Se
depender de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil de parte do primeiro governo
Lula, o bicho vai pegar antes, durante e, se necessário, depois do julgamento
do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nunca
antes na história recente do país convocou-se o povo para pressionar um
tribunal. Pois bem: Dirceu começou a fazê-lo.
Rapaz
ousado!
Mais
certo seria chamá-lo de temerário, imprudente, perigoso, atrevido,
insolente, afoito, demente, precipitado, desaforado, petulante, desajuizado,
incauto, arrogante, desvairado, impulsivo, arrebatado, insensato – e mais o
quê? Pense. E acrescente aí.
Quem se
diz democrata respeita a independência dos poderes da República. Pode discordar
de decisões da Justiça? É claro que sim. E até criticá-las com indignação.
Mas ao fim e ao
cabo só lhe resta acatá-las. Diga-me: que democrata de verdade insufla o povo
para que constranja a Justiça a decidir como ele deseja?
De
passagem por Brasília, em conversa com um amigo há um mês, Dirceu pareceu
abatido e certo de que será condenado por ter chefiado “uma sofisticada
organização criminosa” que tentou se apoderar de uma fatia do aparelho do
Estado, segundo denúncia do Procurador Geral da República aceita pelo STF.
Não revelou ao amigo que cogitara exilar-se em Cuba ou na Venezuela. Uma vez
condenado, viajaria denunciando a injustiça de que fora vítima.
Arquivou
a ideia. Concluiu que seria difícil convencer os ouvintes de que era um
perseguido político no país governado por seu próprio partido há quase dez
anos.
Mas
surpreendeu o amigo ao revelar que os chamados “movimentos sociais” não assistiriam
inertes a sua eventual condenação. Diz-se informado de que reagiriam por meio
de manifestações de rua.
Não descartou
a hipótese de que tais manifestações acabassem antecipadas. Tudo dependeria da
data do julgamento. AQUI

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