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"Por favor, não use a palavra fraude. Usando a palavra fraude é como chamar um profundo corte de pequeno arranhão."
Essa foi a teoria do “expert” Lula, ontem: "A diferença foi muito grande, foi de 61%, 62% dos votos. Acho impossível que alguém consiga manipular 30% dos votos".
Na matéria abaixo, a informação vazada por funcionários do Ministério do Interior de que o candidato Hussein Mousavi ganhou a eleição por uma larga margem, enquanto Ahmadinejad saiu em terceiro lugar, com apenas 13% dos votos. Ou, Lula subestima a capacidade criminosa de seus pares (o que não dá para acreditar), ou ele menospreza a inteligência de seus contrários. Por Arthur/Gabriela
ELEIÇÕES DO IRÃ: O COMEÇO DO FIM
Presidente iraniano Ahmadinejad, um veterano da República Islâmica da repressiva Guarda Revolucionária, assumiu o cargo em 3 de agosto de 2005, após inesperada vitória nas eleições presidenciais - uma farsa – pois não há eleições democráticas na República Islâmica do Irã. Por Amil Imani
Todos os candidatos são selecionados pelo Conselho dos Guardiões, antes de serem autorizados a concorrer ao cargo. Na prática, um presidente do Irã é escolhido através de uma farsa de processo eleitoral, que finge dar oportunidade aos eleitores de elegerem um dos homens escolhidos pelo regime, como foi o caso com o presidente Ahmadinejad.
Durante a “eleição” passada, apenas uma pequena percentagem dos eleitores ficou incomodada com os termos da votação pela pré-triagem - o antidemocrático sistema dos mulás onde a seleção prévia é mais que a eleição. O resultado de os eleitores terem ficado longe das urnas (boicote) foi materializado na pessoa do fascista Ahmadinejad.
A grande maioria do povo do Irã está desiludida e enojada pela medieval incompetente, opressiva e corrupta regra dos mulás, independentemente da máfia da quadrilha que está no poder. Os votos, mais do que qualquer outra coisa, foram a expressão do protesto contra todo o sistema, ao invés de indicações de apoio para a coligação dos conservadore-moderados.
Demorou menos de 4 anos para que os iranianos percebessem que o chamado para o boicote às eleições na República Islâmica do Irã, só podia acabar levando ao poder o pior – o mesmo bando de Islamofascists. Desta vez o povo votou a favor do menor dos males entre as duas propostas: a dos mullahs e a do bando dominado por conservadores e "moderados".
Após meses de uma longa campanha impetuosa e sem precedentes nas paixões e tensões, comícios, slogans, Internet de alcance mundial e debates televisivos, que revelaram a corrupção, a inépcia, e atividade ilícitas e criminosas de todos os quatro candidatos, em 12 de junho de 2009, o povo iraniano foi às urnas desafiando não só o histórico presidente Ahmadinejad, mas todo o establishment do regime islâmico.
As eleições do Irã são consideradas extremamente injustas e o governo islamita não permite que monitores internacionais estejam presentes. Também é injusta a decisão dos cléricos de colocarem seu selo sobre as eleições desde o início do processo, decidindo quem pode ou não concorrer. É realmente uma piada. Mais de 470 pessoas procuraram aderir à corrida presidencial, mas apenas Ahmadinejad e três rivais foram aprovados.
