Insatisfeitos, militares convocam protesto por dois lados na Comissão da Verdade. Marcelo Machado, sargento reformado do Exército e um dos organizadores do ato marcado para o próximo dia 11, diz que onda de insatisfação pode gerar motins nos quartéis

Vasconcelo Quadros - iG São Paulo 

Presidente da Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB), o sargento reformado do Exército, Marcelo Machado, um dos articuladores da reação da direita às investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) afirma que uma onda de insatisfação no meio militar pode gerar motins nos quartéis em protesto contra o governo e em resposta a “passividade” com que, a seu ver, têm se comportado os comandantes das Forças Armadas.
“O governo está usando a Comissão da Verdade para desmoralizar as Forças Armadas. Somos favoráveis à apuração da tortura e desaparecimentos de presos políticos, mas também queremos que se investiguem os sequestros, assaltos e explosões de bomba envolvendo a esquerda. Tem de mostrar os dois lados”, diz Machado.
Segundo ele, mais de 95% dos efetivos militares são formados por jovens que tomaram conhecimento dos anos de chumbo pela leitura de livros oficiais e que agora – diante das novas revelações – podem ser induzidos a entender a história da luta armada apenas pela versão da esquerda. Ele diz que os militares e policiais que atuaram contra as organizações que pegaram em armas cumpriram ordens.
“É como uma panela de pressão. Sem válvula de escape, explode. Além do sucateamento das Forças Armadas e dos péssimos salários, os militares estão sendo humilhados. A insatisfação dentro das unidades militares é generalizada. Tenho recebido reclamações e informes de que pode ter motim”, afirma Machado. Segundo ele, o Rio de Janeiro é o principal ponto de insatisfações do país.
A mobilização de militares está sendo coordenada pela ANMB e por outra entidade correlata, a União Nacional das Esposas de Militares (UNEMFA), que pretendem reunir mais de três mil pessoas em Brasília no próximo dia 11 num evento que vem sendo organizado como a primeira manifestação pública contra os rumos das investigações CNV.
A lei que criou a CNV – que não tem poder de punir nem de produzir peças processuais – restringe as investigações aos crimes praticados por agentes da ditadura. As ações de militantes da esquerda armada (sequestros, assaltos e assassinatos), segundo entendimento do governo e dos integrantes da CNV, representaram resistência ao regime ditatorial e já foram punidos com prisões, condenações e banimento durante o período de repressão.
“A manifestação é uma reação democrática da família militar contra o revanchismo. Não terá nenhum caráter partidário”, garante Machado. Até entrar para a reserva, ele era terceiro sargento do Exército no Rio. Além do comando da entidade, Machado é também presidente do diretório municipal provisório da Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que sustentou a ditadura militar e está sendo reestruturado no País pela estudante gaúcha Cibele Baginski.
Machado diz que as entidades representam cerca de 5, 2 milhões de militares ativos e inativos das Forças Armadas, corpos de bombeiros e polícias militares de todo o País.
As reações contra as investigações sobre os crimes da ditadura começaram no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com declarações de dirigentes dos clubes militares e dos comandantes das Forças Armadas contra o lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, em 2009.
Para tentar estabelecer contraponto, a direita editou e passou a distribuir o Orvil (livro ao contrário) em que listou os atos da esquerda armada segundo a versão da polícia e dos militares que atuaram na repressão.
Com a instalação da CNV, no ano passado, as reações da direita passaram a ser mais ostensivas, mas estavam restritas a declarações de dirigentes dos clubes militares, insistindo sempre que as conclusões só terão a verdade que a esquerda quer.
Os militares acham que o objetivo da CNV é pressionar o Supremo Tribunal Federal a aceitar a revisão da Lei da Anistia para abrir possibilidade de punição aos agentes acusados de tortura, assassinatos e ocultação dos corpos de desaparecidos no período.
O ato programado para o próximo dia 11 é a primeira manifestação em que os militares saem às ruas para protestar. “Já pedimos apoio da PM do Distrito Federal e faremos tudo dentro da lei e da ordem. As despesas serão bancadas individualmente por cada manifestante e ninguém está autorizado a usar camiseta ou qualquer objeto que caracterize partido político”, afirma Machado. A ANMB e UNEMFA, no entanto, estão alinhadas politicamente à Arena.
“A manifestação não é um ato do partido, mas estamos liberando os companheiros que quiserem participar”, afirma Cibele Baginski. Segundo ela, o partido é de direita, representa as correntes nacionalistas e conservadoras, combate “a parcialidade” da CNV, mas agirá dentro da ordem democrática. “Descartamos qualquer radicalismo”, garante a estudante.

