Oliver: O poder público é uma festa e é você quem paga a conta. Já viu um otário hoje, sustentando esses vagabundos? Se olha no espelho.

Augusto Nunes - Veja Online

VLADY OLIVER

Ser decente, neste país, é sinônimo de ser otário. O poder público é um lixo. Joga nas costas do cidadão de bem as políticas públicas que não é capaz de implementar, porque está muito ocupado nos roubando. Os exemplos abundam por ai. Coleta seletiva? Fácil. Obriga o cara a “ser consciente” e separar sua latinha, sua garrafinha e seu papelzinho de dejetos que a gente mistura tudo de novo num caminhãozinho único de coleta e depois paga alguém para separar tudo de novo. Economia de água? Faz o cara se urinar todo no banho para economizar uma descarga da privada. E paga para uma ONG picareta fazer um filminho caríssimo de animação dessa ideia estúpida.
As sacolinhas de lixo de nossa péssima coleta saem boiando nas enchentes? Fácil. Proibimos a sacolinha plástica. Pneus velhos, pilhas usadas, restos de sofá são um problema? Criemos regras que dificultem o descarte, de modo a justificar chamar um compadre para celebrar um contrato superfaturado e montar uma empresa só para receber essa lixarada. Assim os caras são obrigados a “dar um por fora” para desrespeitar os horários de coleta que nós impomos, ou a necessidade de pegar senha ou marcar pela internet só para levar um pneu até uma dessas “roubobrás” que nós inventamos. As borracharias adoram.
Uso de mananciais? Simples. A gente proíbe grandes clubes, mansões e indústrias que podem tratar seus dejetos de usufruir do entorno das represas, mas não fiscaliza que favelas inteiras – que não tratam seus esgotos – ocupem a área, transformando nossos reservatórios em grandes privadas a céu aberto. Isso que é iniciativa privada. Crise de energia? Faz o cara tirar seus aparelhos da tomada. Aquelas luzinhas vermelhas que a indústria tecnológica de ponta levou anos desenvolvendo para evitar que nossos aparelhos queimem deve custar caro só de olhar. Desliga que o problema passa.
Problemas no transporte público? Jânio Quadros pintava os ônibus de vermelho; a gente pinta mesmo é o asfalto. Não serve pra nada, incomoda todo mundo mas a gente fatura uma grana preta da indústria de tinta, estes contumazes poluidores. Faz o cidadão pedalar enquanto a gente pedala mesmo é o orçamento superfaturado de sempre. Racionamento? A gente finge que não faz, mas aumenta e diminui a pressão na tubulação até que as adutoras estourem. Dá um trabalho danado fazer consertos de emergência na malha enterrada diretamente no solo e serviços de emergência são todos mais caros. Uma festa.
Aliás, faltou dinheiro pra fezinha? A gente inventa um extintor novo pra patuleia comprar, um kit de primeiros socorros que não socorre ninguém, inventa vistorias nas emissões de carros novinhos – como se não fosse das montadoras a responsabilidade pelo que sai de nossos escapamentos – e por aí vai. O poder público é uma festa, meus caros. Uma festa que você paga a conta e não chia. Já viu um otário hoje, sustentando esses vagabundos? Se olha no espelho.

Um comentário:

Veronica Ruzzi disse...

O Rio de Janeiro é a portal principal de entrada de um país prostíbulo, vagabundo, analfabeto, criminoso, drogado, ladrão, covarde, porco, podre, lixo humano, mosca varejeira.