O advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da
Justiça, aderiu, no sábado à noite, à campanha contra a imprensa promovida pelo
PT desde 2003, intensificada depois que veio à luz o escândalo do mensalão, em
2005, e tornada grito de guerra com a CPI do Cachoeira. É um tanto
constrangedor ver uma das figuras mais estelares do direito, que tem uma
história respeitável de defesa da democracia nos estertores da ditadura (foi
presidente da OAB entre 1983 e 1985), aderir agora, em plena democracia, a uma
forma velada de defesa da ditadura. Exagero? De modo nenhum! E vou demonstrar
isso. O que fez Bastos, que é advogado de um dos 38 réus do mensalão? No
programa “Ponto a Ponto”, da BandNews, no sábado, afirmou que a imprensa “tomou
partido” contra os réus e tenta influenciar os ministros do Supremo com
“publicidade opressiva”. Acusou ainda a imprensa de elevar “a um ponto muito
forte o mensalão que vai ser julgado, deixando de lado os outros mensalões”. É
uma fala indecorosa para o advogado que teve influência importante na indicação
de pelo menos 8 dos 11 ministros do Supremo. E isso quer dizer, como vou
demonstrar também, que Bastos parece considerar ilegítimo o trabalho da
imprensa, mas legítima a pressão que ele próprio está fazendo sobre os
ministros.
Note-se, de saída, que o
ex-ministro da Justiça, petista de escol, conselheiro de todas as horas de Lula
e hoje advogado de Carlinhos Cachoeira, está repetindo as palavras de José
Dirceu no encontro da
Juventude Socialista. no mesmo sábado. Este monumento
moral da política brasileira cobrou que a UNE vá às ruas em sua defesa e em
protesto contra o que chamou “monopólio da mídia”. No mesmo evento, lembro à
margem, Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio, “inocentou” a entidade de todas
as acusações de malversação de recursos públicos e atribuiu as denúncias — que
são, na verdade, evidências — a uma espécie de conspiração dos inimigos,
atacando, por óbvio, ainda que de maneira velada, Tribunal de Contas da União,
Ministério Público e imprensa. Paes recomendou a Daniel Iliescu, presidente da
UNE, “casca grossa” para suportar as injustiças… Pois é! Se a UNE, agora, não
puder mais pegar dinheiro público, comprar uísque e apresentar notas frias
na prestação de contas, onde é que fica a liberdade dos camaradas, não é mesmo,
prefeito? AQUI
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