5 comentários:

Cleber Rodrigues disse...

O PT QUER ENFRAQUECER AS FORÇAS E ARMADAS, ACABAR COM A FAMILIA E CRIAR UMA DITADURA NO BRASIL, ENCAIXE AS PEÇAS DO QUEBRA-CABEÇA E VERÁ QUE ISSO É A MAIS PURA VERDADE!
FORA PT!!!!

Anônimo disse...

Cibele Baginski da Arena? hahaha Este partido foi criado a serviço da própria comunalha, que resolveu ocupar o vazio no espectro político criando uma CARICATURA da Direita. Arena foi criado para ridicularizar a Direita. E a beócia da Cibele foi do PCdoB, já posou na foto ao lado do tarso, do olívio dutra, do renato rebelo, da manuela d’avila, etc. Sem falar que ela declarou publicamente seu agradecimento ao Lula, por ele ter criado o Prouni - já que ela é bolsista do programa.

Já tô até vendo as chamadas nos jornais: ”neoarenistas", partido que, outrora, teve Sarney como um de seus PRÓCERES, saí às ruas para exigir que o desgoverno mostre os “dois lados” na CV.

Agora sim, que o Ustra se fode de vez!

Anônimo disse...

Não, eu não tô blefando. Vai lá, no Antonio, no Blogando Francamente. Ele tem um belo material publicado sobre essa oportunista do c*.

Nicéas Romeo Zanchett disse...

Até que enfim apareceu alguns militares que se mostram. Dava-nos a impressão de que estavam com medo dessa "comissão da mentira" inventada pelo PT. O Brasil precisa de um novo Castelo Branco.Alguém tem que fazer alguma coisa enquanto há tempo. Nosso país se transformou em terra sem lei. Assaltos, estupros e vans e ônibus, cidades tomadas por criminosos, turistas mortos por bandidos, crianças matando impunemente,políticos roubando à vontade, inflação de volta e tudo mais... Já não dá mais para suportar. Amo a democracia, mas a nossa é uma farsa. Precisamos de um general na presidência do Brasil. Pelo voto não conseguiremos salvar a verdadeira democracia. Não se trata de golpe,mas de restabelecer a democracia que ele destruíram.Que volte o Regime Militar, e de pressa. NÃO CONHEÇO MILITAR DAQUELE TEMPO QUE TENHA ENRIQUECIDO. Os novos donos do poder estão todos ricos.
Nicéas Romeo Zanchett

Renan disse...

ESSA COMISSÃO DA VERDADE NÃO PASSARIA DE UMA FORRA EM CIMA DAS FORÇAS ARMADAS!
E dar neles um arrocho por os ter combatido, isso seria o fato!
O desejo de todo governo comunista antes de mais nada é extinguir a policia e exército por milícias formadas por cidadãos obedecendo a ordens apenas do governo que ainda os sustenta e os comandantes gerais seriam apenas os membros dos partidos, todos os mais capachos para fazerem o que eles quiserem, semelhante em Cuba, que tem o exército mas sob o comando único de Fidel Castro.
Hitler era presidente e comandante supremo, assim na antiga união Soviética o países comunistas o presidente do partido é o chefe absoluto de todos, incluindo-se das forças armadas.
Ajudou também nesse processo de comunização do Brasil não só os eleitores do PT mas a ala esquerdista da CNBB desde dom Hélder e associados a ele e da marxista Teologia da Libertação.