a denúncia.

Anônimo disse...

Essas informações são completamente sensasionalistas e tem a intenção de desmoralizar Bernardo Paz e o instituto, inhotim é motivo de orgulho para os Brasileiros é uma das instituições mais respeitadas do Brasil no exterior além de que os recursos naturais extraídos legalmente continuam no Brasil ao contrário de empresas que retiram espécies nativas e exportam para Europa e Emirados Árabes Unidos.

Solano disse...

O Sr. Anônimo acima deve estar brincando. Bernardo Paz é um escroque envolvido com a Máfia do Carvão (pela Seplasa, empresa do seu grupo ITAMINAS), lavagem de dinheiro, lavagem verde, trabalho escravo e trabalho infantil... Perto dele, seu irmão Cristiano Paz (25 anos de cadeia pelo mensalão) é só uma criança travessa. O Inhotim pode ser admirado como uma obra de arte, mas nunca respeitado como uma instituição séria...