Diante de ditadores, Lula pede condenação a Honduras

“MEU AMIGO, MEU IRMÃO E LÍDER”

Logo de início, o presidente elogiou “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos” e ressaltou que “consolidar a democracia é um processo evolutivo”.


Cercado por ditadores e por governantes acusados de se eternizarem no poder através de eleições fraudadas ou de intimidação, o Lula da Silva fez ontem um apelo aos líderes da África para que condenem o golpe que tirou do poder Manuel Zelaya, em Honduras.

— Queria pedir que, em seu comunicado final, esta reunião inclua uma negativa ao golpe de Estado que acaba de ocorrer em Honduras, no domingo passado, e que o presidente eleito democraticamente volte ao poder — solicitou o presidente, que discursou ontem como convidado na 13ª Assembleia da União Africana (UA).

O encontro de ontem foi realizado na cidade natal do ditador líbio, Muamar Kadafi, que é o atual presidente da União Africana e que completará 40 anos no poder em seu país dentro de dois meses. Entre os participantes estava o ditador do Sudão, Omar al-Bashir, que foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), da ONU, por crimes de guerra e contra a Humanidade — o Brasil, que ratificou o tratado que criou o TPI, tem obrigação legal de prender Bashir caso ele entre em seu território.

Entre os pontos que podem ser mencionados no mesmo documento final no qual o presidente Lula pretende incluir a menção ao golpe em Honduras está um trecho polêmico. Um dos relatórios que serão discutidos pela UA se refere ao “abuso do princípio da jurisdição universal”, uma crítica à condenação de Bashir pelos crimes contra os civis na região de Darfur.

Antes mesmo de discursar diante dos líderes africanos, o presidente brasileiro disse, na Líbia, que o Brasil não aceita o golpe em Honduras.

— Não aceitamos a volta dos golpes na América Latina. Tivemos a experiência dos golpes militares durante os anos 60 do século passado — disse o presidente.

— A democracia significa que você pode retirar seu presidente de madrugada e colocar outro? Esse é um precedente perigoso para a comunidade internacional como um todo. Deixamos de aceitar todas as formas de cooperação com Honduras, porque eles têm que respeitar o processo democrático.

Ahmadinejad, convidado, não comparece à reunião

Na verdade, o presidente brasileiro acabou por se livrar de um constrangimento. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad — cuja reeleição aparentemente fraudada motivou protestos de rua, combatidos com brutalidade pelo governo dos aiatolás — não compareceu à reunião, cancelando sua chegada na última hora. O convite ao iraniano, feito por Kadafi, fora recebido com reservas por muitos líderes africanos, que temiam que sua presença acabasse por alterar a agenda da reunião.

Outra ausência sentida foi a do presidente do Egito, Hosni Mubarak, que nos últimos meses demonstrou desagrado com algumas propostas de Kadafi, principalmente a criação de um bloco regional com mais poderes, chamado “Estados Unidos da África”.
O Globo

6 comentários:

Joana D'Arc disse...

E vejam só isto!
Leio que o governo do Irã solicitou à Interpol que emita um mandado internacional de busca contra o médico Arash Hejazi, por ter testemunhado a morte de Neda Agha Soltan.

O médico fugiu do Irã e esta agora na Grã-Bretanha.

Fonte: Estadão, 02.07.09

Neda vive!

Gusta disse...

Perdoe o off-topic mas julgo importante:

A Agência Senado quer saber a opinião dos seus leitores.
"Você é a favor ou contra a adesão da Venezuela ao Mercosul?"

Acesse o endereço abaixo e vote no lado direito da página em ENQUETE.

http://www.senado.gov.br/agencia

Vamos lá!!!!

Anônimo disse...

"Meu amigo, meu irmão e líder"

Tem gente de cabeça dura, com problemas ortopédicos, excesso de osso que toma lugar do cérebro, que ainda espera uma invasão dos norte americanos na amazônia.

A União Bolivariana é nos moldes da União Africana, o Clube de Ditadores, com milicia e comando.

É de Gaddafi que ele tem o apoio internacional e por isso criou a segregação racial, para porta de entrada da UA com sua milicia dar respaldo ao seu governo em favor da dívida com os ex-escravos africanos.

Não foi por nada que se reativou a Quarta Frota.

Laguardia disse...

Lula só defende governos ditatoriais. Defende o governo do Irã, uma verdadeira ditadura sanguinária tocrática dos aiatolás, defende Cuba e Fidel Castro que oprime o povo cubano há mais de 50 anos, defende a ditadura Norte Coreana, defende Muamar Gaddafi, ditador da Líbia. Se assenta na mesma mesa com o genocida do Sudão, mais de 400.000 mortos desde a posse de Lula em 2003. Defende Evo Morales que nos rouba refinarias de petróleo, defende o ditador Hugo Chaves, defende Lugo do Paraguai, indica para sua sucessora uma mulher ex guerrilheira que lutava pela implantação de uma ditadura no Brasil e jamais se arrependeu disto.

Lula se une com os piores políticos do Brasil para impor seu projeto de poder.

E o povo? Lula está se lixando para o povo

Anônimo disse...

Chiste, repassando:

Mídia Sem Máscara

Armando Valladares renuncia à Human Rights Foundation E-mail Imprimir PDF

Armando Valladares | 02 Julho 2009
Internacional - América Latina

Não obstante as advertências da Corte Suprema, Zelaya seguiu com seus planos de derrotar a democracia em seu país, onde imperava a lei, e com base nesse império da Lei, a Corte Suprema ordenou ao Exército

(que não existe para defender o Presidente, senão à Constituição)

que prendesse e expulsasse Zelaya do país. Isso não é um golpe de Estado, não há militares governando em Honduras.

Meu querido Thor:

ARMANDOVALLADARESFHRA nota da Human Rights Foundation (HRF) sobre os eventos de Honduras não refletem a verdade nem relatam historicamente os fatos tal como sucederam. Estou agora na Itália e não tenho muito tempo para uma análise mais extensa. Porém, o Presidente Zelaya foi e é um traidor da Democracia. Foi eleito enganando seus compatriotas e quando com esse engano chegou ao poder, girou ideologicamente e começou seu plano para derrotar a democracia em Honduras como Chávez fez na Venezuela, Morales na Bolívia e Correa está fazendo no Equador. Zelaya faz parte da grande conspiração neo-comunista que pretende se apoderar da América Latina.

Airton Leitão disse...

Não foi sem sentido o fato de que quando da posse de Lula em seu primeiro mandato, em 2003, a principal atração do evento foi a presença de Fidel Castro, na época o mais antigo ditador do mundo.
Interessante é que a eleição de Lula representava uma consolidação da democracia, resultado de uma lula que Lula comandou desde a convocação de greve dos metalúrgicos em pleno regime militar.
Ele hoje não nega que é mesmo fã de ditadores.