Abaixo, publico um vídeo do
programa paraguaio “AAM (Algo Anda Mal)”, transmitido pela Teledifusora
Paraguaya, Canal 13. Tem 28 minutos, mas não é preciso ver tudo, não. Até
porque alguns trechos são falados em guarani. Não sei como anda a fluência de
vocês nessa língua… Mas há momentos de uma estupefaciente eloquência. O filme,
vocês verão, tem um nítido sotaque de esquerda. Mesmo assim, ele deixa claro,
de maneira escandalosa, o que era o governo Lugo. Acho que seria conveniente
ler primeiro o texto que se segue ao filme, em que explico e comento as circunstâncias.
Facilita o entendimento. Mas vocês podem escolher, também, fazer o contrário.
O texto
Os primeiros três minutos expõem as circunstâncias da
tragédia, inclusive o momento em que os policiais, na sexta-feira, dia 15, são
recebidos a bala pelos sem-terra sem que tivessem dado um único tiro. Estavam
lá para executar uma ordem judicial de reintegração de posse. A terra,
oficialmente, pertence ao milionário e político Blas Riquelme, mas essa posse é
contestada. Ouve-se o primeiro tiro aos 2min25s. A chuva de balas se estende
até os 3 minutos. Seis policiais foram assassinados. Na reação das forças de
segurança, morreram 11 invasores.
Muito bem. Lugo, informa o repórter, anunciou ao país
e ao mundo que a área tinha sido tomada pelas forças de segurança e que o
governo se mobilizara para prender os responsáveis pela tragédia. Será?
No sábado, a equipe do “AAM” chegou ao local do
conflito. LUGO HAVIA MENTIDO DE MODO MISERÁVEL AOS PARAGUAIOS. Não havia
polícia nenhuma no terreno! Não havia soldados do Exército. Um único carro
estava na área. A população, por sua conta, acompanhada pela TV, decidiu entrar
no terreno onde se dera a matança.
Ora, àquela altura, a área já deveria ter sido
rigorosamente isolada pelas forças de segurança para permitir o trabalho da
perícia… Mas quê!!! À medida que repórter e moradores avançam, vão aparecendo
rastros de sangue, até que se deparam com dois corpos. A cena do crime, é
visível, foi escandalosamente mexida. No local em que estão os cadáveres, não
há sangue, num sinal evidente de que ali não morreram. Seus corpos foram
provavelmente arrastados. Podem ter sido mortos pela polícia; podem ter sido
mortos pelas próprias lideranças do movimento, que assumiu características
claramente terroristas no Paraguai. Uma coisa é certa: ao demorar quase 24
horas para ocupar o local, o governo deu tempo para que os assassinos dos
policiais fugissem. Num momento grotesco, políticos
locais aparecem para tirar uma cascuinha do episódio e fazer discurso ao lado
dos corpos.
Este era Fernando Lugo. Enquanto isso, os meios de
comunicação anunciavam ao país que a região estava ocupada pelo governo e que
todas as providências estavam sendo tomadas. Não, senhores! O impedimento
político é pouco para Fernando Lugo! O Paraguai precisa responsabilizá-lo
criminalmente pela tragédia. Eis o grande líder que está a arrancar lágrimas de
comoção dos governantes sul-americanos (é compreensível) e de alguns bobalhões
na imprensa brasileira, esta boa gente “progressista” que só se comove com
cadáveres quando os governos são “de direita”. Se forem de esquerda, os
presuntos, afinal, são parte da luta, não é mesmo? Convenham: se a “libertação”
da China custou 70 milhões de mortos, por que a do Paraguai não pode custar uns
16 cadáveres de vez em quando, não é?
Mesmo num vídeo com sotaque claramente à esquerda, dá
para constatar a picaretagem do governo Lugo. Não! Ele não agiu para prender os
responsáveis pelos crimes, que são seus aliados políticos. Ele atuou para que
escapassem. Na hipótese benevolente, é “mau desempenho de sua função”, o que
rende impedimento. Na hipótese severa, é crime mesmo! Deveria render cadeia!
Nenhum comentário:
Postar um comentário