São
muitos os espantos dos últimos dias –as alianças estranhas, a meia-sola dada
pelo petismo no Maluf, o Valdemar transformado pelo tucanato em herói da
resistência… Embatucado, o eleitor se pergunta: onde termina o caos e começa o
pântano? Numa tentativa de ajudar, o blog elaborou um guia básico de
sobrevivência na selva de 2012. Vai abaixo:
- Candidato: um político cego que, cheio de pontos de vista, tenta convencer uma
multidão de idiotas a delegar a resolução dos seus problemas a um único
cretino. Fala todas as línguas. São poucos, porém, os que o entendem. É
perigoso e anda armado. À menor desatenção, ele saca sua lábia 171. Quando
ouvir um candidato falar em integridade ética e princípios morais, cuidado com
a carteira.
- Coligação:
quadrilha de partidos políticos. Junção de legendas que se acham admiráveis com
agremiações que consideram abomináveis. União que faz a farsa. Quanto maior o
bando, maior o arsenal eletrônico. Toma de assalto a tevê e rouba a cena na
sala de sua casa. Com um mínimo de atenção você verá que o caminho do inferno
já não está calçado de boas intenções. O diabo mandou refazer o calçamento com
o apoio da lei eleitoral e o patrocínio da isenção tributária que torna o
empreendimento gratuito.
- Programa
de governo: documento que anota coisas definitivas sem definir as coisas.
Trança projetos e cifras e tece com eles uma teia de indecifráveis silogismos.
Lembre-se: em terra de cego quem tem um olho é menos imbecil. Tente identificar
na peça a senha pra caverna de Ali-Babá. Ela está escondida atrás das previsões
de despesas que vão sair pelo ladrão.
- Marketing
político: a arte de construir a imagem de um candidato contando mentiras
completas a partir de meias verdades. Alguns tornam-se tão inocentes e
virtuosos que, quando você compara com os antagonistas pecaminosos, lembra das
virgens de Sodoma e Gomorra.
- PT:
o pudor que abandonou a história pra cair na vida. Agora, a legenda dá como
todos as outras. Mas é a única que ainda fica vermelhinha.
- PSDB:
Partido da Salvação de Depravadas Biografias. Em São Paulo, acaba de conceder
ao mensaleiro Valdemar Costa Neto um prontuário novo.
- Lula:
um líder que jamais nega a ninguém o direito de concordar inteiramente com ele.
Luta por uma boa biografia ao mesmo tempo que cuida da unidade dos petistas,
que querem o poder, não um bom nome. Eletrificador de postes, já não lhe dói a
idéia de fazer o papel de Falstaff
numa ópera em que o penúltimo ato é o Maluf.
- Paulo Maluf: neo-amigo do rei, descobriu-se na Pasárgada que sempre sonhou. Uma
terra em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo.
-
Brasil: um belo
ponto no mapa, ideal para erguer uma nação.

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