O que
será que ele está vendo?, intrigaram-se nesta quinta-feira incontáveis leitores
da Folha confrontados com a foto na primeira página. A expressão
superlativamente embecida do deputado federal Jilmar Tatto grita que o líder da
bancada do PT está cruzando, a bordo de um floco de nuvens multicoloridas, a
difusa fronteira que separa o deslumbramento do êxtase. O que faz bater em
descompasso o coração do companheiro?
Os olhos
rútilos e os lábios trêmulos, na grande imagem de Nelson Rodrigues, avisam que
Jilmar está grávido de admiração, orgulho e felicidade. O que estará
acontecendo? O grupo de candidatas a miss em visita a seu gabinete resolveu
homenageá-lo com um striptease coletivo? A ex-primeira dama Carla Bruni
irrompeu no plenário para sussurrar-lhe que topa trocar Paris por Brasília?
Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, apareceu de repente para
comunicar que só aceitará depor na CPI se tiver a seu lado, e de mãos dadas,
aquele parlamentar tão sensível?
Nada
disso. Jilmar ficou assim sem que fosse apresentado a alguma singularidade
assombrosa. Para exibir essa cara de palerma apaixonado, bastou-lhe
testemunhar, sentado na fila do gargarejo da CPI, o momento em que o governador
Agnelo Queiroz propôs a quebra do sigilo telefônico, bancário e fiscal já quebrado
pelo Supremo Tribunal Federal. “Você é nosso e nós somos teu”, parece murmurar
a fisionomia do líder do PT. O recado endereçado a Sérgio Cabral pelo
torturador gramatical Cândido Vaccarezza é a mais perfeita tradução da CPI de
araque.
Reveja
a foto no alto da página. Contemple sem pressa a imagem que levou Jilmar Tatto
a flutuar na estratosfera. Fica mais fácil entender por que a CPI do Cachoeira
virou uma chanchada pornopolítica que finge investigar coadjuvantes para manter
longe da cadeia os protagonistas de outro escândalo calculado em bilhões de
reais. O deputado Miro Teixeira tem razão: abstraídos os raríssimos homens
honrados, o que se vê é um duelo travado por tropas do cheque tão patéticas e
desprezíveis quanto as velhas tropas de choque.
Governistas e
oposicionistas aplaudem os bandidos de estimação e fazem de conta que estão
bravos com os meliantes do lado de lá. A simulação ficou perigosa depois que a
cachoeira desaguou na Delta. Nesta quinta-feira, o PT e a base alugada se
juntaram para conjurar o perigo e excluíram Fernando Cavendish da lista
de depoentes. Melhor encerrar os trabalhos antes que o Brasil inteiro enxergue
na CPI o que ela é: uma Confraria de Pilantras e Idiotas.


Um comentário:
esse meliante deve fazer a mesma cara de idiota em seus encontros com pcc e com a mafía das lotações na zona sul de são paulo.
cusp...cusp...cusp...
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