Tragédia haitiana une Obama, Bush e Clinton

Em reunião inédita na Casa Branca, presidente dos EUA e seus antecessores lançam iniciativa de auxílio a longo prazo ao país. publicano deve ficar com a atividade doméstica de arrecadação, e democrata, concentrará os esforços em âmbito internacional

Pela primeira vez desde que os três políticos resolveram entrar para a vida pública, o presidente Barack Obama e seus dois antecessores imediatos, o republicano George W. Bush (2001-2009) e o democrata Bill Clinton (1993-2001) se juntaram num mesmo lugar, com um mesmo objetivo. O lugar era a Casa Branca, e o objetivo, a recuperação do Haiti. Por Sérgio Dávila, de Washington

Na manhã de ontem, o trio se reuniu no Salão Oval, em Washington, para acertar os detalhes do fundo a ser comandado pelos ex-presidentes, batizado de Clinton Bush Haiti Fund, no que foi chamado de esforço de longo prazo para a reconstrução do país, devastado por um terremoto. Eles seguem iniciativas semelhantes ocorridas após o tsunami asiático, em 2004, e o furacão Katrina, no ano seguinte, que juntaram Clinton e Bush pai (1989-1993).

Depois de meia hora de reunião, os três apareceram nos jardins da Casa Branca. "Em tempos desafiadores, os EUA sempre se unem", começou Obama, o primeiro a falar. O democrata disse que a recuperação deve levar "meses e anos, e não dias e semanas", daí a relevância do fundo. Aparentemente, Bush cuidará mais da parte doméstica, e Clinton, dos esforços internacionais.

Envelhecido, o republicano falou na sequência. Disse que até então vinha acompanhando o desenrolar do desastre pela TV com a mulher, Laura, e estava triste com a situação, como todos os americanos. "Parabenizo o presidente Obama por sua rapidez na resposta", afirmou -uma das maiores críticas à gestão de Bush foi a demora em reagir ao Katrina.

Por fim, Clinton agradeceu Bush por ter aceitado o convite de Obama e brincou: "Eu já pensei em colocá-lo para fazer mais coisas do que ele pensa que concordou em fazer".

É a primeira vez que Bush volta à Casa Branca desde que deixou o poder, há um ano, sob pesadas críticas, inclusive de Obama e Clinton. Desde então, vem se mantendo distante de eventos públicos e cuidando de sua biblioteca, em construção no Texas, e deixando as críticas ao atual governo a cargo de seu vice, Dick Cheney.

No segundo mandato de Bush, seus assessores chegaram a dizer que ele visitaria o Haiti, mas a viagem foi cancelada por questões de segurança, e a então primeira-dama, Laura, foi em seu lugar.

Já Clinton não é neófito em assuntos daquele país. Enviado especial para o Haiti pela ONU, posto que ocupa desde 2009, passou o que chamou de "lua de mel atrasada" no país, com Hillary Clinton, em 1975, e ordenou a intervenção militar dos EUA que restaurou o líder deposto Jean Bertrand-Aristide ao poder, em 1994.

Ontem foi anunciada ainda a criação de um site, clinton bushhaitifund.org, em que se podem fazer doações. Ali, o internauta é recebido por texto assinado pelos dois: "Por meio do Clinton Bush Haiti Fund, trabalharemos para prover auxílio imediato e apoio de longo prazo para os sobreviventes do terremoto. Canalizaremos a boa vontade ao redor do mundo para ajudar o povo do Haiti a reconstruir suas cidades, suas vizinhanças e suas famílias". Folha de S. Paulo

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