BRASÍLIA - O que os
aliados mais temiam era que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz
(PT), gaguejasse e se enrolasse nas explicações à CPI mista do caso Cachoeira.
Além da tropa de choque do PT, de aliados do governo e de políticos de
Brasília, a surpreendente segurança e desenvoltura demonstradas pelo petista
foi construída com a orientação de políticos tarimbados como José Dirceu e o
líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Mas, sobretudo, em sessões de terapia com
uma especialista em gerenciar crises e ajudar no controle das emoções: a
jornalista-terapeuta goiana Olga Curado. A mesma que treinou a então candidata
Dilma Rousseff para a campanha presidencial .
Terapeuta do
ex-presidente Lula, do governador Geraldo Alckmin e de outros candidatos, Olga
Curado mistura em suas sessões técnicas de Gestalt — onde o paciente é
estimulado a gritar e a rolar no chão para liberar emoções e ganhar confiança —
com aikidô e budismo. Ao invés de se retrair, Agnelo chegou na ofensiva,
respondendo a todas as perguntas.
— Toda a preparação que
ele fez, o “media training” e a terapia com a Olga Curado, valeu 50% do seu bom
desempenho. O resto, ele aprendeu vendo o depoimento do Marconi Perillo. Seu
grande receio era não conseguir explicar a compra da casa que vale R$ 5 milhões
por R$ 400 mil — contou um dos líderes aliados que estiveram com Agnelo nos
últimos dias.
A decisão de oferecer à CPI a quebra dos
sigilos foi acertada em reunião na véspera, com seus advogados e deputados
petistas. A estratégia foi se diferenciar de Perillo, que, na véspera, não
aceitou abrir seus dados à comissão.
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