No entanto, a participação nessas eleições foi maciça, perto de um nível recorde de 85 por cento, com 49,2 milhões de eleitores. Com base nas informações do site de Mousavi, um grupo de empregados do Ministério do Interior vazou os seguintes resultados, que parecem estar mais próximos da realidade do que o liberado pelo establishment:
Total elegível : 49,2 milhões
Participaram na eleição: 75% a 85%
Total que boicotaram as eleições: 20% a 30%
Mir Hussein Mousavi: 45%
Mehdi Karoobi: 33%
Mahmoud Ahmadinejad: 13%
Mohsen Rezai: 9%
Cancelado votos: 3%
É claro que o Sr. Mir Hussein Mousavi ganhou a eleição por uma larga margem. Ahmadinejad saiu em terceiro. Mas, na sexta-feira, 12 de junho de 2009, algo aconteceu durante a eleição Islâmica (durante a seleção). Algo além do que alguém jamais poderia ter imaginado. Algo grande. Um golpe de Estado à luz do dia, pelos próprios elementos do establishment, em particular, pela Guarda Revolucionária Islâmica Corps (IRGC). Clerical. A liderança no Irã tem crescido cada vez mais dependente dos Estados para ajudar a repelir a pressão interna pela reforma política e econômica, e a pressão externa, resultante da preocupação internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Um jornalista iraniano afirmou: "O importante evento que teve lugar no Irã é que não foi uma eleição, mas foi um golpe de Estado. [Eles] roubaram 24 milhões de votos do povo, levando-os para longe de si. Se tivessem realmente vencido, eles estariam se ocupando em comemorar os resultados e não em ficar batendo nas pessoas. Eles realizaram um golpe"
Ele continuou, "Por favor, não use a palavra fraude”, porque é mitigação do que aconteceu no Irã. A fraude é o que estava acontecendo nos últimos 30 anos. Isto não é fraude. Eles não têm [contado] votos do povo. Usando a palavra fraude é como chamar um profundo corte de pequeno arranhão. Não houve fraude, o que houve foi um golpe. "
Hoje, os chamados reformistas descreveram o golpe dado como uma grande conquista do Líder Supremo da República Islâmica, Ayatollah Ali Khamenei, o homem que tem a palavra final em todos os assuntos do país. Não era nenhum segredo que o Presidente Mahmoud Ahmadinejad era o favorito na escolha de Khamenei. Se tivesse que ter uma fraude eleitoral, ela equivaleria a um golpe, e de fato ela aconteceu, e toda gente acredita que certamente essa fraude teve a benção de Khamenei.
Os manifestantes deram demonstrações, no sábado, de que estavam chocados e zangados pelo desprezo de Ali Khamenei, por sua votação ao aparente golpe. Um dia após a eleição, Khamenei exortou a nação a se unir a Ahmadinejad, e chamou o resultado das eleições de “avaliação divina.”
O chefe político da poderosa Guarda Revolucionária avisou que iria esmagar qualquer "revolução" de Mousavi, contra o regime islâmico. No entanto, no sábado e no domingo, centenas de milhares de opositores de Mahmoud Ahmadinejad colidiram com os bandidos do Hezbollah, vestidos com uniformes da polícia, no centro da capital do Irã, que começaram a tombá-los com pedras e a promover incêndios, na pior das turbulências de Teerã desde a revolução islâmica 1979. Eles acusaram o Presidente linha dura do uso de fraude para roubar a vitória eleitoral de seu rival reformista.
Cada vez mais coniventes os mulás temem o povo iraniano. Uma vez que é bem pequena a percentagem de iranianos (conhecidos como 3Fs-tolos e fanáticos) que apóiam as fraudes dos mullahs. Um regime totalitário jamais poderá sobreviver sem que um segmento da população o apóie. No entanto, o tempo não está do lado dos mullahs. Pela sua má gestão, roubo e opressão das massas, eles criaram condições internas explosivas.
Foi relatado e verificado por um repórter do Der Spiegel no Irã, que o regime tem trazido muitos árabes das facções do Hezbollah do Líbano para atacarem ao povo iraniano. Na noite de domingo, a polícia invadiu os dormitórios estudantis na Universidade de Teerã, onde cerca de 3.000 alunos haviam realizado uma manifestação anti-Ahmadinejad. Quartos foram danificados, quebraram computadores e discos rígidos e os estudantes foram espancados e presos, segundo a Associated Press (AP). Foi relatado que 5 estudantes morreram no atentado.
No ataque contínuo às pessoas, a polícia e os aparelhos da segurança oficial estão cada vez menos dispostos a exercerem a força bruta para reprimir o povo, e é exatamente por isso que o regime tem importado grupos da língua árabe, terroristas como o libanês Hezbollah, e assassinos palestinos.
Em suma, o Irã está num estado de grave perturbação. Substituindo Ahmadinejad pela já comprovada e experimentada gangue do lascivo Rafsanjani-Khatami-Mousavi não vai mudar muito a matéria. Tal como para o Ocidente, é prudente agora que não embarque em uma política ferruginosa de autointeresse. Para os mulas a vida é mero detalhe [eles costumeiramente promovem brutal massacre do povo iraniano, na ausência de qualquer mídia externa]. Somente as reformas política e econômica, mais o apoio moral ao longo sofrimento do valoroso povo iraniano (e à sua oposição secular), podem colocar um fim à vergonhosa e odiosa perseguição do Islamofascists. Material do Analyst-network –
Amil Imani - Bacharel em Comunicação, Mestre em Ciência Política. Doutor em Direito Internacional.
Tradução de Arthur para o MOVCC
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