O “novo homem” Haddad tenta juntar no mesmo palanque os velhos adversários Erundina e Maluf
O PT resolveu dar uma roupagem virtuosa àquilo que é
um preconceito — e isso não é novidade na campanha eleitoral do partido em São
Paulo. Fernando Haddad é apresentado como um “novo homem para um novo tempo”.
Um dos objetivos, é evidente, é chamar o tucano José Serra de “velho”. Ele está
com 68 anos. Dilma, que tem a mesma idade de Lula, estará com 67 quando
disputar a reeleição, daqui a dois anos. Serra é de 1945; ambos são de 1942. A
diferença é de apenas três anos.
Não obstante, o petismo acha lícito associar, de forma
malandra, a “velhice” ao adversário. A tirada preconceituosa atingiu Marta
Suplicy, também de 1945. No Programa do Ratinho, Lula acabou tratando a
“companheira”, alguns meses mais jovem (ela é de março; ele, de outubro; Dilma,
de dezembro), como coisa do passado. Foi grosseiro. A ex-prefeita ficou de tal
sorte irritada que não entrou até agora na campanha. Se vai resistir à pressão,
não sei.
O “novo homem” Haddad, não obstante, foi buscar uma
“velha mulher” para vice, a ex-companheira Luíza Erundina (PSB), que faz 78
anos em novembro. Pretende, com ela, emprestar um pouco de “experiência” à
chapa e conferir à sua candidatura o que até agora ela não tem: um viés
popular.
Mas não é só essa “experiência” que os petistas
buscam, não! Outro macaco velho da política paulistana está sendo atraído “pelo
novo homem” Fernando Haddad: Paulo Maluf, que completa em setembro 81 anos de
pura, como posso dizer?, esperteza. Dilma acaba de lhe dar uma secretaria do
Ministério das Cidades, conforme ele reivindicava, em troca do seu 1min30s de
tempo na TV. O apoio não está ainda sacramentado, mas é muito possível. Eis o
aspecto mais perverso do horário eleitoral gratuito: virou mera moeda de troca.
Bem, uma excrescência autoritária como essa não poderia mesmo dar em boa coisa.
Assim, o “novo homem” Haddad pretende construir “um
novo tempo” com dois passados tão conflitantes como os dos adversários
históricos Erundina e Maluf. Se o deputado do PP aderir mesmo à campanha de
Haddad, vamos ver como se comporta Marta Suplicy, que já o chamou de “o
nefasto” em passado nem tão distante.



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