IstoÉ
O
ex-ministro contrata um batalhão de advogados e assessores, vai municiar as
redes sociais e articula manifestações de apoio para enfrentar o julgamento no
STF
Sérgio
Pardellas
APELO ÀS RUAS
Dirceu convoca sindicalistas e estudantes
para pressionar por sua absolvição
No sábado 2,
trajando blazer preto e camisa azul clara, o ex-ministro José Dirceu entabulou
uma conversa ao pé do ouvido com o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP). O
bate-papo aconteceu minutos antes do pré-lançamento de Fernando Haddad à
Prefeitura de São Paulo. Dirceu deixava claro para o deputado, que é compadre
do ex-presidente Lula, seu estado de ânimo para encarar o julgamento do
mensalão no STF, onde ele é acusado por formação de quadrilha e corrupção
ativa. “Se eu morrer, será lutando”, disse o ex-ministro. A expressão heróica
utilizada por José Dirceu significa que ele está trabalhando duro para
enfrentar o julgamento marcado para começar no dia 1º de agosto. Desde maio,
ele prepara um arsenal pesado para atravessar o que chama de “um dos momentos
mais críticos” de sua trajetória política. Para não ser condenado a até 12 anos
de prisão, e acabar alijado definitivamente da vida pública, o homem que um dia
presidiu o PT e foi o principal ministro do governo Lula montou um bunker de
assessores e advogados, investiu na contratação de uma empresa especializada em
redes sociais, passou a articular manifestações de apoio com sindicalistas,
intelectuais e artistas e se reaproximou de organizações estudantis. “Você fala
‘oi’ para o Zé e ele fala em julgamento”, contou à ISTOÉ o deputado Devanir. “É
um projeto legítimo dele, tentar mobilizar pessoas e angariar apoios”.
Quem comanda a defesa de Dirceu é José Luiz Oliveira Lima, dono de um
escritório com 11 advogados, localizado no 32º andar do prestigiado Edifício
50, na Avenida São Luiz, em São Paulo. Aos 45 anos, Juca, como gosta de ser
chamado, especializou-se em Direito Penal, especialmente em delitos
tributários. Já defendeu o banqueiro Daniel Dantas, acusado de lavagem de
dinheiro e crime financeiro. Também teve entre seus clientes famosos o
ex-banqueiro italiano Salvatore Cacciola. Embora esteja ao lado de Dirceu desde
2005, Juca pretende, com a iminência do julgamento, intensificar seu trabalho.
“A partir de agosto, terei de ficar mais tempo em Brasília”, contou à http://www.istoe.com.br/reportagens/214527_DIRCEU+ARMA+SEU+BUNKER?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage. O
advogado diz estar seguro de que não há provas suficientes para condenar seu
cliente. “As alegações finais apresentadas pelo Ministério Público nada mais
são do que uma peça de ficção, pois em nenhum momento apontam de maneira
concreta, baseada em provas, os motivos que justificariam a condenação do ex-ministro”,
defende o advogado. Aqui
Para espalhar
essas ideias da defesa pelo País, José Dirceu age em várias frentes. Uma das
batalhas acontecerá nas redes de relacionamento. Ele contratou uma firma de
ativistas digitais, a Interagentes, que está encarregada de disseminar pela
internet argumentos por sua absolvição, tentando conquistar formadores de
opinião. Velha conhecida das correntes de esquerda, a Interagentes já fez
trabalhos para o PT e se compromete a travar uma “guerrilha virtual” por
intermédio do twitter e do facebook. A frente de comunicação foi reforçada com
a contratação do jornalista Luiz Fernando Rila, que se licenciou da empresa FSB
para assessorar exclusivamente o ex-ministro durante o julgamento do mensalão.
Desde o fim do último mês, Rila tem feito a “ponte” de José Dirceu com a
imprensa. Ao seu lado, trabalha Edmilson Machado, afastado da empresa Máquina
da Notícia para dedicar-se a Dirceu. Os dois unem-se a Aristeu Moreira,
responsável há dois anos pelo blog do ex-ministro. Machado acompanha o
noticiário e organiza os discursos do ex-ministro. Caberá a ele também
coordenar as redes sociais. “Faremos uma disseminação de conteúdo”, diz
Machado.


Um comentário:
Pois é.
desde a frase inicial desta matéria, eu me perguntei: onde será que o Dirceu está arrumando tanto dinheiro para pagar a defesa do indefensável?
Só espero que não seja do nosso bolso, mas...
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