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É
curioso, mas até aquele momento eu jamais me dera conta do que significava
matar um homem saudável e consciente. Quando vi o prisioneiro pisar de lado
para desviar da poça d'água, percebi o mistério, a injustiça execrável de
interromper uma vida no auge. Aquele homem não estava agonizando, estava tão
vivo quanto nós.
[...]Ele e
nós éramos um grupo de homens caminhando juntos, vendo, ouvindo, sentindo,
percebendo o mesmo mundo; e em dois minutos, com um estalo súbito, um de nós
partiria --uma mente a menos, um mundo a menos.
George Orwell,
"Um Enforcamento"
A Manhã nasce
escura e quente em Robat Karim, cidade-dormitório 30 quilômetros a sudoeste de
Teerã, onde uma pequena multidão começa a se aglomerar em frente à delegacia.
Uma barreira de metal separa a massa do estacionamento, e os policiais cercam
dois caminhões, cada um deles equipado com um imponente guindaste na
carroceria.
O burburinho
irrompe quando se abre o portão. Homens encapuzados saem do prédio, puxando
pelo braço um homem baixinho e grisalho, algemado nos pés e nas mãos; logo mais
surge o segundo. Ambos ficam postados ao lado dos caminhões por alguns
instantes, sob a mira de câmeras e celulares.
O baixinho parece
travado de tensão e não abre a boca. O outro sorri e faz piada com os
policiais, que mal respondem.
Sob os primeiros
raios de sol, um alto-falante estourado lista as acusações e anuncia a sentença
capital contra os dois homens. O primeiro seria um traficante de drogas
reincidente. O segundo, técnico eletricista, foi acusado de estuprar mulheres
ao ir prestar serviços em suas casas.
O silêncio se instala
quando os homens de capuz preto acomodam cada um dos condenados no alto dos
patíbulos, improvisados na caçamba dos caminhões com tambores de combustível. O
alto-falante agora entoa suratas (versículos) do Corão. Leia mais aqui

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